quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Itália na guerra - norte da África & Grécia








Itália na guerra

(norte da África)
(invasão da Grécia)

O ditador fascista Mussolini resolveu entrar na guerra, em 10 de junho de 1940, ao julgar que a vitória nazista sobre a França e a Grã-Bretanha seria certa e definitiva. Assim as colônias das potências imperialistas poderiam ser mais facilmente conquistadas.

Assim, tropas italianas partiram da colônia da Etiópia (conquistada em 1936) e avançaram rumo a Somália inglesa (situada entre a Somália italiana e o Golfo de Aden, no 'chifre da África') em agosto de 1940, onde o contigente inglês (de 1.500 homens) foi vencido pelas batalhas italianas (cerca de 200 mil soldados). Em 19 de agosto, os ingleses se retiram para Aden, do outro lado do Golfo.

Churchill, o primeiro-ministro britânico, percebeu o perigo do avanço italiano e enviou reforços para o Sudão e o Kênia, que assim se prepararam para contra-atacar qualquer ofensiva italiana. (Tanto que em janeiro/fevereiro de 1941, os ingleses voltariam a recuperar as posições.)

Vejamos um detalhe sobre o início das operações,

“Mussolini tinha grandes esperanças para um ataque contra os ingleses no Egito, pois uma vitória lá desmantelaria a rota marítima vital do Canal de Suez e deixaria os campos de petróleo do Oriente Médio abertos para a conquista. As chances pareciam a seu favor, pois os 250.000 homens no 10º Exército italiano, sob o comando do Marechal Rodolfo Graziani, enfrentaram meros 36.000 soldados ingleses defendendo o Egito. Quando o ataque italiano começou em 13 de setembro, os defensores ingleses, sob o comando geral de Wavell e o comando em batalha do General Richard O'Connor, recuaram para a cidade de Sidi Barrani, onde Graziani interrompeu seu avanço. O comandante italiano tinha motivos para ser precavido – o deserto aberto era reino de operações militares armadas e móveis. Os tanques italianos eram obsoletos em relação aos seus rivais ingleses e estavam em desvantagem numérica de mais de dois para um.”

(fonte: JORDAN, David & WIEST, Andrew. Atlas da II Guerra Mundial. Ed. Escala, 2008. p. 68)

Tendo as forças italiano cessado a ofensiva, passaram a ser sujeitas a um contra-ataque britânico – o que aconteceu no início de 1941, como veremos.
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Quem é Rodolfo Graziani
(em italiano)
http://it.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_Graziani
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Itália fascista invade a Grécia

Em 20 de outubro de 1940, as autoridades gregas receberam um agressivo ultimato do governo fascista italiano, no qual o governo do Duce acusa os gregos de cooperação com os ingleses, o que não se encaixava na declaração de 'neutralidade' grega.

As autoridades gregas interpretam o ultimato como uma intervenção italiana e sabem que uma ação armada será iminente. De fato, em 28 de outubro, tropas italianas começam uma ofensiva a partir do território da Albânia (ocupada em 1939) rumo as montanhas do norte e do noroeste da Grécia.

Trecho interessante, onde mostra que Mussolini quis 'surpreender' Hitler – em clara falta de 'articulação estratégica' entre os cabeças do Eixo.

“No dia 22 de outubro, Mussolini enviou uma carta a Hitler, comunicando-lhe, sem especificar a data do ataque, sua decisão de invadir a Grécia. Dois dias mais tarde, Ribbentrop telefonou urgentemente a Ciano e marcou uma entrevista entre Hitler e o Duce na cidade de Florença. Hitler acabava de conferenciar com Franco e Pétain, com o propósito de obter o apoio espanhol e francês na luta contra a Grã-Bretanha. Não havia, no entanto, obtido nenhum resultado positivo para suas gestões.”

(Fonte: A Segunda Guerra Mundial. “Ofensiva Italiana nos Balcãs” in: “9 – Mussolini: invadam a Grécia” . Ed. Codex, 1965.)

O fracasso da ofensiva italiana

Em 28 de outubro de 1940, partindo de posições na Albânia o avanço italiano (cerca de 220 mil soldados) rompeu a fronteira grega rumo a cordilheira do Pindo – a partir de onde as tropas invasoras passaram a receber violentos contra-ataques dos defensores gregos (parte de um exército de 400 mil homens)

Até 03 de novembro, os defensores conseguem conter a invasão e, em Atenas, é decretada a MOBILIZAÇÃO TOTAL. Os ingleses se posicionam em Creta e outras ilhas do mar Jônico e do mar Egeu. Esquadrilhas da RAF decolam do Egito rumo às bases gregas, de onde podem organizar ataques às bases italianas no Meditêrraneo, além de linhas de comunicação na Albânia. Enquanto isso, o ditador Mussolini convoca os reforços requiridos pelo comandante Badoglio.

É justamente em novembro de 1940, que o ditador alemão Hitler resolve intervir no conflito dos Balcãs – visto a péssima atuação bélica italiana e a intervenção militar inglesa. Assim em abril de 1941 terá início a brutal Operação Marita (Unternehmen Marita) como veremos.
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mais sobre a invasão italiana da Grécia 1940
http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=110
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por Leonardo de Magalhaens
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ERRATA (ao texto 'O Japão Militarizado')


Errata

(ao texto "O Japão Militarizado")


Seguiu-se a época da Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) quando os japoneses lutaram contra os chineses no propósito de controle sobre os territórios da atual Coreia. Os japoneses assim se vingavam de agressões anteriores dos chineses (sic) que chegaram a invadir Tokyo em 1853 (o que fez com que os japoneses abrissem os portos para as potências ocidentais). Os nipônicos derrotaram os chineses e a Coreia se tornou autônoma – até a outra invasão japonesa na SGM, após a qual, com a derrota dos nipônicos, foi dividida em Norte e Sul.


Errata: em 1853 não foram os chineses que agrediram o Japão – mas a frota das índias orientais dos EUA, United States Navy's East Indies fleet, com quatro belonaves, comandada pelo Comodoro Mattew C . Perry, em julho (ano 6 da Era Kaei japonesa). Esta agressão ocidental – pois os norte-americanos contavam com a aprovação e o apoio de ingleses e holandeses – foi responsável pela 'abertura' do Japão ao comércio exterior, o que obrigou os japoneses a se 'modernizarem' (até para futuramente lutarem contra os dominadores ocidentais)


fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Kaei



mais sobre o Comodoro Matthew C. Perry

http://en.wikipedia.org/wiki/Matthew_Perry_(naval_officer)#The_Perry_Expedition:_Opening_of_Japan.2C_1852-1854

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Japão X China & Pacto Tripartite (do Eixo)







Japão X China
Pacto Tripartite (
ou do Eixo)

As indisciplinadas tropas japonesas na China acabaram por prolongar o conflito sino-japonês que os Oficiais nipônicos pretendiam ser rápida a ponto de não despertar as resistências dos nacionalistas chineses. Pois então os japoneses precisariam lutar contra nacionalistas e contra comunistas, enquanto temiam um avanço russo-soviético a partir da Sibéria até a Mandchúria.

A rivalidade com os russos era contrabalanceada pela rivalidade com as potências anglo-saxãs, além de imperialistas franceses e holandeses. O Japão pretendia dominar a China e também a Indochina, além das ilhas que hoje constituem a Indonésia - na época: Índias orientais holandesas.

Os militaristas japoneses pretendiam uma nova ordem no sudeste da Ásia, com um nome pomposo de ESFERA DE COPROSPERIDADE e para isso precisariam neutralizar os russos ao norte e enfrentar os 'ocidentais' ao sul. Até porque os nipônicos não poderiam vencer uma 'guerra em duas frentes' – ainda mais quando os conflitos na China se arrastavam e derrubavam 'gabinetes'.
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A crueldade das tropas japonesas na China

O Massacre de Nanking mostrou o quanto os japoneses se mostrariam hostis – e seriam hostilizados – na longa guerra que duraria quase nove anos. Não respeitando a população civil das aldeias e cidades – tal como os alemães fariam depois na Rússia (1941-1944) – os exércitos japoneses não conseguiriam criar os esperados 'governos fantoche' para exercer hegemonia sobre os chineses.
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A Batalha de Xuzhou – março 1938

Após a vitória japonesa em Nanking, as forças republicanas chinesas retraíram para o sudoeste até a que seria a nova capital Chongqing.
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A Batalha de Guangxi do Sul
(ou Battle of South Guangxi) - novembro 1939
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A Batalha do Passo de Kunlun
(ou Battle of Kunlun Pass)
dezembro 1939 – janeiro 1940
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PACTO TRIPARTITE

27 setembro 1940

Sabemos que as nações do Eixo foram aquelas que se atrasaram na 'corrida imperialista', sendo que o Japão começou a se 'modernizar' tecnologicamente na Era Meiji, no final do século 19, enquanto Alemanha e Itália se unificavam enquanto 'Estados-Nação' em torno de 1870-71.

Quando os imperialistas japoneses, alemães e italianos se perceberam atrasados, perceberam que certamente enfrentariam – mais cedo ou mais tarde – os imperialistas britânicos, franceses, holandeses, e norte-americanos.

A importância do PACTO TRIPARTITE ou DO EIXO foi assinalada por alguns historiadores, como demonstram os textos abaixo.

No Diário de Berlim
de William Shirer

BERLIM, 27 de setembro [1940]

“Hitler e Mussolini forneceram outra surpresa. Às 13 horas de hoje na Chancelaria, o Japão, a Alemanha e a Itália assinaram uma aliança militar dirigida contra os Estados Unidos. Fui apanhado pelo acontecimento certo de que Ciano viera a Berlim a fim de conseguir a entrada da Espanha na guerra. Entretanto, Serrano Suñer nem sequer esteve presente à teatral encenação preparada hoje pelos fascistas da Europa e da Ásia. [...]

A alma desse novo pacto é ao artigo III, que reza o seguinte: “A Alemanha, a Itália e o Japão comprometem-se a prestar auxílio mútuo, com todo o seu poderio político, econômico e militar, quando uma das três partes contratantes for atacada por qualquer potência que, neste momento, não esteja envolvida na guerra europeia ou no conflito sino-japonês.”

Existem apenas duas grandes potências que ainda não se encontram envolvidas em nenhuma das duas guerras: a Rússia e os Estados Unidos. Mas o artigo III não se refere à Rússia, e sim o artigo V, que diz: “A Alemanha, a Itália e o Japão afirmam que os termos acima mencionados não afetam de forma alguma, o status quo político atualmente existente entre cada uma das três partes contratantes e a Rússia Soviética.”

Portanto, a União Soviética está fora do jogo. Restam os Estados Unidos. [...]

“Devo acrescentar o seguinte: o artigo I do Pacto Tripartite declara que o Japão reconhece a supremacia da Alemanha e da Itália na criação de uma nova ordem na Europa. O artigo II diz isto: “A Alemanha e a Itália reconhecem a supremacia do Japão para a criação de uma nova ordem no vasto território oriental da Ásia.”
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trad. Alfredo C. Machado / Record, RJ.
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No estudo sobre as atuações do General Tojo nas preliminares da SGM, Alvin D. Coox, destaca o quanto o Ministro da Guerra Tojo se afastava do pacifismo do Primeiro-Ministro Príncipe Konoye – que se demitirá pouco antes do ataque aos EUA, em fins de 1941.

“Os quinze meses de [Hideki] Tojo como Ministro da Guerra foram repletos de tensão. Se o Pacto Tríplice tinha por objetivo estabilizar a situação internacional, claro que se frustrou, pois as relações nipo-americanas se deterioraram perigosamente.” (p. 71)

e tendo percebido antes que

“[O Pacto Tripartido] tornou-se um dos maiores obstáculos para as boas relações entre Estados Unidos e Japão, porque, como até mesmo o Vice-Ministro do Exterior, Ohashi, admitiu a diplomatas americanos, o acordo visava diretamente aos EUA. [...] (p. 63)

trad. Edmond Jorge

COOX, Alvin D. 'Tojo”. Renes, RJ, 1976.
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notícia sobre o Pacto do Eixo
Japão se alia ao Eixo Roma – Berlim
http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=4919
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por Leonardo de Magalhaens
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Japão militarizado







O Japão militarizado

Após a industrialização japonesa no fim do século 19 – Era Meiji – para se opor ao imperialismo ocidental (e também a expansão chinesa) os líderes japoneses centralizaram as forças armadas – afastaram o poderio dos Samurais e dos senhores feudais – e criaram um Exército Imperial Japonês, o que levou a um movimento de militarização.

Os militares – antes chamados Xoguns – passaram a exercer um grande poder – não apenas estratégico – quando o assunto era 'economia de guerra' – de modo que o Imperador não era exatamente um poder absoluto. Os militares assumiram o poder em várias áreas da cultura japonesa com o propósito de criar uma 'potência' primeiramente defensiva, e depois ofensiva. O Japão temia e invejava o Ocidente.

Primeiramente com treinamento francês – depois alemão (após a vitória dos germânicos em 1871 ) - o novo exército japonês ainda contava com vários Samurais, que agora eram ali os oficiais – assim como o Exército Vermelho em 1920 aceitaria muitos oficiais do Exército Czarista (derrotado em 1918-20) durante a guerra civil russa entre Comunistas e Reacionários (os 'Brancos') – é o novo obrigado a conviver com o antigo.

Seguiu-se a época da Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) quando os japoneses lutaram contra os chineses no propósito de controle sobre os territórios da atual Coreia. Os japoneses assim se vingavam de agressões anteriores dos chineses que chegaram a invadir Tokyo em 1853 (o que fez com que os japoneses abrissem os portos para as potências ocidentais). Os nipônicos derrotaram os chineses e a Coreia se tornou autônoma – até a outra invasão japonesa na SGM, após a qual, com a derrota dos nipônicos, foi dividida em Norte e Sul.

Depois foi a vez de enfrentar os russos na guerra Russo-Japonesa de 1904-05, quando os russos se viram derrotados num conflito que se estendeu além do programado. Tal desgraça das forças russas – que sofreram 70 mil baixas - causou revoltas na Rússia e ocasiou a primeira etapa da Revolução Russa em 1905, quando vários Soviets (comitês de operários) foram organizados, enquanto algumas forças ainda procuravam convencer o Czar, mas foram massacradas – ver o Domingo Sangrento (9 ou 22 de janeiro de 1905, de acordo com o calendário). O Japão mostrou força – e voltou a incomodar os russos em 1938-39, na Manchúria, onde foram os japoneses foram derrotados pelas forças soviéticas comandadas pelo talentoso general Zhukov (Jukov), na Batalha de Kalkin-Gol .
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Segunda Guerra Sino-Japonesa - 1937-1945

Como vimos em ensaio anterior, o interesse japonês em ocupar territórios e recursos minerais do extenso país – a China – com tropas apoiando regimes 'fantoches', uma vez que seria praticamente impossível dominar toda a extensão – e ao mesmo tempo que 'colonizá-la'.

Mas já vimos como o exército japonês de ocupação se mostrou extremamente cruel e homicida, totalmente indisciplinado a ponto de incomodar os próprios planos dos militares japoneses.
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Ao contrário dos oficiais, que eram extremamente disciplinados e severos, os recrutas japoneses eram em maioria de classe baixa urbana ou humildes camponeses, que se individualmente eram apagados, modestos, sem personalidade - como vemos na cultura oriental onde o indivíduo não é o importante, mas a tradição e/ou o coletivo – mas em grupo (num batalha, numa invasão, por exemplo) os soldados japoneses eram desregrados em violência. O anonimato da turba – ou horda – fazia com que nem os oficiais tivessem controle sobre as ações facínoras das tropas.

Assim aconteceu o terrível e sanguinário MASSACRE DE NANKING – durante a batalha em dezembro/1937 a janeiro/1938, após a primeira grande batalha – Batalha de Xangai – de agosto a novembro de 1937.
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Na mesma Xangai onde os comunistas foram traídos e massacrados pelas forças nacionalistas do poderoso Chiang Kai-Chek em abril de 1927, após o que os comunistas se tornaram inimigos irreconciliáveis e se retiram para as áreas rurais, onde reorganizaram a resistência – na Longa Marcha de Mao Zedong (que somente chegaria ao poder em 1949, após derrotar japoneses e nacionalistas chineses)

A portuária Xangai é o cenário do clássico do escritor francês André Maulraux, “A Condição Humana”, de 1933 (o ano no qual Hitler subiu ao poder na Alemanha) onde mostra os antagonismos entre nacionalistas e comunistas chineses – às vésperas das agressões japonesas (que por algum momento seriam o 'inimigo comum')




continua...




Leonardo de Magalhaens




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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

política durante a Battle of Britain (sept 1940)


















setembro 1940

Vejamos alguns trechos de obras abordando a política (e os bastidores)
durante a Battle of Britain / Batalha da Grã-Bretanha

fonte: FEST, Joachim. “Hitler” Livro VII – cap. I (pp. 757-59)

“As tergiversações de Hitler não se deviam unicamente ao fato de que suas relações com a Inglaterra se encontravam mais ou menos influenciadas por seus complexos; na verdade, outra ideia fundamental desempenhava papel importante: a da resistência organizada por Churchill. Que uma potência dotada de numerosos e vastos pontos de retirada possíveis, no além-mar, dispunha assim de múltiplas possibilidades de consolidar sua situação, de sorte que a conquista eventual da mãe-pátria não significaria obrigatoriamente sua derrota: que a Inglaterra podia, do Canadá,por exemplo, arrastar a Alemanha, de maneira cada vez mais irreversível, a um conflito de condições desfavoráveis, e, afinal de contas, enredá-la numa guerra, tão temida, contra os Estados Unidos – esses pensamentos não deixavam de inquietá-lo. E ainda admitia que, se conseguisse destruir o Império Britânico, não seria a Alemanha a verdadeira beneficiaria disso, explicou ele numa conversa, a 13 de julho de 1940, mas sim “o Japão, a América e outros”. [fonte de FEST: “Diário de Guerra” do General Halder] Em outros termos, todo agravamento de sua discórida com a Inglaterra minava sua própria posição. Desse modo, não só razões sentimentais, mas também motivos politicos, em lugar de impedi-lo a provocar a derrota da Inglaterra, levaram-no antes a procurar sua colaboração. (...)

Era a edificação desse sonho [colaboração britânica para a grande marcha alemã para o leste] que devia servir, no plano militar, o 'cerco' das ilhas britânicas pela frota submarina alemã, assim como – e principalmente – a guerra aérea contra a Inglaterra. O paradoxo dessa concepção se traduziu na curiosa falta de entusiasmo com que Hitler presidiu à montagem dos diversos elementos necessários a esse combate: surdo às sugestões apresentadas insistentemente pelas autoridades militares, não estava disposto a considerar uma 'guerra total' aérea ou marítima. A legendária Battle of Britain começou a 13 de agosto de 1940 (Adlertag – Dias das águias), com uma primeira ofensiva maciça contra os aeroportos e as estações de radar britânicas da costa sul; foi necesssário interrompê-la a 16 de setembro, em razão das más condições atmosféricas e depois de pesadas perdas, sem que a Luftwaffe tivesse atingido os objetivos fixados: nem o potencial industrial inglês tinha sido perturbado, nem o moral da população fora minado, nem também os alemães tinham conseguido a superioridade aérea. E, embora alguns dias antes, o Almirante Raeder tivesse anunciado que a Marinha estava preparada para a operação de desembarque, Hitler adiou esse empreendimento 'para mais tarde'. Instruções do OKW, datadas de 12 de outubro, especificavam que “de agora em diante, até a próxima primavera, os preparativos de desembarque na Inglaterra deviam ser explorados unicamente como um meio de pressão política e militar contra a Inglaterra”. Renunciava-se à operação Seelöwe.”
[...]

“A grande coalização continental devia englobar a Europa inteira e compreender a União Soviética, a Espanha, Portugal e a França de Vichy. Ao mesmo tempo, elaboravam-se planos para atacar a Grã-Bretanha pelos flancos, retornar o combate no Mediterrâneo, apoderar-se desses dois bastiões britânicos, Gibraltar e o Canal de Suez, desfechando assim um golpe fatal na situação imperial da Inglaterra na África do Norte e na Ásia Menor. Outros projetos, desenvolvidos paralelamente, tinha, como objetivo a ocupação das Canárias, das ilhas portuguesas de Cabo Verde, bem como dos Açores e da Madeira; houve contatos com o Governo de Dublin, com vistas a uma aliança com a Irlanda, o que teria proporcionado ao Reich novas bases aéreas contra a Inglaterra.”

trad. A. L. Teixeira Ribeiro, et alli.

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Fonte: LUKACS, John. “O Duelo Churchill X Hitler” (cap. VII, pp. 198-201)
(VII - cinquenta anos depois)

“Em 17 de setembro de 1940 Hitler, após vários adiamentos, ordenou a suspensão indefinida da Operação Leão-Marinho. Churchill não soube disso, mas tinha muitos motivos para suspeitá-lo. Naquele dia, ele e a esposa se haviam mudado para o Anexo, em Storey's Gate. Protegidos pelas portas corrediças de aço durante os ataques aéreos, pasariam ali as noites da semana durante a maior parte da guerra, embora ele preferisse ficar o máximo possível em Downing Street, 10. (Nessa época, o Gabinete de Guerra também se reunia na Sala de Guerra subterrânea.)

Tanto Churchill quanto Hitler se instalavam para uma guerra longa. Essa guerra Hitler poderia não vencer no fim. Mas esse fim estava distante. Um homem aparecera no caminho de Hitler para vencer o tipo de guerra que ele projetara e esse homem não estava sozinho. De certo modo o duelo entre ambos prosseguiu, mas as condições e circunstâncias não eram mais as mesmas. [...]

“Em uma escala mais ampla e mais prolongada, o duelo entre Hitler e Churchill prosseguiu no ar. Ambos superestimaram a eficácia do bombardeio. Hitler verificara isso em setembro de 1940. já em julho de 1940 Churchill achava que, com o tempo, o bombardeio maciço de fábricas e cidades alemãs teria de causar a derrota de Hitler, que era “o único caminho seguro” para a vitória. “Não temos nenhum exército continental que possa derrotar a potência militar alemã”, disse ele a Beaverbrook em 8 de julho. À medida que a guerra prosseguia, o respeito de Churchill pela capacidade combativa do exército alemão crescia cada vez mais. Ele também verificou que o bombardeio de saturação das cidades alemãs era, na melhor das hipóteses, um meio secundário para vencer a guerra, não o meio decisivo. [...]

“O principal e mais minucioso relato do planejamento da Operação Leão-Marinho é o do alemão Karl Klee, que escreveu na introdução dos dois maciços volumes [nota: a obra “A Tragédia”] : “A tragédia que estava por vir é que os britânicos, que se concentravam somente no adversário imediato, estavam prontos a aceitar qualquer parceiro – o que significa também a União Soviética – naquela guerra. [Os britânicos] não previram que essa orientação levaria somente à substituição de uma Alemanha forte pelo poder esmagador da Rússia.” Esse raciocínio – que equivale, em essência, a uma espécie de indignação seletiva – atrai algumas pessoas ainda hoje e não só na Alemanha. Sou obrigado a corrigi-lo aqui. Não era só que sem aquele “parceiro” os britânicos não poderiam esperar vencer. Aquele “parceiro” foi forçado a uma aliança com a Grã-Bretanha pelo próprio Hitler. [nota minha: quando as tropas alemãs invadiram a URSS em 22 de junho de 1941] É também que Churchill viu a opção com clareza: ou toda a Europa dominada pela Alemanha, ou – na pior das hipóteses – a metade leste da Europa dominada pela Rússia; e metade da Europa era melhor do que nada.”

[...]

(pp. 198-201)

trad. Cláudia Martinelli Gama
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LdeM
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Setembro 1940 no Diário de Shirer






Do
Diário de Berlim
William Shirer

BERLIM, 7 de setembro [1940]

No decorrer da noite passada tivemos o maior e o mais eficaz de todos os bombardeios aéreos da guerra. Nestes últimos dias os alemães trouxeram numerosas baterias de flaks para Berlim, e assim ontem à noite abriram um fogo de barragem formidável contra os ingleses, embora não conseguissem abater um só aparelho da RAF.

Desta vez os ingleses estavam com pontaria muito melhor. Quando regressei da Rundfunk pouco depois das 3 da madrugada, o céu, sobre a zona norte-central da cidade, estava avermelhado pelo clarão de dois grandes incêndios. O maior deles foi o que se registrou nos armazéns de cargas da estação ferroviária de Lehrter. Outra gare ferroviária, a de Schussendorfstrasse, também foi atingida. E, segundo me infirmaram, uma fábrica de borracha sintética foi destruída pelas chamas.

Apesar disso, o Alto Comando diz o seguinte no seu comunicado de hoje: “No decorrer da noite passada os aviões inimigos voltaram a atacar a capital alemã, ocasionando alguns danos a pessoas e propriedades, em conseqüência do bombardeio indiscriminado de objetivos não-militares, situados em pleno coração da cidade. Como represália, a Luftwaffe começou a atacar Londres em grandes formações”.


Nem o menor indício, em Berlim – e o povo alemão nada sabe sobre o assunto – de que no decorrer destas duas últimas semanas os pilotos alemães vem atirando as suas bombas sobre o centro de Londres. Ainda hoje, os meus censores avisaram-se que não tocasse nesse assunto. Aparentemente devem existir alguns alemães que ouvem as minhas irradiações, captando-as da própria emissora alemã que as retransmite em ondas curtas para Nova York, pois, uma vez que se trata se uma estação nazista, não há nenhuma punição para que a sintoniza.

O comunicado do Alto Comando, inegavelmente imposto pelo próprio Hitler – que várias vezes toma parte na redação dos comunicados oficiais do Exército – sustenta deliberadamente a mentira de que a Alemanha somente se resolveu a bombardear Londres em conseqüência dos ataques que os ingleses desfecharam primeiro contra Berlim. E o povo alemão acreditará em mais essa mentira, da mesma forma que acredita em quase tudo o que lhe dizem atualmente. É inegável que nos tempos modernos – desde que a imprensa, e mais tarde o rádio, tornaram teoricamente possível para a grande massa da humanidade conhecer o que se passava no mundo – nunca um povo foi tão mal informado, tão inescrupulosamente enganado, como os alemães o são sob o atual regime.

[...]



O povo alemão não tem a menor noção – porque a imprensa e a rádio nazistas têm suprimido cuidadosamente todas as notícias sobre isso – de que somente em agosto mais de mil civis ingleses foram mortos pelos ataques da Luftwaffe sobre os seus “objetivos militares”.

[...]


BERLIM, 18 de setembro

[...]

Hoje à noite, Ribbentrop partiu inesperadamente para Roma. São muitas as explicações dadas ao caso. A minha é esta: foi levar a Mussolini a notícia de que não se fará nenhuma tentativa de invasão da Inglaterra durante este outono. Esta revelação é de molde a colocar o Duce em maus lençóis, uma vez que as suas tropas já lançaram uma ofensiva no Egito e avançaram cerca de 160 quilômetros no deserto, convergindo sobre Sidi-el-Barrani. Mas, segundo parece, esse esforço italiano foi primitivamente planejado com o fito único de distrair a atenção inglesa da invasão alemã contra as suas ilhas. Agora começa a parecer (embora eu ainda acredite que Hitler possa vir a tentar a invasão) que a guerra neste inverno vai ser transportada para o Mediterrâneo, onde as potências do Eixo tentarão desfechar um golpe mortal no Império Britânico, com a conquista do Egito, do Canal de Suez e da Palestina. Napoleão conseguiu realizar essa campanha no passado, e o golpe não destruiu o Império Britânico (Napoleão tentou também a invasão, concentrando as suas barcaças e navios exatamente no mesmo local em que Hitler reuniu os seus, apesar de nunca ter ousado desfechar o golpe). No entanto, agora a conquista do Canal de Suez pode destruir o Império. O motivo da presença em Berlim do braço-direito do Generalíssimo Franco, Serrano Suñer, é que Hitler deseja que o caudilho ataque Gibraltar com as suas próprias forças ou consinta na passagem das tropas alemãs através de território espanhol, vindas da França, para realizar essa tarefa. Ouço muitos comentários sobre a divisão da África entre a Alemanha e a Itália, dando à Espanha uma grande área de território desde que Franco concorde com o que lhe exigem.

[...]


BERLIM, 22 de setembro

[...]

Ribbentrop está de volta de sua viagem a Roma e a imprensa dá a entender que agora está definitivamente resolvida a ‘fase final’ da guerra. Rudolf Kircher, redator-chefe do Frankfurter Zeitung, escrevendo de Roma, diz que a situação militar é de tal forma favorável ao Eixo que, na realidade, Ribbentrop e o Duce passaram a maior parte do tempo estabelecendo os planos para a ‘nova ordem’ na Europa e na África. Essa declaração pode ser de molde a fazer com que o povo alemão se sinta um pouco melhor, mas a maior parte dos alemães com quem converso já está começando, pela primeira vez, a perguntar por que motivo ainda não foi realizada a invasão da Inglaterra. Mostram-se ainda confiantes de que a guerra acabe antes do Natal. No entanto, apenas há quinze dias esperavam o fim da guerra para antes do inverno, que já terá chegado dentro de um mês. Ganhei todas as apostas que fiz com os funcionários e jornalistas nazistas sobre a data em que a suástica devia drapejar aos ventos de Trafalgar Square: agora devo receber deles – ou devia – quantidade suficiente de champanha para passar todo o inverno. Ainda hoje, quando sugeri a alguns deles outra pequena aposta, proporcionando-lhes a oportunidade de reaver o que perderam, não acharam nenhuma graça no caso. Nem quiseram apostar coisa alguma.

Os correspondentes alemães em Roma anunciaram hoje que a Itália está descontente com a Grécia e que os ingleses estão violando a neutralidade das águas gregas, tal como já o fizeram anteriormente na Noruega. Isso está-me cheirando mal. Desconfio de que a Grécia será a próxima vítima.

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Do
Diário de Berlim
William Shirer
Trad. Alfredo C Machado
Ed. Record







LdeM




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sábado, 4 de setembro de 2010

Batalha da Grã-Bretanha - setembro 1940






Batalha da Grã-Bretanha

Setembro 1940

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Na tentativa de convencer o governo britânico a negociar, após o final das hostilidades no continente europeu, após a derrota do exército francês, em junho de 1940, o Führer Adolf Hitler ameaçava ainda a Grã-Bretanha com um pesado ataque aéreo em preparativo para uma possível invasão por tropas.
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Após o bombardeio – dito acidental – de áreas de London / Londres, a RAF passou a atacar igualmente alvos civis na grande Berlim, o que levou a uma escalada de ataques e contra-ataques que não paralisava a produção militar, mas vitimava a população civil desarmada e desprotegida.
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Em 4 de setembro, Hitler ordenou ataques maciços sobre a capital britânica – ‘para arrasar o moral do inimigo’ – pois o ditador ainda tinha esperanças de ‘negociar’ com os britânicos e assim evitar a guerra em duas frentes (afinal de contas, o interesse dos nazistas era ‘colonizar’ a Europa do Leste, as riquezas da Ucrânia e Rússia).
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Enquanto isso a propaganda oficial continua enganando os cidadãos alemães – principalmente de Berlim – ao alegar que a capital seria protegida contra os ataques da RAF. A imprensa oficial nazista não hesita em denominar dos ingleses de ‘os piratas’ que matavam crianças alemãs. Enquanto silenciava sobre os ataques contra as crianças de Londres.
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Justamente por causa destes ataques, houve um incentivo para que as crianças londrinas fossem enviadas para pequenas cidades, aldeias e fazendas nas áreas rurais, no interior do país, e até nas regiões do norte (Escócia). Assim ao menos as crianças poderiam ser afastadas do inferno da guerra aérea. Os adultos – e as equipes de segurança, incluindo combate ao fogo, e reconstrução, bem como preparação de abrigos – se mantinham na capital, e - diferente do que esperava o ditador alemão - o moral dos londrinos não caiu.
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Abrigados em estações de metrô, em subterrâneos, em adegas, os londrinos souberam confiar na força aérea que, mesmo reduzida, conseguia defender a atacar. Ataques não tão ‘grandiosos’ como aqueles da Luftwaffe – que podia decolar da costa francesa, com caças em apoio a bombardeios – pois a distância até Berlim não permitia aos bombardeios da RAF o apoio de caças.
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Lembrar que nessa luta aérea não apenas pilotos ingleses se destacaram mas também pilotos de outros países da Comunidade britânica (Commonwealth), tais como canadenses, sul-africanos, australianos, neozelandeses, além de aliados, os franceses, poloneses, tchecos, etc. Não apenas de aeronaves precisava a RAF, mas também de pilotos. Os que não morriam, eram aprisionados pelos alemães.

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A superioridade aérea alemã ainda era notável – até meados de 1942, como veremos – mas não eram tão bem coordenada como poderíamos pensar. A vaidade do comandante da Luftwaffe , Goering, como todo autocrata que se preze, não permitia ouvir sugestões de subalternos, de comandantes de outras armas (a coordenação com a Marinha , por exemplo, era péssima. Como fazer então um desembarque anfíbio?)

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A invasão, aliás, para alguns historiadores, é vista apenas como uma ameaça permanente. Outros – como William Shirer – alegam que até 15 de setembro haveria a tentativa de uma invasão – com desembarque de tropas – mas as defesas britânicas impediram. Não descreve a dimensão desta ‘força de invasão’, apenas relata que vários soldados foram internados com queimaduras terríveis. Se soldados – e não pilotos – sofreram ferimentos, rumo ao Canal da Mancha, onde aconteciam os confrontos, é porque o Exército já embarcara tropas. O problema seria chegar ao outro lado. Sem ‘abafar’ a força aérea britânica, não seria possível o deslocamento das embarcações – a Marinha alemã não ousaria tanto.


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Aos ataques contra as cidades – de ambos os lados – estão fartamente documentadas e disponíveis na internet. Mas ainda não deixavam imaginar o que seria uma ‘guerra total’ – o ataque às cidades e aldeias russas, e o ‘bombardeio estratégico’ dos aliados, após 1942. É assim que se assegura a validade do ditado, “quem tem teto de vidro, que não atire pedras.” Na guerra entre os governos imperialistas, quem sofre as consequências é a população civil, o povo, o refém de sempre.



Por Leonardo de Magalhaens




Mais info em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_da_Gr%C3%A3-Bretanha

http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Britain
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