quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estratégia Britânica no Mediterrâneo - 1940/41







Estratégia Britânica
no Mediterrâneo

1940/41





fonte: Churchill – O Lord da Guerra / 1979 – Ronald Lewin

trad. Cel Álvaro Galvão



cap. 3 – O Ano do Gafanhoto – 1941


“Com exceção da vitória final, o objetivo estratégico mais acalentado por Churchill durante a Segunda Guerra Mundial era transformar o Mediterrâneo em “Mare Nostrum”. Duas decisões, tomadas por ele sobre sua inteira responsabilidade e com enorme risco, lançaram as bases para a consecução do seu propósito, alcançado em 1943 e 1944; durante 1941, porém, o alicerce parecia estar se dissolvendo. Sua primeira iniciativa, e fundamental, seguiu-se à queda da França. Churchill recorda: “No fim de junho a situação parecia tão horrível que o Almirantado chegou a pensar no abandono do Mediterrâneo Oriental, para concentrar-se em Gibraltar.”

Era esta a ideia do Primeiro Lorde do Mar, Almirante Pound. Entretanto, fortalecido pela reação mais positiva do Almirante Cunningham, o comandante-chefe naquela região, Churchill vetou a proposta com firmeza e decisão e conseguiu o apoio dos Chefes de Estado-Maior; estes, em 3 de julho, informaram a todos os comandantes-chefes que a esquadra ia permanecer no Mediterrâneo Oriental. Daí em diante, apesar de inúmeros desastres, em sentido absoluto, os ingleses jamais foram expulsos das rotas marítimas vitais que passavam por aquela região. Mas quando Churchill tomou sua decisão, no verão de 1940, sem dúvida praticou um ato de fé impressionante, porque os italianos ainda não haviam demonstrado a forma inepta e covarde como iriam utilizar a sua superioridade aérea e naval.

Nas circunstâncias do momento, a sua segunda decisão foi mais corajosa ainda. Enquanto se achava em curso a Batalha da Inglaterra, Churchill concordou em enviar para o Oriente Médio praticamente a metade do efetivo dos melhores blindados existentes no país. “O que é estranho”, anotou ele, “é que na época as pessoas envolvidas no problema permaneceram bastante calmas e joviais, mas escrever sobre o assunto agora chega a provocar arrepios.”

Na realidade, a proposta partiu do Ministério da Guerra. No dia 10 de agosto o General Dill, o CIGS [Chief of the Imperial General Staff] , informou a Churchill que se pretendia enviar imediatamente para o Egito um batalhão de carros de combate Cruiser, um regimento de carros de combate leves e um batalhão de carros de combate de Infantaria – ao todo 154 carros, juntamente com uma quantidade valiosa de canhões anticarro e de Artilharia de Campanha. Todavia, era Churchill, o Primeiro-Ministro, e somente Churchill, quem poderia validar a proposta; a aprovação imediata constituiu um daqueles golpes, no campo da alta estratégia, que raramente estão ao alcance de um comandante, e que ainda mais raramente são tentados. Deve-lhe ser atribuído o mesmo valor da ordem de Churchill, no dia 24 de julho de 1914, para que a esquadra saísse de suas bases no canal da Mancha e, navegando durante a noite, com as luzes apagadas, atravessasse o estreito de dover, avançasse pela rota perigosa do Mar do Norte e se abrigasse na segurança proprocionada por Scapa Flow.

Além disso, foi Churchill quem exigiu que os carros de combate fossem enviados diretamente para o Egito, através do Mediterrâneo, e não pela rota do cabo da Boa Esperança como queria o Almirantado. Ele aceitava o conselho dos profissionais, embora à luz dos fatos pareça que a sua ousadia fosse mais justificada do que a cautela deles. Assim, o comboio chegou ao destino com tempo suficiente para tornar possível a destruição do exército italiano na África do Norte, onde os Matildas do batalhão de carros de Infantaria desempenharam um papel crucial.”

/p. 73
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mais sobre o General John Dill (1881-1944)
http://en.wikipedia.org/wiki/John_Dill
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A blitz de inverno

London Coventry

“Enquanto isso [durante as operações no Mediterrâneo e norte da África], a blitz de inverno varria as cidades da Inglaterra; primeiro Londres, depois Coventry e os grandes centros industriais; enfim, após uma trua relativa em janeiro e fevereiro, a Luftwaffe iniciou “uma visita aos portos”. A partir do início de março, Portsmouth, Merseyside e Clyde foram pesadamente atacados. Todavia, depois de uma das piores incursões contra Londres (no dia 10 de maio, quando a Câmara dos Comuns foi atingida), os ataques aéreos diminuíram e não foram ostensivamente renovados até 1944.”

O motivo da 'pausa' no bombardeio: início da Operação Barbarossa: nazistas atacam a URSS (junho 1941)

A pacata cidade de Coventry se tornou o símbolo do fracasso da ofensiva aérea alemã. Desperdício de recursos, alvos sem importância militar ou industrial. Apenas para assustar a população civil – perda de vidas e propriedades – e não uma estratégia de destruição dos portos, aeroportos, ou rede de radares.


Enquanto a avião alemã se dedicava a 'atirar pedras' sobre o telhado britânico, nem poderia a 'chuva de granizo' que destelharia a Alemanha em 1943-45! “Quem tem telhado de vidro, não deve atirar pedras no telhado do vizinho”, diz o sábio provérbio.


sobre o bombardeio de Coventry
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Leonardo de Magalhaens
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Molotov em Berlim 1940







O Representante russo Molotov em
conversações com os nazistas

em Berlim - Novembro de 1940

Diário de Berlim
W Shirer

BERLIM, 12 de novembro [1940]

Um dia escuro e chuvoso. Molotov chegou hoje. A recepção que lhe fizeram foi extremamente seca e protocolar. Subindo de automóvel a Unter den Linden, em direção à Embaixada Soviética, o Comissário do Exterior da URSS deu-me a impressão de um mestre-escola atarrancado e provinciano. No entanto, para sobreviver através de todas as rivalidades e intrigas do Kremlin, é indiscutível que deve ter algum valor. Os alemães referem-se abertamente ao fato de permitirem a Moscou a realização do velho sonho da Rússia, a conquista do Bósforo e dos Dardanelos, ao mesmo tempo que reservarão para si o resto dos Balcãs, a Romênia, a Iugoslávia e a Bulgária. E se os italianos conseguirem conquistar a Grécia, o que começa a parecer duvidoso, poderão guardá-la para si.

[...]

BERLIM, 14 de novembro

Julgávamos que os ingleses viessem ontem à noite, quando Ribbentrop e Göring festejavam Molotov com um banquete oficial. A Wilhemstrasse mostrava-se extremamente nervosa ante a perspectiva, uma vez que não lhe agrada a ideia de os figurões nazistas serem forçados a procurar o abrigo antiaéreo em companhia de seus ilustres hóspedes russos. Em vez disso, os ingleses surgiram esta noite pouco antes das 21 horas, mais cedo que nunca, quando Molotov recusou-se a ir para o abrigo, preferindo ficar assistindo ao bombardeio de uma das janelas da sala, cujas luzes estavam convenientemente apagadas. E os ingleses tiveram o cuidado suficiente de não atirar coisa alguma nas vizinhanças.

[...]

trad. Alfredo C Machado
RJ, Record

DIÁRIO DE BERLIM – W SHIRER
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Qual a posição de Molotov no regime estatista russo? O quanto o ditador Stalin confiava no 'diplomata' que negociava com os alemães? Temos um trecho no “Os Homens do Cremlin” sobre isso.

“No cargo de presidente do Conselho dos Comissários do Povo, Molotov dirigiu a execução dos primeiros 'planos quinquenais', foi o principal responsável pelo fortalecimento em sentido absoluto das estruturas do Estado, dirigiu a 'construção socialista' na sua primeira fase atormentada. Em maio de 1939, Stalin confiou-lhe outro encargo pesado: a direção do Comissariado do Povo para os Negócios Externos (mantinha, ao mesmo tempo, a Presidência do Conselho), com a tarefa de 'virar ao avesso' as atitudes filo-ocidentais, antes próprias da diplomacia soviética, preparando uma aliança com a Alemanha.

Em virtude do pacto Molotov-Ribbentrop (agosto de 1939), a URSS estendeu consideravelmente seu próprio território: foi o primeiro, se bem que efêmero, sucesso do 'diplomata' Molotov: dois anos depois os nazistas agrediam os soviéticos [ em 22 de junho de 1941].”
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fonte: Os Homens do Cremlin. SP: Ed. Três, 1974
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sábado, 13 de novembro de 2010

Ataque britânico à base italiana de Taranto








Ataque britânico à base italiana de Taranto
11 / 12 novembro 1940

A Batalha de Taranto (ou Tarento), em 11 e 12 de novembro de 1940, foi a primeira a empregar forças navais e aéreas, no cenário europeu, em ataque conjugado a uma base terrestre (portuária)

A base marinha de Taranto situa-se na Apulia, sul da Itália, no fundo do Golfo de Taranto, limitado pela Apulia, Basilicata, Calabria e o Mar Jônico). O comando da frota italiana estava nas mãos do Almirante Angelo Iachino (1889-1976), responsável por 4 couraçados, 19 cruzadores, 50 contra-torpedeiros e 109 submarinos.

As forças britânicas (que contavam com apoio de belonaves australianas) eram comandadas pelo Almirante Andrew B. Cunningham (1883-1963), responsável pelas ações de 4 couraçados, 6 cruzadores, 20 contra-torpedeiros, 4 submarinos e 1 porta-aviões.
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A linha de comando das forças aéreo-navais no Mediterrâneo

“O conflito encontrou Cunningham como comandante-chefe da base de Malta, um ponto nevrálgico, importantíssimo. Mas uma série de falecimentos inesperados, nas altas esferas do Almirantado, acaba por levá-lo ao comando supremo da frota do Mediterrâneo. Para o irlandês, que parecia destinado à carreira de agricultor ou de professor, produz-se o evento que o introduz na história da Marinha.

A situação é esta: com a derrota da França, tornou-se crítica a posição dos ingleses no Mediterrâneo. A frota francesa não pode mais conservar o setor ocidental e seus navios devem ser desmilitarizados. E quando, além disso, a Itália entra na guerra, Cunnigham fica seriamente preocupado. Em suas memórias, ele escreverá que, se a frota italiana tivesse agido com maior decisão nos primeiros meses da guera, e tivesse atacado as embarcações inglesas (menos numerosas e desprovidas de 'cobertura' aérea), certamnte a Itália teria assegurado para si o domínio do Mediterrâneo.

'Bastaria', escreveu o almirante, 'que se tivessem afundado no canal de Suez, ou diante do porto de Alexandria, alguns de seus navios mercantes, carregados de cimento ou de explosivos, para paralisarem, pelo menos por um mês, todas as operações naviais britânicas.' E ainda: 'Se, depois da derrota francesa, os italianos houvessem atacado com seus couraçados e cruzadores, os ingleses seriam obrigados a retirar-se.'
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Nada disso ocorre. Ao contrário, Cunningham pode agir tranquilamente ou quase. Ataca Tobruk e, na batalha de Punta Stilo, força uma esquadra naval italiana a retirar-se para o porto. Depois há um combate, em que fica avariado o couraçado italiano 'Giulio Cesare', mas também a capitânea de Cunningham, o 'Warspite', sofre danos consideráveis. Gradualmente, a frota inglesa se fortalece, chegam os porta-aviões 'Illustrious' e 'Eagle', e entra em cena o radar, que os italianos não possuem, nem imaginam o revolucionário aparelho instalado nos navios adversários. Quando perceberem, será tarde demais.

Ciente se sua superioridade, Cunningham explora arriscadamente os recursos de sua frota, chega a empregá-la em até vinte operações simultâneas. Esse modo de agir, se lhe confere o respeito quase fanático de seus comandados, atrai para ele também ressentimento e antipatia, da parte dos colegas. Alguém o define mesmo como desumano, alguns falam de métodos inadmissíveis num almirante de Sua Majestade.

Cunningham responde com relatórios ao Almirantado, em que defende seus atos numa linguagem muito livre. Mas não tem muito trabalho em justificar-se. No plano tático e militar, são os fatos que lhe dão razão: os reabastecimentos no Oriente Médio são constantemente assegurados, Malta resiste, as forças terrestres são sempre apoiadas pela intervenção naval, o mar é mantido desembaraçado de minas. E mais: em 11 de novembro de 1940, 21 aviões-torpedeiros 'Swordfish' da Marinha britânica atacam a base de Taranto e danificam três couraçados italiano. Embora sendo homem do mar há quase meio século, Cunningham acredita na aviação. E também na aviação adversária. A respeito dos italianos, escreve em seu diário: 'Não é exagerado afirmar que, na primeira fase da guerra, os bombardeios a grande altura dos italianos foram os mais aprimorados que já observei; melhores que os dos alemães. Recordarei sempre com grande respeito esses homens, [...] ”
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fonte: Os Generais Aliados. SP: Ed. Três, 1974.
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[nota minha:]

sobre a batalha de Punta Stilo, um parágrafo,

A batalha de Punta Stilo ou da Calabria (em 9 de julho de 1940) foi travada entre as forças britânicas (Royal Navy) e as forças italianas (Regina Marina) nas águas do Mar Jônico, na região entre a península itálica e a península helênica (a Grécia), lugar onde se notava uma das maiores concentrações de belonaves, navios de guerra, em todo o Mar Mediterrâneo.
Operações Navais no Mediterrâneo
“De importância vital, a pequena ilha de Malta estava no meio das rotas de abastecimento do Eixo para o norte da África e representava a única base aérea inglesa no Mediterrâneo central. Com uma força naval e contigente aéreo reduzidos, a guarnição inglesa em Malta periodicamente atacava os navios de abastecimentos do Eixo, mas estava em constante ameaça de bombardeios e invasões. Na verdade, a pequena Malta se tornou um dos pontos principais do conflito no norte da África.

[...]

Temeroso que os remanescentes da esquadra francesa caísssem em mãos alemães, em julho de 1940, [o almirante] Cunningham destruiu as forças francesas que restavam em Mers el Kebir e Oran. Em seguida, em novembro de 1940, a Esquadra do Mediterrâneo lançou um ataque ousado e preventivo na principal base da esquadra italiana em Taranto. O porta-aviões inglês Illustrious navegou até uma distância que deixasse a supostamente segura base dentro de seu alcance e orquestrou um ataque com 21 Swordfish biplanos obsoletos. Voando durante a noite, os pilotos lançaram 11 torpedos na esquadra italiana ancorada, afundando um couraçado e danificando outros dois, incluindo o poderoso Littorio, além de sois cruzadores. O bem-sucedido ataque ajudou a equilibrar a balança de poder no Mediterraneo e forçou a marinha italiana a se deslocar para bases distantes na costa oeste – e deixou os italianos reticentes sobre testar o poder inglês.”
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fonte: JORDAN, David & WIEST, Andrew. Atlas da Segunda Guerra Mundial Vol 1 . SP: Ed. Escala, 2008
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Batalha de Taranto (ou Notte di Taranto)

Os italianos passaram a chamar o ataque inglês de “Noite de Taranto” (Notte di Taranto) enquanto as 'fontes oficiais' dizem “Batalha de Taranto”, e reconhecem o quanto o ataque desmobilizou a hegemonia italiana no Mediterrâneo. Aceitam que a derrota foi uma espécie de “Pearl Harbour” - enquanto o ataque aos norte-americanos seria ousado pelos japoneses em dezembro de 1941 – pois a Marinha italiana foi seguramente afetada (e seria ainda pior na Batalha do Cabo Matapan, como veremos)

Na 'Noite de Taranto', em três ondas de ataque - onde 10 aviões iniciaram incêndios, e outros 11 lançaram torpedos - foram danificados os caça-torpedeiros Libeccio e Pessagno, os encouraçados Caio Duilio e Littorio, além do cruzador Trento. Além das belonaves, também depósitos, reservatórios de combustível foram atingidos. Quanto ao número de baixas, registram-se 85 mortos, sendo 55 civis, e 581 feridos.
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Por Leonardo de Magalhaens
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Quadro completo da Batalha do Mediterrâneo
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Ataque britânico à base de Taranto (Itália)
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sábado, 6 de novembro de 2010

Roosevelt Reeleito em 1940







Roosevelt Reeleito em 1940

Diário de Berlim
W Shirer

BERLIM, 6 de novembro [1940]

Roosevelt foi reeleito para um terceiro período de governo! O fato constitui uma verdadeira bofetada para Hitler, Ribbentrop e todo o regime nazista. Isso porque, apesar de Willkie ter chegado quase a ultrapassar o Presidente nas suas promessas de trabalhar pela vitória da Grã-Bretanha, os nazistas desejavam ardentemente a vitória do candidato republicano. Na intimidade, os figurões nazistas não faziam nenhum segredo sobre isso, embora Goebbels obrigasse a imprensa a ignorar praticamente as eleições, de forma a não dar aos democratas a vantagem de poder afirmar que os nazistas apoiavam a eleição de Willkie.

[...]

Pelo fato de Roosevelt ser um dos poucos líderes em toda a acepção do vocábulo produzidos pelas democracias desde a última guerra (olhem para a França, vejam a Inglaterra até o advento de Churchill !) e porque ele também sabe ser enérgico, Hitler sempre alimentou um grande respeito pela sua pessoa e até mesmo um certo receio (enquanto admira Stalin pela sua dureza). Uma parte do sucesso de Hitler foi devida ao fato de existirem apenas homens medíocres, como Chamberlain e Daladier, à frente dos destinos das democracias. Fui informado de que desde que abriu mão, durante este outono, do seu plano de invasão da Inglaterra, Hitler passou a encarar Roosevelt cada vez mais como o maior inimigo que encontrou pelo caminho para a conquista do domínio mundial e, mesmo, para a sua vitória na Europa. E não resta a menor dúvida de que tanto ele como seus assassinos depositaram grandes esperanças na derrota do Presidente. [...]
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trad. Alfredo C Machado
RJ, Record
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DIÁRIO DE BERLIM – W SHIRER
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Discurso de Thomas Mann
Deutsche Hörer!” / BBC London

Novembro de 1940

“Ouvintes alemães!

A reeleição de Franklin D. Roosevelt para a presidência dos Estados Unidos é um acontecimento de primeira grandeza, talvez decisivo para o futuro do mundo, e assim também foi sentido pelos europeus que consideravam a eleição e seu resultado como uma questão puramente interna dos americanos. Com razão, os destruidores da Europa e os violadores de todos sos direitos dos povos veem em Roosevelt seu mais poderoso adversário. Ele é o representante da democracia combativa, o verdadeiro defensor de uma nova ideia de liberdade ligada ao social e um estadista que sempre distinguiu claramente paz de conciliação. [...]

[...] Em um discurso particularmente mentiroso e doentio que Hitler proferiu recentemente em sua adega em Munique, ele assegurou a vocês que as mais altas autoridades militares alemãs estão convencidas da vitória. Antes de tudo, é estranho que ele recorra a qualquer alta autoridade que não a dele. Não é ele uma espécie de César, Fredrico, Napoleão e mesmo Carlos Magno em uma só pessoa? Foi isso que os historiadores de rua do nacional-socialismo lhe deram para ler, a ele, o deplorável embusteiro da história. Como pôde abandonar seu papel e recorrer ao julgamento dos generais que seguem suas inspirações? Mas esses generais não são todos cadetes envelhecidos e técnicos imbecis do momento militar. [...]

[...] Por que um punhado de criminosos estúpidos se aproveita do processo de transformação econômica e social que o mundo atravessa para empreender uma campanha de conquista do mundo à maneira de Alexandre, anacrônica e sem sentido? Sim, só por essa razão. E o que deve ser e será o desfecho dessa guerra é algo claro. [...]”
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fonte: “Ouvinte alemães! ; discursos contra Hitler (1940-1945)”
trad. Antonio Carlos dos Santos e Renato Zwick
RJ: Jorge Zahar Ed., 2009
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(nota minha)
O escritor Thomas Mann, ao final deste discurso lido na BBC London, imagina um mundo mais unido – as Nações Unidas – enquanto anima o povo alemão a não ser passivo diante dos criminosos nazistas. Mann esperava que o povo alemão se livrasse do nazismo antes que os Aliados precisassem atacar diretamente a Alemanha.
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Por Leonardo de Magalhaens
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Itália na guerra - norte da África & Grécia








Itália na guerra

(norte da África)
(invasão da Grécia)

O ditador fascista Mussolini resolveu entrar na guerra, em 10 de junho de 1940, ao julgar que a vitória nazista sobre a França e a Grã-Bretanha seria certa e definitiva. Assim as colônias das potências imperialistas poderiam ser mais facilmente conquistadas.

Assim, tropas italianas partiram da colônia da Etiópia (conquistada em 1936) e avançaram rumo a Somália inglesa (situada entre a Somália italiana e o Golfo de Aden, no 'chifre da África') em agosto de 1940, onde o contigente inglês (de 1.500 homens) foi vencido pelas batalhas italianas (cerca de 200 mil soldados). Em 19 de agosto, os ingleses se retiram para Aden, do outro lado do Golfo.

Churchill, o primeiro-ministro britânico, percebeu o perigo do avanço italiano e enviou reforços para o Sudão e o Kênia, que assim se prepararam para contra-atacar qualquer ofensiva italiana. (Tanto que em janeiro/fevereiro de 1941, os ingleses voltariam a recuperar as posições.)

Vejamos um detalhe sobre o início das operações,

“Mussolini tinha grandes esperanças para um ataque contra os ingleses no Egito, pois uma vitória lá desmantelaria a rota marítima vital do Canal de Suez e deixaria os campos de petróleo do Oriente Médio abertos para a conquista. As chances pareciam a seu favor, pois os 250.000 homens no 10º Exército italiano, sob o comando do Marechal Rodolfo Graziani, enfrentaram meros 36.000 soldados ingleses defendendo o Egito. Quando o ataque italiano começou em 13 de setembro, os defensores ingleses, sob o comando geral de Wavell e o comando em batalha do General Richard O'Connor, recuaram para a cidade de Sidi Barrani, onde Graziani interrompeu seu avanço. O comandante italiano tinha motivos para ser precavido – o deserto aberto era reino de operações militares armadas e móveis. Os tanques italianos eram obsoletos em relação aos seus rivais ingleses e estavam em desvantagem numérica de mais de dois para um.”

(fonte: JORDAN, David & WIEST, Andrew. Atlas da II Guerra Mundial. Ed. Escala, 2008. p. 68)

Tendo as forças italiano cessado a ofensiva, passaram a ser sujeitas a um contra-ataque britânico – o que aconteceu no início de 1941, como veremos.
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Quem é Rodolfo Graziani
(em italiano)
http://it.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_Graziani
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Itália fascista invade a Grécia

Em 20 de outubro de 1940, as autoridades gregas receberam um agressivo ultimato do governo fascista italiano, no qual o governo do Duce acusa os gregos de cooperação com os ingleses, o que não se encaixava na declaração de 'neutralidade' grega.

As autoridades gregas interpretam o ultimato como uma intervenção italiana e sabem que uma ação armada será iminente. De fato, em 28 de outubro, tropas italianas começam uma ofensiva a partir do território da Albânia (ocupada em 1939) rumo as montanhas do norte e do noroeste da Grécia.

Trecho interessante, onde mostra que Mussolini quis 'surpreender' Hitler – em clara falta de 'articulação estratégica' entre os cabeças do Eixo.

“No dia 22 de outubro, Mussolini enviou uma carta a Hitler, comunicando-lhe, sem especificar a data do ataque, sua decisão de invadir a Grécia. Dois dias mais tarde, Ribbentrop telefonou urgentemente a Ciano e marcou uma entrevista entre Hitler e o Duce na cidade de Florença. Hitler acabava de conferenciar com Franco e Pétain, com o propósito de obter o apoio espanhol e francês na luta contra a Grã-Bretanha. Não havia, no entanto, obtido nenhum resultado positivo para suas gestões.”

(Fonte: A Segunda Guerra Mundial. “Ofensiva Italiana nos Balcãs” in: “9 – Mussolini: invadam a Grécia” . Ed. Codex, 1965.)

O fracasso da ofensiva italiana

Em 28 de outubro de 1940, partindo de posições na Albânia o avanço italiano (cerca de 220 mil soldados) rompeu a fronteira grega rumo a cordilheira do Pindo – a partir de onde as tropas invasoras passaram a receber violentos contra-ataques dos defensores gregos (parte de um exército de 400 mil homens)

Até 03 de novembro, os defensores conseguem conter a invasão e, em Atenas, é decretada a MOBILIZAÇÃO TOTAL. Os ingleses se posicionam em Creta e outras ilhas do mar Jônico e do mar Egeu. Esquadrilhas da RAF decolam do Egito rumo às bases gregas, de onde podem organizar ataques às bases italianas no Meditêrraneo, além de linhas de comunicação na Albânia. Enquanto isso, o ditador Mussolini convoca os reforços requiridos pelo comandante Badoglio.

É justamente em novembro de 1940, que o ditador alemão Hitler resolve intervir no conflito dos Balcãs – visto a péssima atuação bélica italiana e a intervenção militar inglesa. Assim em abril de 1941 terá início a brutal Operação Marita (Unternehmen Marita) como veremos.
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mais sobre a invasão italiana da Grécia 1940
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=110
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por Leonardo de Magalhaens
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ERRATA (ao texto 'O Japão Militarizado')


Errata

(ao texto "O Japão Militarizado")


Seguiu-se a época da Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) quando os japoneses lutaram contra os chineses no propósito de controle sobre os territórios da atual Coreia. Os japoneses assim se vingavam de agressões anteriores dos chineses (sic) que chegaram a invadir Tokyo em 1853 (o que fez com que os japoneses abrissem os portos para as potências ocidentais). Os nipônicos derrotaram os chineses e a Coreia se tornou autônoma – até a outra invasão japonesa na SGM, após a qual, com a derrota dos nipônicos, foi dividida em Norte e Sul.


Errata: em 1853 não foram os chineses que agrediram o Japão – mas a frota das índias orientais dos EUA, United States Navy's East Indies fleet, com quatro belonaves, comandada pelo Comodoro Mattew C . Perry, em julho (ano 6 da Era Kaei japonesa). Esta agressão ocidental – pois os norte-americanos contavam com a aprovação e o apoio de ingleses e holandeses – foi responsável pela 'abertura' do Japão ao comércio exterior, o que obrigou os japoneses a se 'modernizarem' (até para futuramente lutarem contra os dominadores ocidentais)


fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Kaei



mais sobre o Comodoro Matthew C. Perry

http://en.wikipedia.org/wiki/Matthew_Perry_(naval_officer)#The_Perry_Expedition:_Opening_of_Japan.2C_1852-1854

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Japão X China & Pacto Tripartite (do Eixo)







Japão X China
Pacto Tripartite (
ou do Eixo)

As indisciplinadas tropas japonesas na China acabaram por prolongar o conflito sino-japonês que os Oficiais nipônicos pretendiam ser rápida a ponto de não despertar as resistências dos nacionalistas chineses. Pois então os japoneses precisariam lutar contra nacionalistas e contra comunistas, enquanto temiam um avanço russo-soviético a partir da Sibéria até a Mandchúria.

A rivalidade com os russos era contrabalanceada pela rivalidade com as potências anglo-saxãs, além de imperialistas franceses e holandeses. O Japão pretendia dominar a China e também a Indochina, além das ilhas que hoje constituem a Indonésia - na época: Índias orientais holandesas.

Os militaristas japoneses pretendiam uma nova ordem no sudeste da Ásia, com um nome pomposo de ESFERA DE COPROSPERIDADE e para isso precisariam neutralizar os russos ao norte e enfrentar os 'ocidentais' ao sul. Até porque os nipônicos não poderiam vencer uma 'guerra em duas frentes' – ainda mais quando os conflitos na China se arrastavam e derrubavam 'gabinetes'.
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A crueldade das tropas japonesas na China

O Massacre de Nanking mostrou o quanto os japoneses se mostrariam hostis – e seriam hostilizados – na longa guerra que duraria quase nove anos. Não respeitando a população civil das aldeias e cidades – tal como os alemães fariam depois na Rússia (1941-1944) – os exércitos japoneses não conseguiriam criar os esperados 'governos fantoche' para exercer hegemonia sobre os chineses.
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A Batalha de Xuzhou – março 1938

Após a vitória japonesa em Nanking, as forças republicanas chinesas retraíram para o sudoeste até a que seria a nova capital Chongqing.
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A Batalha de Guangxi do Sul
(ou Battle of South Guangxi) - novembro 1939
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A Batalha do Passo de Kunlun
(ou Battle of Kunlun Pass)
dezembro 1939 – janeiro 1940
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PACTO TRIPARTITE

27 setembro 1940

Sabemos que as nações do Eixo foram aquelas que se atrasaram na 'corrida imperialista', sendo que o Japão começou a se 'modernizar' tecnologicamente na Era Meiji, no final do século 19, enquanto Alemanha e Itália se unificavam enquanto 'Estados-Nação' em torno de 1870-71.

Quando os imperialistas japoneses, alemães e italianos se perceberam atrasados, perceberam que certamente enfrentariam – mais cedo ou mais tarde – os imperialistas britânicos, franceses, holandeses, e norte-americanos.

A importância do PACTO TRIPARTITE ou DO EIXO foi assinalada por alguns historiadores, como demonstram os textos abaixo.

No Diário de Berlim
de William Shirer

BERLIM, 27 de setembro [1940]

“Hitler e Mussolini forneceram outra surpresa. Às 13 horas de hoje na Chancelaria, o Japão, a Alemanha e a Itália assinaram uma aliança militar dirigida contra os Estados Unidos. Fui apanhado pelo acontecimento certo de que Ciano viera a Berlim a fim de conseguir a entrada da Espanha na guerra. Entretanto, Serrano Suñer nem sequer esteve presente à teatral encenação preparada hoje pelos fascistas da Europa e da Ásia. [...]

A alma desse novo pacto é ao artigo III, que reza o seguinte: “A Alemanha, a Itália e o Japão comprometem-se a prestar auxílio mútuo, com todo o seu poderio político, econômico e militar, quando uma das três partes contratantes for atacada por qualquer potência que, neste momento, não esteja envolvida na guerra europeia ou no conflito sino-japonês.”

Existem apenas duas grandes potências que ainda não se encontram envolvidas em nenhuma das duas guerras: a Rússia e os Estados Unidos. Mas o artigo III não se refere à Rússia, e sim o artigo V, que diz: “A Alemanha, a Itália e o Japão afirmam que os termos acima mencionados não afetam de forma alguma, o status quo político atualmente existente entre cada uma das três partes contratantes e a Rússia Soviética.”

Portanto, a União Soviética está fora do jogo. Restam os Estados Unidos. [...]

“Devo acrescentar o seguinte: o artigo I do Pacto Tripartite declara que o Japão reconhece a supremacia da Alemanha e da Itália na criação de uma nova ordem na Europa. O artigo II diz isto: “A Alemanha e a Itália reconhecem a supremacia do Japão para a criação de uma nova ordem no vasto território oriental da Ásia.”
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trad. Alfredo C. Machado / Record, RJ.
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No estudo sobre as atuações do General Tojo nas preliminares da SGM, Alvin D. Coox, destaca o quanto o Ministro da Guerra Tojo se afastava do pacifismo do Primeiro-Ministro Príncipe Konoye – que se demitirá pouco antes do ataque aos EUA, em fins de 1941.

“Os quinze meses de [Hideki] Tojo como Ministro da Guerra foram repletos de tensão. Se o Pacto Tríplice tinha por objetivo estabilizar a situação internacional, claro que se frustrou, pois as relações nipo-americanas se deterioraram perigosamente.” (p. 71)

e tendo percebido antes que

“[O Pacto Tripartido] tornou-se um dos maiores obstáculos para as boas relações entre Estados Unidos e Japão, porque, como até mesmo o Vice-Ministro do Exterior, Ohashi, admitiu a diplomatas americanos, o acordo visava diretamente aos EUA. [...] (p. 63)

trad. Edmond Jorge

COOX, Alvin D. 'Tojo”. Renes, RJ, 1976.
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notícia sobre o Pacto do Eixo
Japão se alia ao Eixo Roma – Berlim
http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=4919
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por Leonardo de Magalhaens
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