sábado, 14 de agosto de 2010

A RAF defende a Grã-Bretanha







Agosto 1940

Battle of Britain
Batalha da Grã-Bretanha

A RAF defende a Grã-Bretanha
Em 13 de agosto desencadeou-se o “Ataque das Águias” que foi contido por forte sistema defensivo britânico, com o uso de radares de baixo e longo alcance, em bases instaladas ao longo do litoral sul e sudeste das Ilhas Britânicas.

Os pouco mais de 700 aviões da RAF puderam causar incômodo aos mais de 2 mil aparelhos alemães – numa luta desigual, mas que porovu a superioridade de manobras dos caças ingleses contra a complexidade paquidérmica dos bombardeiros da Luftwaffe.

Em 15 de agosto, três frotas aéreas alemães decolaram em ataque conjunto contra as forças inglesas, com alvos marcados – torres, pontes, bases, hangares – enquanto se 'defendiam' das defesas inglesas, quando os pilotos da RAF conseguiam separar nos ares as formações de caças e bombardeiros alemães. (Os bombardeiros - sem cobertura de caças – são mais vulneráveis...)
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trechos do
Diário de Berlim
William Shirer
trad. Alfredo C. Machado

CALAIS, 15 de agosto (meio-dia)

MAIS TARDE -Enquanto almoçamos, aqui em Calais, ouvimos o roncar dos motores dos aviões que constituem a primeira vaga de assalto da Luftwaffe dirigindo-se para a ionglaterra. Voam a uma altura tão grande que dificilmente se consegue avistá-los – pelo menos a 4.000 metros. Consigo contar ao todo 23 aparelhos de bombardeio, sobre os quais voa um verdadeiro enxame de caças Messerschmidt; a atmosfera está inteiramente clara. Vai ser ótimo dia para os pilotos. [...]

Por volta das 18 horas divisamos 60 aviões de bombardeio – Heikel e Junkers-82 – protegidos por uma formação de uns cem Messerschmitts, voando a grande altura, rumo a Dover. Dentro de minutos podemos ouvir distintamente o troar da artilharia inglesa em torno da cidade, fazendo fogo contra os alemães. A julgar pelo troar do canhoneio,os ingleses devem possuir grande número de flaks de grosso calibre. Ouvimos também outro rumor, este mais profundo, que um dos oficiais supôs ser o da explosão de bombas aéreas. Dentro de uma hora, aquilo que nos dá impressão de ser a mesma formação de bombardeios vem regressando à sua base. Podemos contar apenas 18 aparelhos, dos 60 que passaram pouco antes. Teriam os ingleses abatido os demais? É difícil dizê-lo, pois sabemos que, em geral, os pilotos alemães têm ordem de regressar a bases diferentes daquelas de onde partiram. Parece que o motivo principal que levou o Comando a adotar essa prática é o de impedir que os próprios pilotos venham a conhecer as perdas sofridas.
(...)

BRUXELAS, 16 de agosto

MAIS TARDE -(duas da madrugada) – Só agora é que vou para a cama e os canhões antiaéreos alemães continuam a troar, visando os bombardeios da RAF. O canhoneio começou pouco depois da meia-noite. Não consigo sentir nem ouvir a explosão de bombas aéreas. Desconfio de que os ingleses estão procurando bombardear o aeroporto.

William Shirer
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Em 20 de agosto, Churchill faz outro discurso que ficou célebre, ao elogiar a atuação da RAF nos teatros de operações, sobre os campos de batalha, na cobertura da retirada nas praias de Dunkirk, ou seja, a exaltação dos 'poucos' que salvaram uma Nação inteira.

Pois se a RAF fosse facilmente derrotada, não haveria impedimentos para a real invasão das tropas alemãs aos litorais da Grã-Bretanha em fins de agosto até meado de setembro.
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Churchill Speech The Few (os poucos)
“Nunca no âmbito do conflito humano tanto foi devido por muitos a tão poucos. Todos os corações vão para os pilotos combatentes, cujas brilhantes ações nós vemos (...)

Never in the field of human conflict was so much owed by so many to so few. All hearts go out to the fighter pilots, whose brilliant actions we see (...)
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Então, de 24 para 25 de agosto algo novo aconteceu. Os alemães sempre disseram ter sido um 'erro', um acidente, o bombardeio de áreas civis em Londres. Além do bombardeio de áreas portuárias na metrópole inglesa, outras áreas de habitação civil foram atingidas. O alegado 'acidente' foi proclamado, pois o Comando alemão não havia decido por atacar alvos civis. Mas os ingleses nunca acreditaram nisso.

Assim, em 25 para 26, aconteceu a represália inglesa. Os aviões da RAF bombardearam a capital alemã, Berlim. Que finalmente sentiu a guerra – a mesma guerra que levava as forças armadas nazistas aos outros países europeus! Com tais ataques se desviando para as capitais, e o povo, os alvos militares ficaram para segundo plano...! Portos, depósito, antenas, hangares, foram deixados de lado, o que deu tempo para a RAF providenciar uma reação após pronta reconstrução, rearmamento de grupos de combate.

Uma 'escalada' de ataques e retaliação que vitimam as populações civis – é o horror de Londres, Coverty, Berlim, Hamburg, Cologne (Köln), Dresde, Hiroxima, Nagasaki, ... Sempre sem escrúpulos e visando abalar o 'moral' do inimigo...

27 de agosto é a data marcada para a invasão da Grã-Bretanha, Operation Sealion, Operação Leão-Marinho, mas o Führer esperava desmoralizar o governo inglês, e assim começar as negociações, o que adiaria a 'invasão' – afinal, a invasão era somente ameaça?

Um fato inesperado, entretanto, salvou as [bases] inglesas da derrota iminente. Na noite de 24 de agosto 170 bombardeiros alemães cruzaram o canal, afim de completar a destruição causada pelos ataques diurnos. Um grupo de aviões se desviou de seu rumo por causa de um erro de navegação e lançou suas bombas em pleno coração de Londres. Os ingleses consideraram que o ataque havia sido intencional e resolveram devolver o golpe. Na noite seguinte, 81 bombardeiros da RAF se internaram na Alemanha e, de surpresa, bombardearam Berlim. O ataque inglês provocou em Hitler uma reação colérica. A 2 de setembro, depois que a RAF tinha realizado novas incursões sobre Berlim, o ditador ordenou a Goering que desfechasse sobre Londres uma ofensiva de represália. Dois dias mais tarde, pronunciou um violento discurso e anunciou que varreria as cidades inglesas da superfície da Terra.
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(fonte: Segunda Guerra Mundial, Ed. Codex, 1965.)

A atacar Londres, os líderes alemães acabaram 'salvando' as bases da RAF – o que possibilitou uma pausa para reconstrução e contra-ataque.

“O dia 10 de julho, quando se iniciaram os ataques contra a navegação no Canal da Mancha é aceito convencionalmente como início da Batalha da Inglaterra; seu auge ocorreu em 15 de agosto, quando a Luftwaffe realizou o esforço máximo da campanha – 1.786 surtidas – tentando aniquilar o Comando de Caças. O dia 15 de setembro assinada, de forma decisiva, o fim da Batalha da Inglaterra. Convém lembrar que Churchill, naquela data, passou o dia inteiro no quartel-general do Grupo de Caças; o alívio que sentiu está gravado em sua lembrança:


“Já eram 16h30 min quando regressei a Chequers: fui imediatamente para a cama, tirar a soneca da tarde. Eu devia estar muito fatigado pelo drama vivido no II Grupo, pois só acordei às 20 horas. Quando toquei a campainha, John Martin, meu principal secretário particular, entrou, trazendo o boletim vespertino com notícias do mundo inteiro. Aqui algo não correra bem; lá houvera algum retardamento; fulano respondera de forma insatisfatória; registraram-se inúmeros afundamentos no Atlântico. “Entretanto”, disse Martin, para finalizar a exposição, “tudo isto foi compensado pela atividade aérea. Derrubamos 183 aviões e perdemos menos de 40”.


Na realidade não haviam sido destruídos 183 aviões alemães (conforme foi divulgado imediatamente) mas apenas 60, com a perda de 26 aviões ingleses e 13 pilotos do Comando de Caças. Mas era o suficiente; o alívio instintivo de Churchill era plenamente justificável pois, no dia 17 de setembro, Hitler adiou a operação Leão Marinho por prazo indeterminado – e as fontes de Informações revelaram este fato a Churchill e aos Chefes de Estado-Maior. Na prática, tratava-se do cancelamento da operação pois o próximo período favorável de lua e maré só ocorreria na segunda semana de outubro. No dia 12 de outubro Hitler cancelou a invasão.
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(fonte: LEWIN, Ronald. Churchill – o Lorde da Guerra. Trad. Cel Álvaro Galvão. RJ, Biblioteca do Exército, 1979)
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por Leonardo de Magalhaens
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Agosto 1940 - começa a Batalha da Grã-Bretanha






A Batalha da Grã-Bretanha
Battle of Britain

Várias fontes que abordam os ataques aéreos da Força Aérea alemã contra alvos militares e civis nas Ilhas Britânicas, em agosto de 1940. Vejamos.

“A 30 de julho [de 1940], Hitler instruiu pessoalmente a Göring para que colocasse a Luftwaffe em estado de prontidão para o grande ataque, o ‘ataque das águias’, como os planejadores do estado-maior alemão o denominavam. Hitler ordenou que a Luftwaffe se preparasse ‘para destruir as unidades aéreas, as organizações de terra e instalações de suprimento da RAF e a indústria de armamentos aéreos britânica.”

(BISHOP, Edward. A Batalha da Inglaterra. Renes, 1975)



O Sistema Defensivo Britânico

“Em julho de 1940, o comando de caça da RAF contava com uma força de 700 modernos aviões de caça monomotores (Hurricane e Spitfire). O Comando, cujo quartel-general, instalado na antiga mansão de Bentley Priory, poucos quilômetros ao norte de Londres, estava integrado por quatro grupos de caça que tinham a seu cargo a defesa das diversas zonas do país.

O Grupo 10 defendia o sudoeste, o 11 o sudeste, o 12 o centro e o 13 os territórios do Norte e a Escócia. Os Grupos, por sua vez, se dividiam em setores. Cada setor tinha uma base principal, ou estação de setor, que constituía a célula básica de todo o sistema defensivo.”

(“Londres em Chamas”, Segunda Guerra Mundial. Ed. Codex, 1965)


“A 31 de julho de 1940, os chefes da Wehrmacht reuniram-se em Berchtesgarden, a fim de receber do Führer a ordem de ataque à Grã-Bretanha. Estavam presentes o almirante Raeder, os marechais Keitel, Jodl e Brauchitsch, e o general Halder, chefe do estado- maior do Exército.

Raeder tomou a palavra e voltou a expor a Hitler as dificuldades que a Marinha enfrentava para levar a cabo o desembarque, previsto no plano ‘Leão Marinho’. Expôs também as condições climáticas desfavoráveis em que estaria o Canal da Mancha durante o mês de setembro, data prevista para o ataque.”

“Se a Luftwaffe conseguisse, tal como assegurava Goering, aniquilar a RAF dentro daquele prazo, a invasão teria lugar em setembro; caso contrário, seria adiada para maio do ano seguinte.”

“A 1º de agosto, Hitler ordenou a Goering que iniciasse a ofensiva aérea contra a Grã-Bretanha. Sem demora, Goering ordenou aos marechais Kessekring, Sperrle e Stumpff, chefes das Luftflotte (frotas aéreas) II, III e IV, que completassem os planos para levar a cabo o ataque. (...)

Hitler opôs-se ao bombardeio da Capital [London] e Goering ordenou então que a ofensiva se limitasse a destruir a RAF e às suas instalações terrestres, no sul da Inglaterra. Em uma segunda etapa, seriam bombardeados os centros de abastecimento, portos e indústrias, a fim de paralisar a vida econômica do país.

Ficou, assim, determinado o plano de ataque. Nos aeródromos localizados sobre as costas do Canal, na Holanda, Bélgica e França, as esquadrilhas da Luftwaffe receberam as diretivas finais e completaram os seus preparativos. Na ofensiva, batizada com o nome chave de ‘Adlerangriff’ (Ataque das Águias), interviriam três frotas aéreas, em um total de 2.550 aviões.”

(idem, ibidem)




Diário de Berlim
William Shirer

Trad. Alfredo C Machado
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BERLIM, 5 de agosto [1940]

Apesar de todos os comentários sobre a invasão da Inglaterra que se diz que vai ser lançada nos próximos dias, os militares me explicam que a Luftwaffe precisa realizar uma grande tarefa antes de qualquer possibilidade de desembarque de tropas. Aliás, foi exatamente isso que Göring sustentou ainda ontem, num artigo que fez publicar no Voelkische Beobachter, sob o pseudônimo de Arminius, equivalente em latim ao seu primeiro nome Hermann. Nesse artigo, o marechal explicou que a primeira tarefa de uma força aérea é a de conseguir uma completa superioridade no ar com a destruição dos aviões inimigos, dos seus aeródromos, hangares, depósitos de combustível e postos de baterias antiaéreas. Uma vez realizado esse trabalho, diz ele, a segunda parte tem início, com a aviação capaz de devotar a maior parte das suas energias ao apoio das forças de terra. Foi essa a estratégia adotada pelos alemães na Polônia e no ocidente.

Pergunto eu: por que motivo, então, a Luftwaffe ainda não desfechou um ataque em larga escala contra a Grã-Bretanha? Pelo fato de Hitler julgar-se em condições de poder obrigar Churchill a aceitar a paz? Ou será porque os generais ainda não se mostram dispostos a tentar a invasão? Ou porque a RAF é demasiadamente forte para arriscar a Luftwaffe num grande golpe?

[...]
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BERLIM, 13 de agosto

Hoje foi o terceiro dia do grande ataque aéreo em massa contra a Inglaterra. O resultado de ontem, tal como anunciado pela Luftwaffe, foi de 71 aviões ingleses abatidos contra 17 alemães. Esta noite, as perdas do terceiro dia sobem a 69 a 13. cada dia os números apresentados pelos ingleses, segundo a BBC, são exatamente o contrário. Desconfio de que as cifras de Londres são mais verdadeiras. Amanhã devo sobrevoar a zona do Canal, juntamente com outra meia dúzia de correspondentes. Não sabemos se nos levarão até lá para assistir à invasão da Inglaterra, lançada por Hitler, ou se apenas para apreciar os ataques aéreos.



O “Ataque das Águias” foi marcado para 13 de agosto, tendo um ataque preliminar – localização de torres sinalizadoras, antenas transmissoras, hangares – no dia 12. Em ambas as datas houve violenta reação da defesa britânica – mesmo em inferioridade numérica – numa amostra que a derrota da RAF – a Royal Air Force – não seria tão fácil e rápida.

A RAF atuava com aviões Defiants, Spitfires e Hurricanes, num total de cerca de 700, enquanto a Luftwaffe atacava com Stukas, Heikel, Dornier, Junkers, Messerschmitt, num total de 2550 aeronaves. Mas a RAF provou que ‘número’ não define batalhas, nem em terra nem nos céus!
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Por Leonardo de Magalhaens


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Battle of Britain
Videos
http://www.youtube.com/watch?v=cNVVoH9-QH0

http://www.youtube.com/watch?v=uIh6j80mFqM&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=79f8DSNeE3k&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=yXf1bhEEXd0&feature=related


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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Adolf Hitler fala no Reichstag - 19 julho 1940



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Diário de Berlim
W Shirer
trad. Alfredo C Machado


BERLIM, 19 de julho [1940]

Não vai haver uma Blitzkrieg contra a Inglaterra. Pelo menos por enquanto. Hoje à noite, falando perante o Reichstag, Hitler 'ofereceu' a paz. Disse não ver motivo algum pelo qual a guerra devesse continuar. Mas é claro que se trata de uma paz em que ficará com as rédeas do continente nas mãos, como vencedor. Saindo do espetáculo fantástico do Reichstag – que foi o mais brilhante de todos a que assisti – fiquei pensando no que fariam os ingleses. No que diz respeito aos alemães, não existe a menor dúvida. Como manobra calculada com fim de congregá-los para o ataque contra a Grã-Bretanha, foi uma obra-prima. Isso porque, agora, o povo alemão dirá: “Hitler oferece a paz à Inglaterra e não lhe dão nenhuma importância. Ele afirma que não vê motivo pelo qual a presente guerra deva continuar. Portanto, se continuar, a culpa é da Inglaterra”.

Estava pensando em qual seria a resposta dos ingleses, minutos depois de ter chegado à Rundfunk para redigir a minha crônica, quando ouvi a irradiação da BBC, em alemão. E já estava ali a resposta! Era um grande NÃO! Quanto mais pensava no caso, menos motivos encontrava para me surpreender. Para a Inglaterra, uma paz assinada com uma Alemanha colocada na situação de senhora absoluta do continente é impossível. Mais ainda: os ingleses devem possuir os seus motivos para acreditar que podem defender vitoriosamente as suas ilhas, acabando por impor uma derrota a Hitler. Isto porque o próprio Hitler lhes deu um meio fácil de salvar pelo menos alguma coisa. Apenas há um ano e meio em Munich, pude vê-los apegando-se a essa tábua de salvação. Agora o Não da BBC foi perfeitamente enérgico. O locutor ridicularizou todas as atitudes de Hitler. Vários oficiais do Alto comando e funcionários do Ministério que se achavam na sala não podiam acreditar no que ouviam. Um deles não se conteve e gritou-me: -Está entendendo alguma coisa? Por acaso, pode compreender esses ingleses malucos? Rejeitar agora uma proposta de paz? - Limitei-me a resmungar qualquer coisa. -eles estão loucos? - gritou o oficial.

Hitler apresentou a sua 'oferta' de paz de maneira muito eloquente, pelo menos para os alemães. Disse ele: - Neste momento, sinto que é meu dever perante a minha própria consciência apelar uma vez mais para a razão e o bom senso. Não posso descobrir um motivo pelo qual esta guerra deva prosseguir.

Não houve nenhum aplauso, nenhuma ovação, nenhum bater das pesadas botas. Apenas um grande silêncio. E um ambiente carregado. Porque, no íntimo, os alemães hoje anseiam pela paz. No meio desse silêncio, Hitler continuou: -Sinto-me entristecido ao pensar nos sacrifícios que a guerra vai exigir. E gostaria de evitá-los para o bem do meu povo.

O Hitler que vimos esta noite no Reichstag era um Hitler vencedor, cônscio da sua posição, que mesmo assim soube ser um ator tão maravilhoso, tão magnificamente senhor da alma alemã, que conseguiu misturar soberbamente a confiança do vencedor com a humildade que sempre causa bom efeito junto às massas, quando estas sabem que existe um homem ao leme. [...]

Mais uma vez notei também de que forma Hitler é capaz de mentir com uma impassibilidade que nenhum outro homem possui. Provavelmente algumas dessas mentiras não são propriamente mentiras para ele, que acredita fanaticamente nas próprias palavras, como por exemplo, a sua falsa recapitulação dos últimos vinte e dois anos e a sua constante reafirmação de que a Alemanha nunca foi realmente derrotada na Grande Guerra, e sim apenas traída. [...]

Nota minha:

Interessante. No discurso de Hitler há três menções nominais ao primeiro-ministro britânico Churchill, e nenhuma menção, citação ou referência aos Estados Unidos da América. Justamente o país no qual o governo da Grã-Bretanha depositava toda a confiança – a GBR não poderia continuar a guerra sem apoio dos EUA – isto era óbvio.

Resumo: basicamente o ditador alemão faz um 'apelo a razão' ao Governo britânico, pois não pretende intensificar a guerra ao atacar a Grã-Bretanha e seu Império mundial. A obstinação da GBR se deve às esperanças de envolvimento de intervenções dos EUA e/ou da URSS – o que tornaria a 'guerra europeia' GBR X III Reich numa 'guerra mundial' Eixo X Aliados. (O que aconteceria em 1941/42)

No mais, Hitler aproveitou para demonstrar poderio militar, ao elevar Göring à Reichsmarschall e outros 12 generais a GeneralFeldmarschall (von Brauchitsch, Kesselring, Keitel, von Kluge, von Leeb, von Bock, List, von Witzleben, von Reichenau, Milch, Speerle, von Rundstedt), como diz, sarcasticamente, W Shirer, em seu diário, “a certa altura, parando em meio ao discurso que estava pronunciando, Hitler transformou-se num outro Napoleão, criando com um simples movimento de sua mão (neste caso, a saudação nazista) doze marechais-de-campo. Como Göring já era um deles, o Führer criou-lhe um posto especial – o de Marechal do Reich.” (19 de julho)

BERLIM, 20 de julho

Até agora não se registrou nenhuma reação oficial inglesa à “oferta de paz” de Hitler. No entanto, Goebbels obrigou a imprensa local a fornecer amavalmente ao povo alemão a notícia de que, aparentemente, os ingleses ainda nãotiveram tempo para isso. Os alemães com quem falei não podem compreender essa atitude. Eles desejam a paz. Não querem passar um novo inverno da mesma forma que o último. Não têm nada contra a Grã-Bretanha, a despeito de toda a campanha provocadora. (É que, da mesma forma que um remédio aplicado com muita frequencia, ela também está perdendo a pouca força que possuía.) Acreditam que alcançaram o ponto máximo e acreditam também que podem derrotar a Inglaterra se chegarem a um encontro. Mas prefeririam a paz.

Em Chicago, Roosevelt foi novamente escolhido para candidato democrático, para tentar um terceiro período presidencial. O fato representa um golpe para Hitler, que a Wilhelmstrasse mal pôde ocultar. Goebbels deu ordem aos jornais para que não comentassem o fato, permitindo entretanto que a DNB publicasse um breve despacho do seu correspondente em Washington, dizendo que os métodos pelos quais foi feita a escolha de Roosevelt foram severamente condenados por todas as testemunhas”.

Agora Hitler terá que esperar que Roosevelt seja derrotado por Willkie nas próximas eleições. A verdade é que Hitler receia Roosevelt. Está começando a compreender que o apoio do Presidente à Grã-Bretanha constitui um dos motivos principais que levaram os ingleses a declinar a espécie de paz que ofereceu. Tal como o redator-chefe do Frankfurter Zeitung, Rudolf Kircher, teve licença para publicar amanhã: “Roosevelt é o pai das ilusões inglesas na guerra atual. Talvez os vergonhosos expedientes de Roosevelt sejam demais para os americanos, talvez ele não seja eleito, talvez, depois de reeleito, seja levado a cingir-se estritamente ao programa de não-intervenção do seu partido. Mas é também perfeitamente claro que, ao mesmo tempo em que não intervém na luta com a sua Esquadra ou o seu Exército, intervirá com os seus discursos, as suas intrigas e a poderosa propaganda que porá à disposição dos ingleses.”
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Diário de Berlim
W Shirer
trad. Alfredo C Machado


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por Leonardo de Magalhaens

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Churchill's Speech - 14 July 1940







Em 14 de julho de 1940...

Discurso de Churchill em prol da unidade britânica

“Cinco dias antes, em 14 de julho, às nove horas da noite de domingo, Churchill fizera ao rádio um discurso para o povo da Inglaterra, quase um mês depois de seu discurso da “hora mais gloriosa”. Sob muitos aspectos, esse discurso foi mais revelador de Churchill do que o anterior, mais famoso. Ele pronunciou palavras tocantes a respeito dos franceses, no dia de seu feriado nacional. (“Proclamo minha crença de que alguns de nós viveremos para ver um 14 de julho em que uma França libertada mais uma vez se rejubilará em sua grandeza e sua glória.”) Havia um toque de magnanimidade em suas frases sobre o que acontecera em Oran. (“Quando se tem um amigo e camarada ... atingido por um golpe estonteante, é preciso assegurar que a arma que caiu da mão dele não seja acrescentada aos recursos do inimigo comum. É preciso, porém, não guardar rancor por causa dos gritos de delírio e gestos de agonia do amigo.”)(1) Ele exortou o povo inglês. (Se o invasor viesse, “o povo não se dobraria submisso a ele, como vimos, com tristeza, em outros países.” )

(1) no original, “ When you have a friend and comrade at whose side you have faced tremendous struggles, and your friend is smitten down by a stunning blow, it may be necessary to make sure that the weapon that has fallen from his hands shall not be added to the resources of your common enemy. But you need not bear malice because of your friend's cries of delirium and gestures of agony.”

Isso foi no mesmo dia, talvez na mesma hora, em que Hitler assinou a Diretriz n 16 para a invasão da Inglaterra. Eis aqui outro daqueles “trocadilhos espirituais”, uma coincidência indicativa que talvez haja constituído o ponto culminante do duelo: Hitler aprontando-se para partir da europa e invadir a Inglaterra; Churchill fazendo, na Inglaterra, seus primeiros planos para libertar a Europa.” (pp. 161-63)

(LUKACS, John. O Duelo Churchill X Hitler. Trad. Claudia Martinelli Gama. 2002)
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Em 16 de julho : Hitler decide aprovar a Operação Leão-Marino [Unternehmen Seelöwe]

“A sorte estava lançada. Estava mesmo? O fraseado da Diretriz nº 16 refletia bem a mente de Hitler. (Talvez se deva a isso a mudança do título de “Operação Leão” para “Operação Leão Marinho” - “Seelöwe” em alemão – fera não feroz.) A diretriz começava: “como a Inglaterra, apesar de sua deplorável situação militar, não mostra sinais de estar pronta para chegar a um acordo, decidi preparar uma operação de desembarque contra a Inglaterra e, se necessário, executá-la.” se necessário: ele ainda esperava não ter de fazê-lo. “O objetivo dessa operação é impedir que a ilha-mãe inglesa continue a fazer guerra contra a Alemanha e, se necessário ocupá-la completamente.” seguiam-se as diretrizes de toda a operação (a principal delas era “uma travessia de surpresa numa frente ampla de aproximadamente Ramsgate a oeste da ilha de Wright”). Os preparativos da operação têm de estar prontos em meados de agosto.” A Diretriz nº 16 não continha quase nenhuma retórica. O texto de quatro páginas estava repleto de detalhes técnicos militares. Sete cópias foram feitas e distribuídas entre os mais altos comandantes do exército, marinha e Luftwaffe”( p. 161)

Nota minha:

Em “Hitler” de J Fest encontramos um trecho revelador, “Não está de todo excluído que Hitler jamais tenha levado seriamente em consideração o desembarque em solo inglês e que se aproveitou disso apenas como uma arma na guerra de nervos.” (p. 757)

Em “Churchill – O Lorde da Guerra”(1973), de R. Lewin, encontramos algo sobre a mesma 'indecisão',

“De início, Churchill não poderia saber que Hitler, surpreendido pela velocidade com que atingiria o Canal da Mancha, não dispunha de plano para a invasão, ou nem mesmo tencionava realizá-la; pelo contrário, ideia original do Fuehrer era preservar a Grã-Bretanha e o império dentro de uma forma conveniente de neutralidade. A ordem preliminar do OKW, intitulada “A guerra contra a Inglaterra” só foi expedida por Keitel no dia 2 de julho. Principiava assim: “O Führer e Comandante supremo decidiu... que é possível desembarcar na Inglaterra, desde que possa ser alcançada a superioridade aérea e que sejam satisfeitas outras condições indispensáveis.” Além disto, decorreram quinze dias até a data em que Hitler endossou e ampliou esta ordem, através da Diretriz nº 16, ainda experimental e que principiava assim: “Decidi começar a preparar uma invasão da Inglaterra e executá-la, se necessário.” Não há dúvida que a diretriz primava pela indecisão.” (p. 63)
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por Leonardo de Magalhaens
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sábado, 3 de julho de 2010

Ataque britânico à frota francesa em Oran



Churchill ordena o afundamento da frota francesa em Oran

3 de julho de 1940
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trechos de algumas fontes:
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“A 3 de julho, enquanto Hitler ainda esperava um sinal de conciliação, ele [Churchill] manifestou mais uma vez sua inflexibilidade, dando ordem à frota inglesa para abrir fogo contra os aliados da véspera, isto é, contra as embarcações franceses refugidas no porto de Orã. Estupefato, decepcionado, Hitler protelou sine die seu discurso ante o Reichstag, previsto para 8 de julho. Na exaltação da vitória, achara antecipadamente que os ingleses renunciaram a um combate que ele [Hitler] imaginava sem saída, ainda mais que continuava sem qualquer intenção de tocar no império deles [dos britânicos]. Mas Churchill provou claramente, multiplicando os gestos demonstrativos, que não haveria negociações.” (FEST, Joachim, “Hitler”, 1976, pp. 755/756)
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“O povo está discutindo a ação de ontem dos ingleses, afundando três couraçados franceses na baía de Oran para impedir que viessem a cair em mãos dos alemães. Os franceses, que desceram a um ponto abaixo de qualquer imaginação, declaram que vão cortar as suas relações com a Grã-Bretanha. Afirmam que têm confiança na palavra de Hitler, que prometeu não lançar mão da Esquadra Francesa contra a inglaterra. Coitados! No entanto, éprovável a eclosão de uma grande irritação por toda a França. Positivamente, a Entente Cordiale está morta.” (SHIRER, W. “Diário de Berlim”, 1941, p. 136)
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“Os navios de guerra franceses mais modernos, o Dunkerque, o Strasbourg, o Richelieu e o Jean Bart, estavam fora do alcance de Hitler. Os dois primeiros, os mais modernos cruzadores de batalha, juntamente com um conjunto de outros navios, encontravam-se na base naval de Mers-el-Kebir, na Argélia francesa, quase cinco quilômetros a oeste de oran. A Operação Catapulta de Churchill tinha-os como alvo. Ele também tinha outro plano, a Operação Susan, um desembarque britânico no Marrocos francês. Seus conselheiros navais e militares persuadiram-no a abandonar o plano, pois exigiria uma desnecessária dispersão de forças britânicas no momento em que a ilha natal mais precisava delas. Como de costume, Churchill se irritava com os conselhos acauteladores, mas depois cedia. (Foi melhor assim: um desembarque britânico no Marrocos, mesmo se bem-sucedido – e isso era questionável – poderia ter instigado Hitler – e Franco – a persegui-los, tendo como provável resultado a conquista de Gibraltar e o fechamento do Mediterrâneo para os britânicos.) A própria Operação Catapulta constituía de certo modo uma reminiscência da destruição cruel e inesperada, por Nelson, da frota neutra dinamarquesa em Copenhague em 1801. havia, porém, uma diferença. Nelson atacou um inimigo potencial da Grã-Bretanha. Churchill atacaria os navios de um alaido recente da Grã-Bretanha, navios e marinheiros que não tinham nenhuma propensão para se alinharem com a Alemanha.
[...]

Antes do primeiro esmaecer do sol na quente tarde mediterrânea, os britânicos abriram fogo. Durou nove minutos. O Dunkerque e outro velho navio de guerra francês encalharam na praia. Outro navio explodiu. O Strasbourg saiu do porto. Mil duzentos e cinquenta marinheiros franceses morreram. No mesmo dia, a marinha britânica usou a força para tomar alguns dos barcos franceses menores ainda em portos britânicos. Em Alexandria, no Egito, fez-se um acordo pelo qual os vasos de guerra franceses seriam imobilizados, em condições não muito diferentes das obtidas por Hitler para supervisionar e imobilizar os navios franceses nos portos europeus.

Oran não foi um completo êxito naval. O Strasbourg escapou; o Richelieu, atacado pelos britânicos alguns dias depois em Dakar, só sofreu danos parciais. Mas foi um sucesso político para Churchill em mais de uma maneira. Chegaremos a suas repercussões na Grã-Bretanha em breve. Mais importantes foram suas repercussões em todo o mundo. Era um símbolo da disposição dos britânicos para a luta, da resolução de Churchill de atacar e se defender em seu duelo com Hitler. [...]

Oran foi uma espécie de virada psicológica dos destinos. No entanto – isso tem de ser dito em seu favor -, Churchill não estava se vangloriando. “Nada é mais bem-sucedido do que o sucesso” - isso era típico da mente de Hitler, não da de Churchill. Naquela noite, ele disse a Colville que o ocorrido em Oran “para mim foi de cortar o coração”. Não foi uma reação pesarosa depois de um feito cruel. Cinco dias antes de Oran, Churchill dissera ao Gabinete de Guerra: temos de convencer o povo francês “de que estamos sendo cruéis para sermos bons”. [...]
(LUKACS, John. O Duelo Churchill X Hitler. Trad. Claudia Martinelli Gama. 2002)
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fontes interessantes: WW2 / 1940
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por Leonardo de Magalhaens
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domingo, 27 de junho de 2010

A Queda da França segundo W Shirer





Diário de Berlim
W Shirer

Trad. Alfredo C. Machado

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BERLIM, 27 de junho [1940]

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“Um retrospecto dos acontecimentos.

Devo fazer algumas reservas. Ainda é demasiadamente cedo para saber tudo que se passou. Ademais, não foi possível observar tudo. De forma alguma.

Entretanto, pelo que vi na Bélgica e na França e pelo que depreendi das conversas cm franceses e alemães nos dois países, bem como com os prisioneiros franceses, belgas e ingleses que encontramos pelas estradas, parece-me inteiramente claro que:

A França não lutou.

Se o fez, existem poucas provas. Não somente eu, mas muitos de meus amigos foram e voltaram da fronteira alemã até Pari, percorrendo as principais estradas. Entretanto, nenhum de nós pôde observar qualquer sinal de uma luta séria.

Os campo da França estão intactos. Não houve a menor luta ao longo de uma linha bem defendida. O Exército Alemão limitou-se a avançar pelas estradas. Mesmo nessas estradas, são poucas as provas de que os franceses tenham feito mais que aborrecer um pouco o inimigo. E mesmo isso só foi feito nas cidades e aldeias. De fato, o que fizeram foi realmente importunar, retardar um pouco a marcha alemã. Não se registrou nenhuma tentativa de fincar pé numa linha de defesa, para depois desfechar um contra-ataque bem organizado.

...

D. B., que encontrei em Paris e que assistiu à guerra do lado de lá, chegou à conclusão de que a traição grassou no Exército Francês de alto a baixo – os fascistas no alto, os comunistas embaixo. E tanto de fontes alemãs como francesas ouvi muitas informações sobre a ordem que o Partido Comunista enviou aos seus adeptos para que não lutassem, uma ordem que eles cumpriram à risca...

Muitos prisioneiros franceses afirmam que nunca viram uma batalha. Quando parecia que uma delas estava para começar, vinha a ordem de retirada. Foi essa constante ordem de retirar antes do início da batalha, ou pelo menos antes que a batalha estivesse travada, que quebrou a resistência belga.

...

Outro mistério: os alemães afirmam que depois que atravessaram a fronteira franco-belga, de Mauberge a Sedan, continuaram avançando diretamente através da região do Norte da França até o Canal da Mancha, quase sem disparar um tiro. Quando alcançaram o litoral, Boulogne e Calais estavam sendo defendidas sobretudo por tropas britânicas. Todo o Exército Francês parecia paralisado, incapaz de levar adiante a menor ação, de desfechar o mais ligeiro contra-ataque.

De fato, os alemães possuíam absoluta superioridade aérea. É verdade que os ingleses não forneceram a força aérea que podiam e deviam ter fornecido. Nem mesmo isso entretanto explica a débâcle francesa. (...)”

Diário de Berlim
W Shirer

Trad. Alfredo C. Machado
Nota minha:

Aqui no Diário de Berlim, W Shirer abre uma problemática que será melhor elaborada na sua obra A Queda da França (Collapse of the Third Republic – a Inquiry into the Fall of France in 1940, publicado em 1969), onde polemiza sobre as 'quintas colunas' (fascistas e comunistas) contra a República democrática, além das novas táticas alemãs – ataque aéreo, paraquedistas, tanques concentrados – contras as velhas táticas doa aliados – preocupados com defesa e contando com uma infantaria sem apoio motorizado e aéreo.

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Por Leonardo de Magalhaens
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

junho de 1940 - A Queda da França




1940 – A Queda da França

Em 11 de junho, o governo francês está na cidadezinha de Briare, e recebe uma visita do Primeiro-Ministro britânico Churchill, que percebe um pessimismo do General Weygand, ministro da Defesa, ao mesmo tempo em que percebe o rancor de um general, agora subsecretário da Defesa Nacional , membro recente do governo derradeiro, chamado Charles De Gaulle. Contrário ao armistício, De Gaulle (arauto das forças blindadas) defendia a resistência francesa numa retirada para as colônias africanas.

Mas enquanto os líderes discutem, as tropas e os panzer de Guderian contornam a Linha Maginot, numa manobra de cerco que resulta no aprisionamento de cerca de meio milhão de soldados franceses, num avanço em arco a se estender até a fronteira suiça. É a vitória do 'movimento' contra a 'linha defensiva'.

Quando a vanguarda do XVIII Exército de von Küchler adentra a desmilitarizada metrópole parisiense, em 14 de junho (um mês antes das comemorações da Queda da Bastille, em 14 de julho de 1789, início da Revolução Francesa), os líderes se reúnem no dia seguinte para votarem entre a rendição ou a resistência. Já vimos que Pétain estava entre os que preferiam o armistício, enquanto o primeiro-ministro francês Reynaud e De Gaulle preferiam a luta. Weygand, por outro lado, pretendia mostrar um realismo. Não havia 'reserva estratégica' para deter e derrotar os alemães (e mesmo que houve tropa, não havia aviação suficiente).

Diante de tal cenário sem esperanças, os britânicos terminam por abandonar a França ao norte pelos portos do Canal da Mancha. E o resignado Pétain assume o Governo, e rejeita a última proposta de Churchill (de que GBR e França se unissem numa 'cidadania comum') Esta rejeição mostra a preferência do 'herói nacional' na condição francesa enquanto 'protetorado' da Alemanha do que 'satélite' da Grã-Bretanha. A queda da França foi também a queda da aliança entre ingleses e franceses. Tudo o que Hitler queria.


cartoon alemão


Diz o leão britânico ferido ao galo apunhalado no cartoon alemão (publicado no Das Reich): “A tua morte me deixa muito desapontado! - Felizmente para mim ficaram ao menos as tuas colônias como uma lembrança (souvenir)!” (Mit deinem Hinscheiden enttäuschst Du mich sehr! - Hoffentlich blieben mir wenigstens Deine Kolonien als Souvenir!)

Enquanto isso, De Gaulle decide proclamar a reunião da “França Livre”, mesmo que sejam forças concentradas nas colônias africanas. Para a resistência a guerra não termina com a Queda da França, pois trata-se de uma Guerra Mundial, abrangente e prolongada. Mas ainda ninguém espera realmente que a França (e Pétain!) sejam 'libertado por De Gaulle e seus bravos', pois o que há além de uma multidão de refugiados? Cerca de 8 milhões de refugiados seguem pelas estradas do sul – expostas ao ataque dos caças da Luftwaffe, impiedosos e prontos para espalhar o terror.

Em 18 de junho, Hitler recebe Mussolini em Münich (Munique) para comunicar o armísticio com os franceses, onde se estabelece uma divisão da França: norte e litoral atlântico sendo ocupado pelos alemães e o sul governado pelo velho Pétain, na cidade de Vichy (daí o termo 'França de Vichy'). O armistício (ou 'capitulação') será assinado entre os militares alemães e os representantes franceses (General Huntziger), enquanto, no sul, os fascistas italianos combatem tropas francesas (compostas de três divisões alpinas), até o armistício França-Itália, em 24 de junho, com a presença do Gen. Huntziger em Roma.

Na cena da assinatura do armistício não poderia faltar o vagão onde antes o Império Alemão assinara a derrota na PGM. Arrancado da paz do museu, o vagão serviu como instrumento de 'revanche' para o orgulho ferido dos militares alemães. Ali, os abatidos e humilhados da vez seriam os líderes franceses, que não se prepararam para a 'guerra de movimento', chamada agora de “Blitzkrieg” (guerra-relâmpago).
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Trechos de
O Duelo : Churchill X Hitler
John Lukacs
trad. Claudia M Gama
Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2002

“O dia 18 de junho de 1940 marcava o centésimo vigésimo quinto aniversário da batalha de Waterloo. Foi a última batalha das guerras do mundo travada por mais de um século entre França e Inglaterra. Depois de Waterloo, a Alemanha cresceu e a França declinou. Cem anos depois de Waterloo, França e Grã-Bretanha lutavam lado a lado contra os alemães. Agora, em 1940, a França caia nas mãos dos alemães e a Grã-Bretanha estava só, enfrentando perigos incomensuravelmente maiores do que os que enfrentara nos tempos de Waterloo. O ano de 1940 também marcava outra coincidência histórica. Tarde da noite do Dia do Waterloo, Hitler voltou de Munique para seu quartel-general, o Reduto do Lobo, a poucos quilômetros da cidade fronteiriça francesa de Rocroi, um vilarejo soturno e cinzento. (...)

Se o poder mundial da França diminuiu depois de Waterloo, o poder aumentou em Rocroi. Foi lá que, 297 anos de 1940, travou-se uma das batalhas mais decisivas da história da Europa. Foi em Rocroi, em 1643, que a França derrotou a formidável infantaria espanhola. Com essa vitória os franceses se tornaram a maior potência da Europa, na verdade, do mundo ocidental. Para os espanhóis, a derrota de seu exército em Rocroi foi tão decisivia quanto a derrota de sua Armada no canal da Mancha em 1588. (...)” pp. 126-127
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Hitler em Paris

“Dois dias depois [23 junho], [Hitler] voou para Paris no inabitual horário de três e meia da manhã. Levou consigo seu escultor favorito, Arno Brecker, e seu arquiteto preferido, Albert Speer. Eles fizeram uma rápida visita a uma Paris vazia nas primeiras horas da manhã. Hitler assombrou sua comitiva com a familiaridade que demonstrou com relação a alguns edifícios, sobretudo a Opéra, onde seu minucioso conhecimento surpreendeu o grave funcionário francês que fora apanhado para guiá-los pelos corredores. Foi um passio estranho, furtivo e insone. Às dez da manhã já estavam de volta ao Reduto do Lobo. Por vários dias Hitler falou sobre a beleza de Paris, que então vira pela primeira vez. Enquanto isso, aguardava novas notícias de Londres. Depois foi, com antigos camaradas, visitar os campos de batalha onde servira na Primeira Guerra Mundial. No dia seguinte, 27, trocou o Reduto do Lobo pelo novo quartel-general próximo a Knibis, na Floresta Negra alemã.” p. 130
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Churchill e o discurso da 'finest hour'

"Na tarde do Dia de Waterloo, Churchill fez sei discurso mais famoso na Câmara dos Comuns. Foi o discurso da “hora mais gloriosa”, que tem uma história singular. Vimos que no dia anterior ele se dirigira ao povo britânico com um curto pronunciamento de dois minutos. Agora falava outra vez. O discurso no Parlamento durou menos de trinta minutos. Os parlamentares ficaram impressionados, embora ele parecesse um pouco fatigado. No entanto, pouco depois naquela tarde algumas pessoas disseram a Churchill que, em benefício do moral nacional, ele deveria falar à nação. Assim, quatro horas mais tarde Churchill leu novamente seu discurso na BBC. Não gostou de fazer isso; muitas pessoas acharam que não soou bem. [...]

Nesse ponto, o historiador tem de dizer algo sobre o efeito dos discursos de Churchill naquele verão. Sua receptividade foi menos evidente do quenos habituameos a acreditar. (...) George Orwell, ao escrever em seu diário em 24 de junho, concordou com sua esposa que “as pessoas de pouco estudo são com frequencia tocadas por um discurso em linguagem solene, que na verdade não compreendem mas sentem que impressiona, p.ex. A sra. A impressionou-se com os discursos de Churchill, embora não os entenda palavra por palavra.” p. 132

O motivo do discurso: o derrotismo após a Queda da França

“Na reunião matinal de 16 de junho, [Anthony] Eden disse que vira um relatório do Ministério da Informação sobre a opinião pública que “não era muito encorajador”. Ainda assim, no dia seguinte Churchill disse ao Gabinete que “a masa da população continuava com notável animação sob adversidade”. Lord Normanbrook lembrou que, quando a França caiu, havia confusão e perplexidade e em alguns bairros o moral era frágil”. Em algum momento entre 16 e 26 de junho, “um sentimento de desânimo e apreensão foi registrado no país como um todo”. O Ministério da Informação observou no dia 17 que, “a menos que houvesse forte liderança do primeiro-ministro, o derrotismo certamente ganharia terreno e haveria uma séria divisão entre governo e povo”. (Foi por isso que Duff Cooper e seus amigos imploraram a Churchill no dia 18 para falar na BBC.) (...)

Em 27 de junho, Sir Stafford Cripps, embaixador britânico recém-chegado a Moscou, escreveu a Halifax uma mensagem longa e bastante pessimista,na qual previa a necessidade de preparar a opinião pública britânica para uma eventual transferência do governo de Londres para o Canadá.
Podemos no entanto garantir que, em 26 de junho, a segunda maior crise de Churchill de modo geral se atenuara. Ele e seu povo haviam sobrevivido ao choque da rendição da França.” (pp. 134 e 135)

trecho final:

"O que o General Weygand chamou de Batalha da França já terminou. Eu espero o começo da Batalha da Grã-Bretanha. Desta batalha depende a sobrevivência da civilização cristã. Dela depende nossa própria vida britânica, e a longa continuidade de nossas instituições e nosso Império. A completa fúria e poder do inimigo deve logo voltar-se para nós. Hitler sabe que ele precisa nos derrotar nesta ilha ou perderá a guerra. Se nós podermos resistir a ele, toda a Europa poderá ser liberta e a vida do mundo seguirá adiante para amplas e ensolaradas terras.

Mas se nós falharmos, então todo o mundo, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo o que conhecemos e amamos, afundará num abismo de uma era sombria feita o que há de mais sinistro, e talvez mais prolongado, devido as luzes da ciência pervertida. Vamos então assumir nossos deveres, e apoiarmos uns aos outros, pois se o Império Britânica e o Commonwealth durar uns mil anos, os homens dirão ainda, “esta foi a hora mais gloriosa deles”.
(trad. LdeM)

What General Weygand has called the Battle of France is over. I expect that the Battle of Britain is about to begin. Upon this battle depends the survival of Christian civilisation. Upon it depends our own British life, and the long continuity of our institutions and our Empire. The whole fury and might of the enemy must very soon be turned on us. Hitler knows that he will have to break us in this island or lose the war. If we can stand up to him, all Europe may be freed and the life of the world may move forward into broad, sunlit uplands.

But if we fail, then the whole world, including the United States, including all that we have known and cared for, will sink into the abyss of a new dark age made more sinister, and perhaps more protracted, by the lights of perverted science. Let us therefore brace ourselves to our duties, and so bear ourselves, that if the British Empire and its Commonwealth last for a thousand years, men will still say, This was their finest hour.
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por Leonardo de Magalhaens
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sábado, 12 de junho de 2010

A Itália de Mussolini decide entrar na Guerra





A Itália de Mussolini decide entrar na Guerra

O ditador Mussolini ainda mantinha um papel ambíguo de 'mediador' entre potências e ao mesmo tempo alinhado com a Alemanha militarmente em ascensão. Não rompia a neutralidade por ter reconhecido a pouca eficiência bélica italiana (vejam bem as campanhas na Etiópia e na Albânia, mais plenas de crueldade do que eficiência), mas percebia que a Alemanha nazista poderia exigir a 'decisão' dos fascistas – assim que se percebesse vitoriosa. E a Itália fascista precisava mesmo assumir seu discurso anti-democrático.

Lembrando sempre que as potências da época eram Grã-Bretanha e França (e os EUA), os vencedores da Primeira Guerra Mundial, a mesmas que não haviam cumprido as promessas à Itália. Ainda que preferissem Mussolini no poder – do que os 'comunistas'. E nada teriam feito contra Mussolini (assim como nada fizeram contra Franco) caso do Duce tivesse mantido sua não-beligerância.

Mas a situação foi outra. Ao perceber a rápida retirada das forças aliadas nos Flandres e no norte da França, o Duce começou a temer que a Guerra acabasse antes dos fascistas italianos entrarem no 'jogo'. Os britânicos – ao contrário – diziam que o Duce receberia certamente sua 'cota' de guerra. (Churchill era até irônico, sabendo da ineficiência bélica italiana) A Itália então entenderia o que significa 'desafiar uma potência'.
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10 de junho de 1940

Discurso do ditador Mussolini na Piazza Venezia
Declaração de Guerra em junho de 1940

“Combatentes de terra, de mar e do ar! Camisas negras da revolução e das legiões! Homens e mulheres da Itália, do Império e do reino da Albânia! Escutem! Uma hora assinalada do destino ressoa no céu de nossa pátria. (vivas aclamações) A hora da decisão irrevogável. A declaração de guerra já foi consignada (aclamações, gritaria alta de “Guerra, Guerra!”) aos embaixadores da Grã-Bretanha e da França. Saímos em campo contra as democracias plutocráticas e os reacionários do Ocidente, que, em todo tempo, criaram obstáculo a marcha, e mesmo minado a existência mesma do povo italiano.

Alguns anos da história mais recente se podem resumir nestas frases: promessas, ameaças, chantagens e, ao fim, como um coroamento do edifício, o ignóbil assédio societário de cinquenta e duas nações. A nossa consciência está absolutamente tranquila. (Aplausos.) Com vocês o mundo inteiro é testemunha que a Itália do Littorio fez o que era humanamente possível para evitar a tormenta que convulsiona a Europa; mas foi tudo em vão.

[...]
Nós empunhamos as armas para resolver, depois o problema resolvido da nossa fronteira continental, o problema das nossas fronteiras marítimas; nós queremos despedaçar as cadeias das ordens territoriais e militares que nos sufocam em nossos mares, pois um povo de quarenta e cinco milhões de pessoas não é realmente livre se não tem livre o acesso ao oceano. Esta luta gigantesca não é mais que uma fase do desenvolvimento lógico da nossa revolução; é a luta do povo pobre e de braços numerosos contra os ávidos que detêm ferozmente o monopólio de toda a riqueza e de todo o ouro da terra; é a luta do povo fecundo e jovem contra os povos estéreis e decadentes; é a luta entre dois séculos e duas ideias. Momento em que os dados são jogados e a nossa vontade tem queimado em nossas veias, eu declaro solenemente que a Itália não pretende arrastar outros povos ao conflito com fronteiras comuns por mar ou terra. Suiça, Iugoslávia, Grécia, Turquia, Egito, tomem nota dessas minhas palavras e depende deles, apenas deles, se tal será confirmado ou não.
[...]
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trad. Leonaro de Magalhaens
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Aqui, o Duce Mussolini julga falar em nome da 'revolução': considera o 'fascismo' uma revolução contra os 'reacionários', aqueles das 'grandes potências' diatas 'democráticas', mas o regime fascista era claramente tutelado por uma 'monarquia'. Tanto que alguns fascistas eram abertamente 'republicanos' (e somente subiram ao poder na República de Salò, então sob tutela nazista, em 1943.)

Também afirma retoricamente o ditador fascista que não pretende entrar em conflito com alguns países próximos, mas acabou atacando a Grécia em 1940/41, e sofreu resistência, a ponto dos alemães entrarem no conflito nos Balcãs, o que atrasou a invasão da URSS em um mês. (A Operação Barbarossa não foi iniciada em maio, mas em junho de 1941)
Discurso do Mussolini na Declaração de Guerra
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Combattenti di terra, di mare e dell'aria! Camicie nere della rivoluzione e delle legioni! Uomini e donne d'Italia, dell'Impero e del regno d'Albania! Ascoltate! Un'ora segnata dal destino batte nel cielo della nostra patria. (Acclamazioni vivissime). L'ora delle decisioni irrevocabili. La dichiarazione di guerra è già stata consegnata (acclamazioni, grida altissime di "Guerra! Guerra! ") agli ambasciatori di Gran Bretagna e di Francia. Scendiamo in campo contro le democrazie plutocratiche e reazionarie dell'Occidente, che, in ogni tempo, hanno ostacolato la marcia, e spesso insidiato l'esistenza medesima del popolo italiano .

Alcuni lustri della storia più recente si possono riassumere in queste frasi: promesse, minacce, ricatti e, alla fine, quale coronamento dell'edificio, l'ignobile assedio societario di cinquantadue stati. La nostra coscienza è assolutamente tranquilla. (Applausi). Con voi il mondo intero è testimone che l'Italia del Littorio ha fatto quanto era umanamente possibile per evitare la tormenta che sconvolge l'Europa; ma tutto fu vano.
[...]

Noi impugniamo le armi per risolvere, dopo il problema risolto delle nostre frontiere continentali, il problema delle nostre frontiere marittime; noi vogliamo spezzare le catene di ordine territoriale e militare che ci soffocano nel nostro mare, poiché un popolo di quarantacinque milioni di anime non è veramente libero se non ha libero l'accesso all'Oceano. Questa lotta gigantesca non è che una fase dello sviluppo logico della nostra rivoluzione; è la lotta dei popoli poveri e numerosi di braccia contro gli affamatori che detengono ferocemente il monopolio di tutele ricchezze e di tutto l'oro della terra; è la lotta dei popoli fecondi e giovani contro i popoli isteriliti e volgenti al tramonto, è la lotta tra due secoli e due idee. Ora che i dadi sono gettati e la nostra volontà ha bruciato alle nostre spalle i vascelli, io dichiaro solennemente che l'Italia non intende trascinare altri popoli nel conflitto con essa confinanti per mare o per terra. Svizzera, Jugoslavia, Grecia, Turchia, Egitto prendano atto di queste mie parole e dipende da loro, soltanto da loro, se esse saranno o no rigorosamente confermate.
[...]
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“A declaração de guerra da Itália à França e Inglaterra foi entregue por Galeazzo Ciano aos embaixadores respectivos, François-Poncet e Sir Percy Loraine. As reações de ambos foram diferentes. O embaixador francês, emocionado, afirmou a Ciano que a declaração era '... uma punhalada num homem caído...' e assegurou ao ministro italiano da Relações Exteriores que 'os alemães são senhores duros. Vocês também se darão conta disto...' Por último, ao sair da Chancelaria, disse-lhe, assinalando o uniforme de aviador que Ciano trajava: 'Não se deixe matar...' Por seu turno, o embaixador inglês, Sir Percy Loraine, flegmático recebeu a notícia sem demonstrar qualquer perturbação. Ao se despedirem, fizeram-no com 'um largo e cordial aperto de mãos'.”

“Às 16 horas do dia 10 de junho, o embaixador francês em Roma, André François Poncet, telefonou a Reynaud, informando que acabara de receber das mãos do Conde Ciano a comunicação da declaração de guerra do Governo italiano.”

“Pouco depois de receber a comunicação de François-Poncet, o governo francês resolveu abandonar Paris. À meia-noite, Reynaud,a companhado pelo genral De Gaulle, partiu de automóvel à cidade de Orléans. Tão logo difundiu-se a notícia, milhares de parisienses lançaram-se em fuga, provocando uma espantosa confusão nas estradas para o sul.”

Fonte: Segunda Guerra Mundial. Ed. Codex, 1965


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por Leonardo de Magalhaens


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quarta-feira, 9 de junho de 2010

2ª etapa da Batalha da França - Fall Rot





Fall Rot / Case Red
Caso Vermelho
2ª etapa da Batalha da França
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Após o sucesso da Fall Gelb (Caso Amarelo), a ofensiva contra os Países Baixos, através de Flandres e Ardennes, com a expulsão da BEF (Força Expedicionária Britânica) nas praias de Dunkirk, em 4 de junho de 1940, as operações bélicas das tropas alemãs foram reiniciadas em 5 de junho rumo a costa da Canal e a metrópole parisiense.

Atuando em toda a Linha Weygand – os pontos principais da defesa francesa – as vanguardas panzer atacaram na região do rio Somme, numa linha Abbeville – Amiens – Peronne, onde 95 divisões alemães golpeavam cerca de 50 divisões francesas. A supremacia germânica nos ares era evidente. Se os franceses pouco podiam contar com a aviação – ainda mais depois que a RAF se recolheu aos limites do Canal da Mancha (1) – a Luftwaffe contavam com cerca de 3 mil aviões, em apoio às manobras de artilharia e infantaria.

As forças blindadas (1,2 mil panzer) comandadas pelos generais Kleist e Hoth, do Grupo de Exército B, do General von Bock, pressionaram ao nordeste de Paris, enquanto os panzers comandados por Guderiam (do Grupo de Exércitos A, do General Rundstedt) contornavam a Linha Maginot, o supostamente invencível sistema defensivo dos franceses.

O teatro de operações do Caso Vermelho englobavam justamente as regiões onde os alemães foram 'barrado' nas defensivas aliadas da Primeira Guerra Mundial. Ali as tropas de assalto germânicas enfrentram a artilharia dos franceses e britânicos – e depois dos norte-americanos, em 1918 – em 'batalhas de atrito' tais como as de Marne, Verdun, Somme, Arras, Ypres e Amiens. Então, em 1940, a 'guerra de movimento' impedia a 'guerra estacionária', pois as defesas francesas não tinham tempo para estabelecer um 'sistema de trincheiras', uma vez que eram atacadas por cima!

Foi justamente para evitar as batalhas de desgaste – tão sangrentas na Grande Guerra – que positivamente pouco conquistavam além de alguns quilômetros quadrados de terra arrasada, que os comandantes alemães tudo fizeram para manter a 'guerra em movimento' sem dar tempo aos inimigos para montarem sistemas defensivos. Parar a ofensiva era submeter-se ao contra-ataque. Atacar sempre – era a ordem na Blitzkrieg.

Assim, os panzer avançam para o sul, deixando a tarefa para a infantaria alemã de enfrentar as resistências da infantaria francesa. Enquanto a artilharia não 'dava cobertura', este esforço era mantido pela Luftwaffe, sempre a bombardear os 'focos de resistência'.

O movimento constante leva os blindados da 7ª Panzerdivision, do General Rommel, a cruzar o rio Somme à altura de Le Havre, enquanto o rompimento da Linha Weygand é competado em 7 de junho, quando as tropas invasoras seguem rumo a Rouen, no rio Sena, ao norte de Paris, de onde o Alto Comando francês ordena uma retirada geral em 8 de junho.

Em 10 de junho, os blindados de Rommel situam-se na linha de Fécamp (costa do Canal da Mancha) onde envolvem o X Exército francês, na linha defensiva derradeira. Nisso, a Linha Maginot é contornada e atacada pelos flancos e retaguarda. Enquanto isso, ao sul, na região dos Alpes, e na Côte de Azur, ou Riviera francesa, nas costas do Mar Mediterrâneo, nota-se um movimento de tropas italianas, enquanto ainda se ouvem os ecos do discurso do ditador fascista Mussolini, em sua declaração de guerra. [Em próxima postagem, falaremos da Itália na Guerra.]

Empurrados para a Capital, os franceses descobrem que os dirigentes preparam-se para abandonar a 'cidade luz', rumo a Bordeaux, enquanto novas lideranças se destacam. É neste momento que se iniciam as conversações entre Churchill e o militar Subsecretário da Defesa, o General De Gaulle.

No gabinete francês de 15 de junho, no momento de uma importante votação a decidir o futuro da República francesa, 6 votos são dados a favor da resistência, enquanto 13 votos – inclusive do Marechal Pétain! (2) - são favoráveis à capitulação. Como poderiam os soldados prosseguir na luta se os próprios líderes não acreditavam mais na vitória? Eis a desmoralização, a Queda da França.
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Notas:

(1)Em 15 de maio, o Marechal do Ar, H. Dowding convenceu o primeiro-ministro W Churchill a não enviar mais aviões para a França.

(2)O Marechal Pétain foi um dos líderes da resistência francesa e aliada na Grande Guerra e um dos símbolos da vitória de 1918. Era surpreendente o seu voto a uma capitulação. Mas, segundo os historiadores, o Marechal preferia um 'governo forte' pró-nazista do que uma resistência que poderia levar à um caos e assim abrir brechas para uma 'subversão' comunista. Em Vichy, o Marechal assumiria o governo colaboracionista.
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por Leonardo de Magalhaens
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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Avanço alemão no Oeste - maio/junho 1940






trechos do DIÁRIO DE BERLIM
de W. Shirer
trad. Alfredo C. Machado
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[1940]

BERLIM, 31 de maio

Parece que a Itália está-se aproximando cada vez mais do dia da decisão – a de entrar na guerra ao lado da Alemanha. Hoje, Dino Alfieri, o Embaixador Italiano, entrevistou-se com Hitler no Quartel-General deste último.

Fazem hoje três semanas que Hitler lançou seus exércitos contra a Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França, num desesperado esforço destinado a abater os Aliados de um só golpe. Até aqui, decorridas estas três semanas, somente conseguiu sucesso para as suas Armas. O que lhe custaram esses sucessos em homens e materiais, não o sabemos ainda. Mas, o que se segue é a lista das vantagens obtidas nestes vinte e um dias;

1)Dominou a Holanda e obrigou o Exército Holandês a capitular.
2)Dominou a Bélgica e obrigou o Exército Belga a fazer o mesmo.
3)Avançou pelo extremo sul da Linha Maginot, ao longo de uma frente que se estende por mais de trezentos e vinte quilômetros, de Montmédy a Dunquerque [Dunkirk].
4)Desbaratou os 1º, 7º e 9º Exércitos Franceses, que ficaram inteiramente isolados quando um exército alemão conseguiu abrir caminho entre eles e avançar até o mar.
5)Desbaratou a BEF [Força Expecidionária Britânica], que está também cercada. Uma parte das tropas inglesas, pelo menos, está evacuando de Dunquerque [Dunkirk], a bordo dos seus transportes. Mas como exército a BEF está aniquilada, pois não pode levar na retirada os seus tanques-canhões e suprimentos.
6)Conseguiu conquistar os litorais da Holanda, Bélgica e França, sobre o Canal da Mancha, que lhe servirão de trampolim para uma invasão da Inglaterra.
7)Ocupou as importantes minas de carvão e centros industriais da Bélgica e do norte da França.
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Em minha irradiação [transmissão radiofônica] desta noite, disse o seguinte: “Não resta a menor dúvida de que os alemães venceram um primeiro round feroz. Mas, até agora, ainda não se registrou o nocaute fatal. E a luta continua.

[...]

BERLIM, 4 de junho

Acabou-se a grande batalha da Flandres [região entre França e Bélgica] e de Artois. O Exército Alemão entrou hoje em Dunquerque [Dunkirk], entregando-se o remanescente das tropas aliadas – cerca de quarenta mil homens. O Alto Comando Alemão, num comunicado oficial, diz que essa batalha passará à História como “a maior batalha de destruição de todos os tempos”. As perdas alemãs durante a ofensiva na frente ocidental, tal como foram hoje publicadas, são as seguintes: mortos – 10.252; desaparecidos – 8.467; feridos – 45.523; aviões perdidos – 432. Esses números são realmente espantosos. Apenas há três dias, os militares deram-nos a entender que a lista das perdas alemãs seria publicada dentro em pouco e que dela constariam aproximadamente de 35 a 40 mil mortos e de 150 a 160 mil feridos. Mas a maioria dos alemães acreditará piamente em qualquer cifras que lhes forneçam.

O mesmo comunicado refere-se também às perdas aliadas: 1.200.000 prisioneiros, inclusive belgas e holandeses. E toda uma esquadra destruída, inclusive cinco cruzadores e sete destroyers afundados, além de dez cruzadores e vinte e quatro destroyers avariados. O Alto Comando afirma ainda que a Marinha Alemã não perdeu uma única unidade.

Paris anuncia que se registraram 50 mortos e 150 feridos em consequência dos ataque aéreo alemão de ontem. A BBC afirma que os parisienses estão clamando por vingança. Mas nenhum avião aliado apareceu ontem sobre Berlim; nenhum ainda esta noite...

[...]

BERLIM, 6 de junho

Hoje, repicaram todos os sinos das igrejas de Berlim, que amanheceu embandeirada por ordem de Hitler para comemorar a vitória da Flandres. Entretanto, era impossível notar qualquer contentamento especial do povo. Nenhuma emoção, qualquer que fosse. Na grandiosa proclamação dirigida ao Exército e ao povo, Hitler anunciou que hoje estava sendo lançada uma nova grande ofensiva no ocidente. Até aqui não se sabe de nenhum detalhe dessa operação, mas a BBC anuncia que essa ofensiva está sendo lançada ao longo de uma frente de 200 quilômetros, que se estende de Abbeville a Soissons, concentrando os alemães a sua maior pressão sobre a área do canal Somme-Aisne.

Ouvir dizer que os Aliados têm bombardeado Munich e Frankfurt estas últimas noites. Mas em Berlim nunca se diz coisa alguma desses ataques inimigos. E até agora ninguém aqui sentiu a guerra.
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Trechos do DIÁRIO DE BERLIM
do jornalista norte-americano William Shirer
(depois seria autor de A Ascensão e a Queda do III Reich)
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Retirada Aliada - Operação Dínamo (Dunkirk)





Retirada aliada

Com o fracasso do contra-ataque em Arras, os britânicos logo perceberam que não haveria outra escapatória senão a costa do Canal, e passaram a recuar para Calais, Ostende e Dunkirk.

Enquanto as tropas alemães contornavam o litoral, em avanço por Montreuil e Bologne, até o Estreito de Dover. Completava-se o cerco aos Aliados, prensados contra o litoral. Esse cerco foi inicialmente explorado para efeitos de abater o 'moral' das tropas na defensiva,
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Camarades!
Telle est la situation!
En tout cas, la guerre est finie pour vous!
Vos chefs vont s'enfuir par avion.
A bas les armes!
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British Soldiers!
Look at this map: it gives your true situation!
Your troops are entirely surrounded -
stop fighting!
Put down your arms!
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A leaflet dropped by the German Luftwaffe into the 1st Battalion's area during their retreat from Dunkirk.
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Eis o panfleto alemão jogado nas linhas aliadas, junto a costa do Canal da Mancha (ou Pas de Calais) a dizer aos franceses: “Camaradas! Tal é a situação! De todo modo, a guerra acabou para vocês! Vossos chefes fogem de avião. Abaixem as armas!” e aos britânicos: “Soldados Britânicos! Olhem o mapa: aqui a verdadeira situação! Vossas tropas estão inteiramente cercadas – parem de lutar! Abaixem suas armas!”

O tom dos enunciados é visivelmente diferente: os franceses são os “camaradas”, os franceses são traídos pelos “chefes”, enquanto os “soldados britânicos” recebem um comunicado formal, olhem para o mapa, um dado objetivo e frio. Desde o início os alemães fizeram de udo para dividir o esforço conjunto de franceses e ingleses, velhos inimigos de outras guerras. Os alemães diziam, mordazes, que “os ingleses lutariam até o último francês!” Porque todos sabiam que as forças francesas eram superiores às forças britânicas – e alemães. Maior que o exército francês somente havia o russo, do outro lado do continente.
22-24 de maio – Hitler detem o avanço das vanguardas Panzer
As Panzerdivisionen sob comando de Guderian foram detidas no avanço para Dunkirk. Porque exatamente? Existem várias explicações para esta 'hesitação' ou até mesmo 'erro estratégico'.

O Führer alegava dois motivos: 1/terreno instável, impróprio para o avanço de blindados, que poderiam se atrasar, mais lentos, e sofrerem ataques de flanco. 2/a excessiva vantagem dos Panzer em relação ao resto das tropas – infantaria e artilharia.

Mas alguns historiadores alegam que a decisão do ditador nazista foi mais uma 'tática política', pois ao evitar o total esmagamento das tropas aliadas (principalmente das britânicas), ao deixar que fugissem através do Canal da Mancha, via porto de Dunkirk, o Führer manteria uma possibilidade de negociação com os líderes ingleses. Se era mesmo essa a motivação, então Hitler ainda não estava em 'guerra total'.

No dia 24 de maio, Hitler frustrou, através da ordem de alto, às divisões blindadas a possibilidade de que a Wehrmacht completasse o aniquilamento das forças britânicas. Seu grave erro traria influência decisiva no desenvolvimento posterior da guerra.”
fonte: A Segunda Guerra Mundial . Ed. Codex, 1965.

Em suas Memórias da guerra, “Memoirs of the Second World War”, W. Churchill não menciona qualquer possível 'decisão política' por parte do ditador. Acreditava o Primeiro-ministro nas razões militares: terreno impróprio e avanço dos blindados, sem a infantaria. E acrescenta que a 'honra' de liquidar os aliados fora dada não ao Exército, mas a Aviação [Luftwaffe].

Realmente, o arrogante Göring havia garantido que a Luftwaffe poderia impedir a fuga dos Aliados. Realmente, os estragos causados pelos Stukas foram imensos. Cidade demolida e embarcações afundadas. Mas mesmo assim cerca de 338 mil soldados – britânicos e franceses – foram resgatados de 27 de maio a 4 de junho.

Segundo Churchill, toda a glória recai sobre a eficiência da Royal Air Force RAF, a força aérea britânica, mantendo a defesa aérea, enquanto os mais diferentes tipos e tamanhos de embarcações se aproximavam das praias para o embarque apressado dos soldados, que deixaram todo o equipamento pesado na retaguarda. (Foi realmente impressionante a perda de material bélico dos Aliados.)

28 de maio – a rendição dos belgas do Rei Leopoldo

Com a rendição das tropas belgas, os Aliados perderam todas as posições ao norte – Holanda e Bélgica – e recuaram para a costa do Canal – principalmente Ostende, antes de seguirem para Dunkirk, onde conseguiram embarcar no início de junho. Outras tropas, principalmente francesas, recuaram para o rio Somme, complentando assim a divisão dos Aliados – o que facilitou o avanço da infantaria alemã, logo após os blindados e caças de mergulho (Stukas).
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por Leonardo de Magalhaens

sábado, 22 de maio de 2010

Ofensiva alemã - Rotterdam - Batalha de Arras






Maio de 1940 – Ofensiva no Ocidente

Invasão alemã da Holanda, Bélgica,
Luxemburgo e França
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Em maio de 1940, o noroeste da Europa viu-se sob uma precipitação de fogo e metralha. Mesmo ainda atuando no cenário de guerra nos fiordes da Noruega, o Alto Comando alemão voltou suas atenções para os campos já ensopados de sangue durante a Grande Guerra [depois chamada de Primeira Guerra Mundial, pois de fato iniciava-se a Segunda] com a ofensiva desencadeada pelo Caso Amarelo [Fall Gelb].
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Ofensiva alemã

Em 10 de maio, aviões de transporte da Luftwaffe despejaram tropas de paraquedistas sobre os campos dos Países Baixos [Holanda] e Bélgica, a causarem impacto com semelhante tática – tropas aerotransportadas – enquanto os caças atacavam as linhas defensivas dos exércitos aliados – principalmente os belgas e franceses. Enquanto isso, a Força Expedicionária Britânica (BEF), comandada pelo General Lord Gort (John Vereker, 1886-1946) movia-se para a fronteira holandesa, em movimento de flanco.

De acordo com os planos anteriores dos alemães – sendo que alguns documentos haviam caído antes em mãos da inteligência aliada [em janeiro, na Bélgica, um oficial alemão sofreu um acidente aéreo, e não teve tempo de queimar os documentos que levava consigo, mais detalhes ver “Incidente Mechelen”] - a ofensiva teria um impacto maior sobre os territórios nederlandês e belga, quase uma 'repetição' do Plano Schlieffen [aquele da Grande Guerra], o que levou a uma concentração de tropas aliadas ao norte.

Contudo, as forças blindadas [Panzerdivisionen], sob o comando do General Guderian [1888-1954] visavam atravessar uma área de difícil acesso, a grande Floresta das Ardenas ['Ardennes' ou 'massif ardennais'], rumo ao rio Meuse e na direção da cidade francesa de Sedan [local célebre pela derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana de 1870]. Assim, poderiam sair na área francesa em local não esperado – e portanto debilmente defendido.

Foi o que aconteceu! Enquanto os aliados corriam para o norte – Países Baixos e Bélgica – os alemães davam uma outra volta, no meio de uma região inóspita, e saíam num ponto estratégico a sudeste ! Tudo fazia parte de um outro plano do Alto Comando alemão, apresentado pelo oficial Manstein e adaptado pelas 'intuições' do ditador Hitler. O Plano Manstein [que Churchill chamava de 'sickle cut', 'golpe de foice', 'coup de faucille', Sichelschnitt] apresentava um 'arco' inverso ao de Schlieffen – pois partia do noroeste seguia para o oeste e desviava para o norte, até as costas do Canal da Mancha.

O que provocou? O envolvimento das tropas aliadas. Pois enquanto se moviam para o norte, as vanguardas dos franceses e dos britânicos não percebia um movimento na retaguarda. Manobra que poderia isolar as tropas das bases no Canal e da capital francesa, Paris. Este movimento somente poderia ser evitado de duas formas – ou ambos os modos juntos – com o ataque para o sul, para dispersar as vanguardas alemãs (basicamente de blindados, e pouca infantaria) e bombardear aéreo contra as linhas de abastecimento das tropas alemãs.

Mas veremos que os aliados – apesar de manobrarem com tanques tão potentes quanto os germânicos – não conseguiram estabelecer uma tática conjunta para fazer uma 'cunha' entre as tropas invasoras. E quanto aos aviões, realmente os aliados não poderiam contrabalancear a força inicial da Luftwaffe, com seus quase 6 mil aeroplanos – bombardeiros e caças, com destaque para os enormes Heinkel, os transportes Junkers , os caças Messerschmitt e os bombardeios de mergulho Stukas (Junkers JU 87).
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O Bombardeio de Rotterdam
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A desprotegida cidade portuária holandesa de Rotterdam foi severamente atacada entre 10 e 14 de maio de 1940, com a invasão das tropas aerotransportadas, sob o comando do General Kurt Student [1890-1978].

Os comandantes alemães ameaçaram os holandeses com promessas de terrível destruição, visando assim acelerar a rendição dos Países Baixos. Conseguiram a rendição, mas não desistiram de mostrar 'força da guerra moderna', e Rotterdam seria condenada – como um 'aviso' aos inimigos da supremacia nazista!

Após vencerem em Rotterdam, em 14 de maio, as tropas alemãs ocuparam os arredores, enquanto um esquadrão de bombardeios preparava um dos maiores ataques já testemunhados pelas populações civis – únicos paralelos eram ainda Guernica [abril de 1937] e Warsaw [Varsóvia, setembro de 1939]
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imagens de Rotterdam arrasada
em http://www.zum.de/whkmla/documents/rotterdam/xrotterdam1940.html
video sobre a invasão da Holanda (Países Baixos)
http://www.youtube.com/watch?v=SSycLky3zGs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=iJQL8qXAXoA&feature=related
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Contra-ofensiva aliada – A Batalha de Arras
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Enquanto as tropas alemãs seguiam a toda velocidade para o Canal da Mancha, os aliados – principalmente os britânicos, trataram logo de frear ou dividir as tropas invasoras. Assim, os blindados comandados pelo General Rommel [ainda não celebrizado, tendo no currículo a derrota dos italianos na Batalha de Caporetto, outubro-novembro de 1917, durante a Grande Guerra ] enfrentaram tropas britânicas com reforço blindado [tanks Matilda] nos arredores de Arras, cidade francesa já celebrizada por tanto sangue derramado na Primeira Guerra Mundial [abril-maio 1917; e agosto 1918 ].

Realmente foi uma 'batalha de tanques' onde os panzers enfrentaram os Matilda e os alemães somente conseguiram vencer quando usaram canhões de artilharia anti-aérea [88 mm Flak] apontados para os tanques britânicos! [Lição aprendida e aplicada pelas tropas do Afrika Korps um ano depois...]

“Os tanques britânicos conseguiram superar facilmente as unidades da vanfuarda de Rommel e destruíram as baterias antitanques, que tentaram deter seu avanço. Os canhões alemães eram de calibre reduzido e não podiam perfurar as grossas couraças dos tanks Matilda, alguns dos quais chegaram a receber até 15 impactos, sem sofrer danos. Diante dessa crítica situação, Rommel ordenou o fogo de poderosos canhões antiaéreos de 88 mm, que conseguiram paralisar o avanço dos tanks. Mas, os alemães já haviam perdido cerca de 500 soldados, 40 tanks e uma centena de caminhões.

Ao cair da tarde, o general Martel ordenou que suas forças se entrincheirassem em duas localidades distantes alguns quilômetros de Arras. Logo em seguida, a Luftwaffe lançou um ataque de esquadrilhas Stukas e, mediante bombardeio incessante e demolidor, conseguiu desalojar os britânicos das suas posições. Era o momento que Rommel aguardava. Rapidamente, movimentou os seus veículos blindados e atacou em campo aberto as forças inglesas em retirada, infligindo-lhes perdas sangrentas. Ao cair da noite, a batalha havia terminado. Os ingleses se encontravam novamente em Arras, seu ponto de partida.”

fonte: A Segunda Guerra Mundial. Ed. Codex, 1965.
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por Leonardo de Magalhaens
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fontes:
Grandes Crônicas da Segunda Guerra Mundial.
Rio de Janeiro, Seleções Reader's Digest, 1969, 3v.
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CHURCHILL, Winston. “Memoirs of The Second World War”. 1959
(“Memórias da Segunda Guerra Mundial”, 1995,
trad. Vera Ribeiro. Nova Fronteira, 1995 )
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McINNIS, Edgar. História da II Guerra Mundial - 1939-1945.
6v. Porto Alegre, Globo, 1956.