domingo, 21 de fevereiro de 2010

Guerras Civis - embates de Ideologias


Guerras Civis

(aspectos ideológicos)

Guerra civil foi especialmente radical em países onde a Esquerda (ou melhor: os favoráveis a Democracia Social), era mais forte, com seus movimentos sociais, sejam com esforços de socialistas, comunistas, anarquistas, social-democratas, etc.

Encontramos o exemplo da Alemanha logo após a Primeira Grande Guerra (1914-1918) com a criação de conselhos de soldados e operários, nos moldes dos Soviets russos, que organizaram o 'caos' durante a queda da Monarquia germânica, enquanto parte do Exército apoiava os Guardas Brancos na Finlândia (1918) contra a Guarda Vermelha (apoiada pelo Exército Vermelho russo). Assim, a Guerra Civil finlandesa mostrou-se uma cisão entre russófilos e germanófilos, além de revolucionários e reacionários. Foi um conflito mais brutal na região sul e sudeste da Finlândia – região de forte industrialização e grande população – com destaque para a Batalha de Tampere (1918)

A mesma polarização – revolucionários e reacionários – mas então comunidtas X fascistas – ocorreu na Guerra Civil espanhola (1936-1939) com os reacionários, monarquistas, falangistas recebendo o apoio de infantaria italiana e aviação alemã (ambos de governos fascistas-centralistas-imperialistas) , enquanto os legalistas, os republicanos, os liberais, os socialistas, os anarquistas combatiam com as próprias forças, e os comunistas recebiam apoio soviético (nem vamos comentar as políticas bizonhas de Stálin), e as potências ocidentais ditas liberais e democráticas nada fizeram para interferir – exceto que muitos cidadãos volutnariamente se inscreveram nas Brigadas Internacionais e foram combater em prol da Democracia liberal (ou da Democracia Social) na Espanha.

Também a Itália quase sofreu uma 'guerra civil' na década de 20, com os embates entre socialistas, comunistas (estalinistas e trotskistas), anarquistas contra os fascistas – muitos saídos das fileiras do sindicalismo e do socialismo (como é caso do próprio Mussolini). Traidores dos movimentos proletários não faltaram nesse triste década de 20 – na Europa – que foi encerrada ainda mais tragicamente com a Quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

Depois da Primeira Grande Guerra – que colocou proletários contra proletários – os movimentos sociais perceberam que não poderiam competir com os sistemas de produção capitalista. Perceberam que expansão e internacionalismo da luta anti-capitalista era essencial para o fortalecimento do socialismo, que não poderia ser um 'sistema' de competição com o capitalismo, mas precisaria substituir a 'competição' pela ' cooperação' – daí a proliferação de cooperativas, empresas com auto-gestão dos próprios operários, sistemas de apoio mútuo, uma previdência não estatal, mas descentralização entre os grupos de proletários, etc.

Contudo, com as expansão dos movimentos sociais, os burgueses e monarquistas reacionários logo reagiram, também 'polarizaram', e o foi o que bastou para AMBOS OS LADOS radicalizarem. Tanto direita quanto esquerda realizaram barbaridades vergonhosas. Mas os mais 'brutais' – os reacionários – venceram.

Os socialistas (termo amplo que pode incluir tanto anarquistas quanto comunistas)(*) não venceram porque não foram tão brutais quanto os reacionários – sejam monarquistas, burgueses, fascistas, etc – sendo estes centralziados e hierarquizados, enquanto aqueles, os socialistas, eram descentralizados e sem liderança. (Aliás, falar em 'líder' anarquista, p.ex., não faz sentido...)

Os monarquistas finlandeses - Guardas Brancos - receberam apoio dos monarquistas alemães, enquanto os falangistas espanhóis receberam apoio dos fascistas italianos e alemães – que haviam sufocado as revoluções em seus próprios países (Mussolini marchou para Roma em 1922, e a revolução alemã foi sufocada em 1923 ).

A Alemanha não tivera 'revolução burguesa' (não ao estilo da francesa, de 1789 a 1799), mas uma 'unificação' (1870/71) por vias militares, sob hegemonia prussiana, numa união de nobres e burgueses contra proletários, em processo arquitetado de 'cima-para-baixo' (bem ao estilo antiparlamentarista de Bismarck), e a mesma Alemanha sufocou a possível 'revolução proletária' – na forma de vários comitês de operários, como é o exemplo da República Soviética da Bavária - que poderia internacionalizar o socialismo e evitar o nacionalismo russo na forma de “estalinismo” (nada mais que 'golpe napoleônico' dentro do próprio Bolchevismo, com a revolução 'devorando seus filhos', e dando lugar para os burocratas partidários da Nomenklatura...)

Assim, a vitória da República de Weimar – com discurso social-democrata, mas favorável aos monarquistas – sobre os movimentos socialistas e comunistas nada mais nada menos que 'pavimentou' o caminho para o Nazismo (dito: Nacional-Socialismo, onde a incoerência começa no nome), quando a Direita – após mastigar a Esquerda - engoliu o Centro.

Na Itália, o ex-socialista Benito Mussolini marchou sobre Roma com um conjunto de militares, populistas, corporativistas, ex-sindicalistas, etc, e obigou a Monarquia a aceitar uma diarquia (poder duplo) Rei – Duce. Governo que se radicalizou eliminando a oposição de Esquerda e de Centro, e colocou os italianos numa guerra total contra os franceses, os anglo-americanos e os russos.

Então por que os russos vermelhos venceram na Rússia? Primeiro, a Primeira Grande Guerra desestabilizou o Tzarismo (Czarismo). Segundo, a experiência dos Sovietes era mais consolidada, a ponto de ser um poder paralelo ao Governo Provisório de Kerenski, claramente burguês e liberal. Terceiro, quando Lênin resolveu levar a revolução adiante – radicalizando em outubro de 1917 – ele foi obrigado a estabilizar o governo novo (do Partido Comunista) como um 'centralismo' – um eufemismo para Ditadura – e decretar de 'cima-para-baixo' – Lênin incorporou uma prática de Bismarck – e apenas afastou os social-democratas, os socialistas-revolucionários e os anarquistas – criando uma 'ditadura do Partido', a vanguarda, que dizia implantar uma 'ditadura do proletariado' (segundo os conceitos de Marx)

E os Bolcheviques venceram os Guardas Brancos porque foram mais 'centralistas' – e por que não dizer tudo? - mais 'brutais' que os 'Brancos'. Olho por olho, dente por dente. Obviamente, disso não poderia sair um Socialismo.

Na Rússia criou uma ditadura unipartidária, centralista e estatista, que mais prejudicou o movimento operário (e os movimentos sociais em geral) do que realmente ajudou. A prepotência de Lênin criou uma divisão entre leninistas e outros socialistas (p.ex. os que seguiam Rosa de Luxemburgo), e a ascensão de Stálin – contra os demais figurões do Partido – criou uma cisão “Estalinistas” versus “Trotskistas”. Nessa divisão, os 'comunistas' se prejudicaram, como é visivel o exemplo trágico da Guerra Civil espanhola.

jan/fev/10

Leonardo de Magalhaens

nota:

(*)o termo 'socialista' é visivelmente ideológico, refere-se aos apoiadores da Democracia Social de forma ampla. Pois encontramos comunistas que se dizem 'socialistas', mas nem todo socialista é comunista; assim como existem os anarquistas que se dizem 'socialistas', mas nem todo socialista é anarquista. E socialista não significa exatamente 'anti-capitalista' (outro termo amplo e genérico) pois um fundamentalista islâmico pode ser 'anti-capitalista' e ser nada 'socialista'. Nem significa que o 'socialismo' seja 'ateísmo', pois muitos se dizem 'socialitas cristãos', ao proclarem Cristo como um libertário, combatendo pelo social, em contraponto a imagem hierárquica dos líderes religiosos (principalemente, o catolicismo com o centralismo da Santa Sé/Vaticano)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Drôle de Guerre - 'os homens não merecem a paz'






dezembro/ 1939



segunda-feira, 18



"Os homens, dizemos – afirmava Maheu em sua última carta -, não merecem a paz. É verdade. Verdade no sentido simples de que eles fazem a guerra. Nenhum dos homens atualmente mobilizados (sem exceção de mim, naturalmente) merece a paz, porque se a merecesse realmente não estaria aqui. - Mas pode ter sido obrigado, forçado... Tá tá tá: ele era livre. Compreendo que ele partiu acreditando que não tinha outro remédio. Mas essa crença era decisória. E por que ele decidiu assim? Aí reencontramos os móveis e a cumplicidade. Por inércia, fraqueza, respeito pelo poder, medo de uma condenação – porque calculou as possibilidades e concluiu que arriscava menos obedecendo do que resistindo – por gosto pela catástrofe – porque sua vida não o prendia bastante (nesse sentido, melhorar sua vida, tanto quanto o permite a natureza do objeto, significa trabalhar pela paz. Conheci alguns que, por terem tido insucesso no casamento, declaravam, em outubro de 1938, que encaravam a guerra com indiferença, sem parecer compreender que sua situação de homens históricos dava peso e consequência a essa indiferença e que ela facilitava o início da guerra – não por fazê-la eclodir, mas por serem cúmplices ) - porque precisava de um grande cataclismo para cumprir sua profissão de homem – por importância, idiotice, ingenuidade, conformismo – por pavor de pensar livremente – porque era um galo de briga. Por isso, na guerra não há vítimas inocentes. Se as houvesse, aliás, elas recomeçariam a guerra por sua própria conta usando mil modos para se tornarem cúmplices no detalhe da sua vida militar. De modo que o mito da redenção adquire aqui toda a sua força moral: a natureza da historicidade é tal, que só cessamos de ser cúmplices tornando-se mártires. Só não merecem a guerra os homens que aceitam o martírio pela paz. Só eles são inocentes, pois a força de sua recusa é bastante grande para suportarem o infortúnio e a morte. Assim, é verdade que, aceitando as consequências da sua recusa, eles sofrem inocentes pelos outros. Não existe, pois, outro modo de assumir nossa historicidade senão tornando-se mártires e redentores. (...)"


Jean-Paul Sartre




trad. Aulyde Soares Rodrigues / 1983

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Drôle de Guerre - a paz-guerra






Drôle de Guerra

trechos do Diário de Jean-Paul Sartre

trad. Aulyde Soares Rodrigues / 1983


terça-feira, 5 dezembro /1939

“... eu anoto as passagens principais de um artigo
de X. publicado na Revue des Deux Mondes de
15 de agosto de 1939: “A Paz-Guerra”.

... “O conceito clássico da guerra conduz, portanto, a
uma forma de conflito que não corresponde às
possibilidades e às necessidades da Europa, atualmente.
A Europa, na verdade, não se refez ainda dos inconvenientes
de todo tipo provocados pela Grande Guerra. Precisa de
paz para se refazer e reorganizar sua economia em
função dos meios modernos de produção... Por outro lado,
a opinião pública, na maior parte das nações europeias,
recusa-se instintivamente a aceitar a ideia da guerra...
Essa convicção é um fato capital peculiar da nossa época.”

...

“Assim, essa repugnância pela guerra total, por uma
transformação surpreendente, autoriza o emprego da
violência que ultrapassa nitidamente as regras da tradição
diplomática... Já não é a paz e ainda não é a guerra que
conhecíamos, mas um estado intermediário que chamaremos
de paz-guerra.

“A paz-guerra repousa na ideia de aproveitar o temor da
guerra-catástrofe para exercer pressões mais enérgicas
do que antigamente, evitando criar uma tensão suficiente
para levar o inimigo à guerra total.

“O primeiro elemento de toda combinação consistirá,
portanto, em avaliar o ponto crítico além do qual o
adversário preferirá a guerra total à capitulação.

“Procedimento característico: guerra política, isto é,
intervenção na política interna do país adversário. Atacam-se
assim diretamente os centros nervosos dos quais depende
a capitulação. (Ludendorff, guerra total: a coesão anímica
da nação é fator essencial da vitória.)” (...)

...

Lendo agora o diário de Sartre, é possível perceber o quanto
o artigo citado está correto.

Pois os Nazistas adotaram justamente estas diretrizes de
'ataque interno' com as 'quintas colunas' alojadas dentro
dos Estados-Nações que eram alvo de ações militares.
Vide o traidor Vidkun Quisling na Noruega, vide a ação
dos franceses reacionários, fascistas, que pregavam o fim da
democracia, ou então os grupos de fascistas de Oswald Mosley
na Grã-Bretanha, que eram favoráveis às negociações com o
Führer Hitler e o temível III Reich.



Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/


Vídeos

domingo, 24 de janeiro de 2010

Prévias da WW2 - A Guerra Civil Espanhola






Guerra Civil Espanhola (julho 1936 – abril 1939)

Se o General Franco e os militares rebeldes esperavam
derrubar a República com um 'golpe de Estado' estavam
eles um tanto enganados: os espanhóis democratas
resistiram ao avanço fascista, contando com forças de
esquerdas (nem todas democratas, como os comunistas
e anarquistas), o que gerou um conflito de vastas
proporções, sendo lento e sangrento. E exigiu apoio de
estrangeiros: voluntários das Brigadas Internacionais,
forças alemãs, italianas e soviéticas.

Cerca de um milhão de espanhóis – além de voluntários,
de ambos os lados, vindos de outras nações – perderam
a vida nas batalhas e nos massacres de civis. Uma luta
ideológica feroz e sem quartel – contando com o apoio da
infantaria italiana e da aviação alemã (no lado reacionário)
e com a artilharia e forças blindadas soviéticas (no lado
comunista)

Houve radicalismo de ambos os lados – e poucos democratas
foram ouvidos. A República não foi mantida devido ao
ataque externo – os falangistas e monarquistas – e interno –
pois os comunistas e anarquistas não queriam nem República
nem Monarquia, mas sistemas sociais alternativos, a 'ditadura
do proletariado' OU a 'livre autonomia', respectivamente.
(Lembrar do 'racha' entre os próprios comunistas: divididos
entre 'estalinistas' e 'trotskistas'.)

A luta se arrastou – com cidades e vilarejos ora em mãos
fascistas ora em mãos republicanas – que vingavam-se
vergonhosamente quando da re-conquista. (Ambos os lados
se julgavam numa 'cruzada' – onde tudo era permitido e
tolerado, desde que se conquistasse a 'vitória') Assim, os
esquerdistas (republicanos e anarquistas) matavam religiosos,
e os falangistas assassinavam sindicalistas, líderes camponeses,
artistas (o poeta Lorca é um triste exemplo), os comunistas
atacavam anarquistas, em suma, o caos social, uma das
guerras fraticidas mais vergonhosa que o ser humano
pôde testemunhar. (E foi testemunhada! Lá estavam os
escritores Ernest Hemingway, André Malraux, George Orwell,
Pablo Neruda, Saint-Exupéry, além do fotógrafo Robert Capa)

As forças de 'direita' venceram pois souberam se unir apesar
de suas diferenças, enquanto as 'esquerdas' lutaram entre si,
apesar de suas semelhanças: desejavam mais JUSTIÇA
SOCIAL, porém sendo radicais, não souberam apoiar a
democracia republicana (ainda que fosse burguesa), que caiu
aos pés da ditadura fascista do General Franco, militar rebelde.

Além disso, o 'jogo duplo' do ditador Josif Stálin (que não era
nem socialista, nem comunista, mas um sedento pelo poder,
exercido junto com uma burocracia oportunista) acabou por
fraturar a 'esquerda radical', incapaz de construir uma
alternativa às forças reacionárias, que restauram as castas e
injustiças de renda e de decisão, fortalecendo o regime de
exceção.

(Repetiu-se o que aconteceu na Alemanha: os radicais
comunistas se mostraram contrários a República de Weimar,
burguesa e social-democrata, que usou as forças direitistas
para sufocar os esquerdistas, que por fim, se viram sob
um regime ainda pior: o Nacional-socialismo (sic!) de
Adolf Hitler, um monstro a se esconder sob a pele de médico.)
mais sobre a Guerra Civil Española :::::::::

sábado, 16 de janeiro de 2010

A Itália imperialista / Guerra na Etiópia





A Itália estava preparada para a Guerra?

Já analisamos o fenômenos dos Fascismos (vejam o
blog http://leonardomagalhaens.zip.net/ ) enquanto
sistema político e econômico, e suas causas e
consequências sociais e culturais, mas ainda não
abordamos a situação militar da Itália, sob o regime
do ditador, o Duce Benito Mussolini.

A Itália, também atrasada na 'corrida imperialista',
buscava vantagens comerciais e coloniais no norte
da África, atuando na (atual) Líbia, além da Eritreia e
da Somália italiana, e depois na Etiópia (Abissínia).
Os italianos possuíam fortalezas ao longo do Mar
Mediterrâneo, em suas colônias na Tripolitânia e na
Cirenaica, entre as colônias francesas (à oeste) e
inglesas (à sudeste e leste), que usavam como 'rota
estratégica' para avanços ao extremo leste do continente
(nas bordas do Mar Vermelho).

Assim, a Guerra da Etiópia (outubro 1935 a maio 1936)
foi apenas mais um passo imperialista da Monarquia
italiana aliada ao interesses burgueses de dominação
econômica e territorial. Nada diferente do que faziam a
Grã-Bretanha e a França, exceto o detalhe: o 'imperialismo'
já tinha péssima imagem (assim os retardatários Itália e
Alemanha – além de Japão – precisaram fazer guerra
para conseguir algum espaço meio aos Impérios britânico
e francês.)

Sabemos que o Fascismo italiano foi um populismo aliado
à Monarquia e ao Exército, no sentido de abafar os
movimentos populares de Esquerda – social-democratas,
socialistas e comunistas, além de anarquistas – e manter
a aliança burguesia-monarquia, não que através de uma
'diarchia' Rei – Duce. O Rei Vittorio Emanuele III cedia o
governo ao ditador Mussolini, para sufocar as manifestações
'subversivas' que clamavam por justiça social. E o Exército –
representado pela velha guarda, p.ex. Emilio De Bono –
garantia a face de 'Ordem' e de 'legalidade' ao novo regime
fascista. (O mesmo representa o apoio do General Ludendorff
ao golpista Adolf Hitler, em 1923
)(1)

Assim o imperialismo exibia sua face claramente militarista
em campanhas no norte da África (e depois seria a tragédia
na Albânia e na Grécia...), além de apoiar as forças direitistas
(falange, monarquistas e católicos) contra os esquerdistas
(republicanos, socialistas, comunistas, anarquistas) na
Guerra Civil Espanhola (1936-39)

Guerra d'Etiopia (3 ottobre 1935 – 9 maggio 1936)


Tropas italianas invadiram a Etiópia (Abissínia) a partir
de posições ao norte (Eritreia) e à leste (Somália italiana)
e avançaram rapidamente, de início, até se defrontarem
com a resistência das tropas do Negus (rei) Hailè Sellassiè,
o que visivelmente atrasou a campanha dos italianos.
(Segundo as fontes disponíveis, as tropas invasoras somavam
330 mil, enquanto os defensores eram cerca de 500 mil)

Com armamentos já obsoletos na Europa, sejam canhões
ou carros armados, as tropas italianas não alcançaram de
imediato a capital Addis Abeba. Em novembro de 1935, o
General Emilio De Bono é promovido a Maresciallo d'Italia e
devia ceder o comando ao General Pietro Badoglio. De Bono
recebe ainda a “Ordine militare di Savoia”. Após a vitória
italiana em Addis Abeba em maio de 1936 é proclamado
o Império.

As perdas italianas totalizaram cerca de 4 mil mortos (sendo
quase mil civis) e os etíopes perderam 275 mil (mortos) e quase
500 mil feridos (a maioria civil). Um massacre – um verdadeiro
massacre! - que aos fascistas soou como a mais bela glória
imperial ! (O que lembra muito os massacres promovidos
pelos britânicos na conquista do Sudan – segundo atestam
os próprios relatos do imperialista Winston Churchill, escritos
em 1898
) (Mas poderiam os italianos enfrentarem exércitos
europeus? Eis a dúvida.)

Para garantir uma posição de força, os fascistas mantinham
o 'fervor militarista' em alta junto ao povo – que adora ficar do
lado de quem está 'vencendo' – e prontamente decidiu intervir
no conflito que então se iniciava na Espanha. Em julho de
1936, o General Franco sublevou os militares rebeldes contra
a Segunda República Espanhola.

Nota:

(1)Ainda que a maioria dos fascistas fosse 'monarquista', muitos
haviam saído de movimentos populares – o próprio Mussolini
teria sido 'socialista' – e não hesitariam em apoiar uma República,
caso houvesse a oportunidade. Mas com o 'arranjo' político feito
com o Rei – após a
Marcha sobre Roma, em outubro 1922 – os
fascistas, como bons oportunistas que são, se tornaram um dos
suportes da Monarquia. Entre os 'monarquistas' pode-se destacar
De Vecchio, De Bono, Ciano, Balbo, etc. Entre os 'republicanos' –
que depois fundaram a efêmera República de Salò, com apoio
nazista – encontraram-se Scorza, Farinacci, Arpinati, Starace,
Pavolini (o Goebbels italiano), dentre outros.

Leonardo de Magalhaens




Videos sobre a Guerra na Etiópia

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Drôle de Guerre: o afundamento do Graf von Spee





Jean-Paul Sartre sobre o afundamento do Graf von Spee

(Diário de uma Guerra Estranhaa Drôle de Guerre)
(Les Carnets de la Drôle de Guerre, 1983)
trad. Aulyde Soares Rodrigues

O escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre foi
convocado, no início da Guerra, para atuar no
serviço de Meteorologia, na Alsácia, e vivenciou
a ‘guerra falsa’ (Drôle de Guerre)

(dezembro/1939)
quarta-feira, 20

O caso Graf von Spee. Prudência e astúcia da
parte dos aliados. Foi anunciado para o mundo
inteiro que o Renown e o Ark Royal esperavam
o navio alemão na saída do porto. Ele ficou com
medo e afundou. O Renown e o Ark Royal estavam
a mil milhas do local. Nas vésperas do nosso recuo
secreto, no começo de outubro: os alemães,
enganados pela resistência de alguns postos
avançados, avançam em campo aberto e são colhidos
por uma chuva de balas. Comparar com os princípios
de 14, o heroísmo, a guerra jogo-franco. Desta vez
fazemos uma guerra de vigaristas, de mentirosos.
Uma guerra contra a honra militar. Os alemães
fazem o mesmo, aliás: suicídio do Graf von Spee.
Hitler diz a Rauschning*: “Tudo o que tenho a fazer
é formar cavaleiros
.” Os jornais franceses, que não
o temem, tiveram a audácia de zombar dele por
causa do abandono do Graf von Spee. Mas era
preciso manter por algum tempo, aos olhos da
retaguarda, a lenda da honra militar. Na verdade
a guerra se faz contra ela [a honra militar], assim
como ela se faz contra a guerra de 14. Será arruinada
para sempre. Felizmente. É certo que sempre houve
estratagemas de guerra. Mas esta pretende usar
somente os estratagemas. Com mais dois ou três
anos desse tipo de guerra, a noção de coragem
estará realcionada com a paz; a noção de covardia,
com a guerra. Aliás, ao que parece, é sob esse
aspecto de tédio sem grandeza que ela é vista
no estrangeiro. Meu aluno Christensen escreveu-me
da Noruega: “Há uma linha Mannerheim que defende
Helsinque. Essa região faz lembrar a guerra de
posições que o senhor conhece. E lá se morre –
pelo menos no sentido figurado – de tédio. Espero,
entretanto, que seus escritos ocupem seu tempo
.”

*Ex-amigo pessoal do Führer, Rauschning voltou-se contra o nazismo. Escreveu Hitler me Disse e A Revolução do Niilismo. (N. do E. francês)


mais sobre o Graf von Spee em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Coura%C3%A7ado_Graf_Spee

http://www.naufragiosdobrasil.com.br/especialgrafspee.htm


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Winter War / Guerra de Inverno (parte 3)






The Winter War
A Guerra de Inverno

parte 3

Em março, com o armistício, os finlandeses acabaram por
ceder aqueles territórios que negaram nas negociações
de outubro e novembro de 1939, ao custo de 73 mil baixas
(mortos, feridos e desaparecidos) – enquanto as
casualidades (feridos, mortos, desaparecidos) russas
são calculadas em quase 400 mil !

A Guerra de Inverno (Winter War) mostrou aos líderes de
todo o mundo a ineficiência da ofensiva russa, e este
péssimo desempenho do Exército Vermelho (Red Army)
causou profundo desprezo em Hitler, que passou a
subestimar as forças armadas da URSS.

O ditador alemão queria 'neutralizar' os britânicos e franceses,
e em seguida iniciar a 'cruzada contra o bolchevismo' (ou a
'conquista do espaço vital') na campanha contra a Rússia.
Em 1940, Hitler, em vários momentos, sondou os militares
do Estado-Maior sobre as possibilidades e preparativos para
uma campanha do outono. Mas os generais disseram ser
um ataque impraticável.

Hitler poderia unir-se com a GBR contra a URSS, ou usar
o Pacto com a URSS numa estratégia anti-britânica. Isso até
a visita de Molotov a Berlim, em novembro de 1940, quando
o Führer percebeu que o 'casamento de conveniência' com
os soviéticos não duraria muito (enquanto Stálin fazia tudo
para que durasse – cumprindo os acordos)

Depois Hitler visita a Finlândia em 1942 , quando do aniversário
do Marechal Mannerheim, em plena Guerra da Continuação,
entre Finlândia e URSS.


mais sobre a Winter War
em http://www.winterwar.com/War%27sEnd/casualti.htm
http://www.kaiku.com/winterwar.html

e também
em http://www.historylearningsite.co.uk/winter_war_1939.htm


por

Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/