terça-feira, 10 de novembro de 2009

Guerra Civil Finlandesa (parte 2)





Guerra Civil Finlandesa

Parte 2

Depois do colapso do Império Russo, na Primeira Guerra
Mundial
, e a eclosão da Revolução Russa, depois
Bolchevique, em 1917, os finlandeses conseguiram manter
uma autonomia em relação aos russos. Tanto os conservadores
quanto os social-democratas desejavam uma emancipação
e lutavam por isto. O modelo de governo que seria instaurado
depois, este era o motivo da discórdia.

Em dezembro de 1917, o governo soviético emite um decreto
para garantir a emancipação da Finlândia, em nome do direito
de auto-determinação dos povos. Antes, o próprio Senado
já elabora uma Declaração de Independência, que não
contou com o apoio dos social-democratas (afinal, seriam
mantidos os privilégios dos senhores feudais, latinfundiários,
e burgueses...)


Numa sociedade cindida por estamentos, desigualdade de
riquezas, concentração de terras, dividida entre nacionalistas,
em pró-suecos, pró-germânicos, pró-soviéticos, uma guerra
civil mais do que eclosão dos conflitos, é um trauma que
atravessa gerações, vitimadas por uma guerra entre irmãos,
sangrando a nação.

Em nome de uma autonomia finlandesa, os senadores
(representantes dos conservadores) nada mais do que
deixaram a nação sob influência alemã (o Império do Kaiser
ainda não havia se rendido), enquanto os Vermelhos
(de socialdemocratas a comunistas) aceitavam o apoio
russo soviético – não muito aceito num país que sofrera
tanto com a 'russificação' imposta pelos czares.

Como garantir a independência da Finlândia sem
deixar o país na órbita Alemanha ou da Rússia? Como
criar um Parlamento democrático que represente as
várias forças políticas da nação? Como articular um
diálogo político entre conservadores e democratas,
entre latifundiários e socialistas? A impossibilidade
de agradar a todos – ou a maioria – cria a radicalização
que explode em conflito. Assim cada lado se arma – na
ausência de um exército nacional – em grupos de
Guardas Brancos e Guardas Vermelhos.

Agressões de lado a lado levam à guerra aberta em
janeiro de 1918, principalmente no sul e sudoeste,
principalmente nas cidades industriais, com maiorias
trabalhistas, socialistas e comunistas. A luta de
classes novamente movendo a História.

Os combates


Um conflito entre ricos e pobres, entre classes sociais,
entre visõespolíticas, não um conflito étnico ou religioso,
foi o que caracterizoua Guerra Civil Finlandesa. Os
nacionalistas desejavam uma distância tanto política
quanto ideológica em relação à Rússia, mas os social-
democratas, os socialistas e os comunistas aceitavam
um apoio russo, em nome do 'internacionalismo' do
proletariado. Como sempre aqueles que possuem armas,
os militares, acendem o estopim. Guardas radicalizaram
as lutas de classes, e assim os radicais de Esquerda
também fizeram.

Ambos os grupos em discórdia recorreram ao uso de
armas e o conflito eclodiu em janeiro de 1918, com os
Guardas Brancos acusando os Guardas Vermelhos de
servirem aos interesses russos (uma vez que os militares
não acreditam em qualquer 'internacionalismo'...), e os
mesmo conservadores que contavam com o apoio da
Monarquia Germânica, passaram a 'defender' uma
'república democrática' (o que mostra que 'democracia'
muitas vezes pode não passar de rótulo e propaganda...).

Já os Guardas Vermelhos tinham o apoio dos explorados,
dos assalariados, dos subempregados, dos camponeses,
dos operários, dos intelectuais não vendidos, de todos os
não-proprietários, e que desejavam uma real “república
democrática”, não apenas um slogan populista.

http://es.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Finlandesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_civil_finlandesa


Historiografia

Até hoje a historiografia oficial tem dificuldades em nomear
a Guerra Civil Finlandesa que tanto abalou a sociedade
finlandesa, transformada em campo de batalha entre
os imperialistas alemães e suecos, entre os conservadores
latinfundiários e o proletariado, com apoio dos soviéticos.

Outros nomes são usados, de acordo com os interesses, e
as fontes de referência. Tem-se “guerra de libertação”
(vapaussota), ou “guerra de irmãos” (veljessota), e também
“rebelião vermelha” (punakapina), mostrando-se que
90 anos depois do conflito as feridas ainda continuam
abertas.

Segundo dados (nem todos averiguados) cerca 37 mil
foram vitimados – entre armados e desarmados -
com baixas entre voluntários suecos e soviéticos russos.
A Esquerda sofreu mais, ao ser desmembrada, e
massacrada numa campanha de terror, onde morreram
mais Vermelhos em execuções do que em campos de
batalha. (Fontes registram 11 mil mortos em campos
de confinamento/concentração, devido a fome e
maus tratos, além de torturas.)

por Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/


A Literatura retrata a Guerra Civil Finlandesa

O primeiro livro popularmente apreciado na Finlândia sobre a guerra, Hurskas kurjuus
(Devota Miséria), foi escrito pelo vencedor do Prêmio Nobel Frans Eemil Sillanpää em 1919.
Entre 1959 e 1962, Väinö Linna, em sua trilogia Täällä Pohjantähden alla, descreveu a
Guerra Civil e a Segunda Guerra Mundial do ponto de vista das pessoas comuns.
Na poesia, Bertel Gripenberg, que havia se voluntariado para o exército branco, celebrou
sua causa em A Grande Era (em sueco: Den stora tiden), em 1928. Viljo Kajava, que
experimentou os horrores da Batalha de Tampere aos nove anos de idade, apresentou uma
visão pacifista da guerra civil em seus Poemas de Tampere 1918 dos anos 1960. Também
o romance épico de Kjell Westö Där vi en gång gått lida com a guerra civil finlandesa,
seguindo indivíduos e famílias de tanto o lado branco quanto o vermelho, antes, durante
e após o período de guerra.
Fonte: Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_civil_finlandesa#cite_ref-62

domingo, 1 de novembro de 2009

A GUERRA CIVIL FINLANDESA (p1)





A Guerra Civil Finlandesa

Introdução


A Guerra Civil Russa (1918-21) e a Guerra Civil Espanhola
(1936-39) são mundialmente conhecidas, profundamente estudadas
e amplamente documentadas. Inspiraram obras-primas da literatura
mundial, tais como “Doutor Jivago” (1958) de Boris Pasternak,
e “Por quem os sinos dobram?” (1940) de Ernst Hemingway.

Mas a Guerra Civil Finlandesa parece ser desconhecida (ou
obscurecida) para os próprios finalndeses. Poucas fontes são
encontradas, e ainda pouquíssimas confiáveis. Muita cópia de cópia.
Bibliografia mínima. Mesmo lendo em inglês, a situação é espinhosa.
A solução foi pesquisar a Literatura sobre a Guerra Civil dos finlandeses.
O autor Väinö Linna é uma referência. Escritor que foi também
participante, esteve nos fronts gélidos, contra civis e militares,
contra finlandeses e russos.

http://es.wikipedia.org/wiki/V%C3%A4in%C3%B6_Linna
http://en.wikipedia.org/wiki/V%C3%A4in%C3%B6_Linna

Linna é autor de “The Unknown Soldier” (1954) e de
Under the North Star” (1959-62), obras que acompanham e
retratam os conflitos entre os finlandeses, e destes contra os russos
(soviéticos), em 1939/1940, e 1941-44, quando as fronteiras da
Finlândia foram deslocadas para leste ou para oeste, após
batalhas desesperadas. Tive acesso aos livros em english,
pouco sei de finlandês (suomi), apesar de ter assistido palestra
sobre o idioma nórdico, que é aparentado ao estônio, ao letônio,
ao turco, ao basco, ao húngaro.

As obras mostram uma visão mais popular, mais 'de esquerda',
que incomoda bastante a versão oficial, dos que venceram
(ou seja, os conservadores, os latifundiários), pois assim
como na Espanha, e muitos países de América Latina, a
Democratização foi feita de cima para baixo, com a derrota
das forças de Esquerda. Mesmo a Social-Democracia não
passando de 'reformismo' (tudo aquilo que as Esquerdas
odiavam nos anos 20 e 30)

continua...


Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

sábado, 24 de outubro de 2009

outubro 1939 - Drôle de Guerre





Outubro 1939

Drôle de Guerre


Depois da invasão da Polônia, a rendição das forças
armadas polonesas, em Varsóvia (Warsaw)(28/09), a
retirada das forças francesas do rio Mosela (17/10), o
ditador germânico Adolf Hitler, julgando-se invencível,
iniciou a segunda etapa das 'ofertas de paz' com as
potências ocidentais.

Enquanto partes da Polônia (principalmente Pomerânia
e Silésia) eram absorvidas no Grande Reich, e os guettos
estavam 'na ordem do dia', nos preâmbulos das campanhas
de colonização e aniquilamento, que ainda deixariam
horrorizado o mundo civilizado, o ditador queria 'carta
branca' dos anglos e francos – para manter a conquista
do “Lebensraum” (espaço vital) para os germânicos.

No discurso diante do Reichstag, em 6 de outubro de 1939,
o Fuhrer alegou a irracionalidade de um "dito" Estado polonês,
mera criação do Ditado de Versailles, imposto pelas duas
potências vencedoras - Grã-Bretanha e França - , que
apenas incentivaram as 'ambições' polonesas de agredir os
alemães (que tiveram - segundo ele - muita paciência em
tolerar os 'insultos' do tal Estado, que agora as Forças Armadas
alemãs tinham domesticado).

Uma guerra com os ocidentais não era exatamente o que o
Führer desejava. Queria era invadir e colonizar as estepes
ucranianas. Havia um risco total na 'jogada', ao invadir a
Polônia (mesmo com o 'aval' da URSS), e iniciar outra guerra
mundial (a Alemanha já não havia perdido a anterior?) A
Alemanha teria tudo a perder. E o ditador sabia disso: “A
Alemanha se defenderá até o limite extremo, na pior das
hipóteses, todos os combatentes serão aniquilados
.” (Fest,
J. Hitler. p. 737) Aqui, já é possível notar o tom mórbido e
catastrófico de um Götterdämmerung (crepúsculo dos
deuses). A queda (Untergang) arrastando meio mundo.

Mas em outubro de 1939, Hitler preferia atacar antes de ser
atacado. Os generais viviam na defensiva, mas o Führer
queria um ataque – em pleno inverno! Surgiu então um impasse:
de ambos os lados. Seria a “Drôle de guerre” (guerra ridícula),
Phoney War” (a guerra falsa), ou “Sitzkrieg” (guerra sentada),
quando as hostilidades foram minimizadas, ou mesmo evitadas.
(Enquanto as relações entre a URSS e a Finlândia esfriavam a
cada dia. Assim, na guerra entre a Alemanha e o Ocidente, o
conflito mais importante daquele inverno, estranhamente, foi o
ocorrido entre os russos e os finlandeses!)

Os generais (principalmente a 'velha guarda', Beck, Brauchitsch,
Rundstedt, Halder) sabiam que a Alemanha não suportaria uma
guerra prolongada, 'de atrito', nos padrões da Primeira Guerra
Mundial.
Um conflito que o ditador desejava abreviar, poderia,
ao contrário, ser mais extenso. Envolver outros países, rivais
em potencial. (Principalmente, a URSS). Enquanto Hitler queria
a ofensiva para uma data entre 15 e 20 de novembro, em pleno
inverno!, os generais resistiam, do mesmo modo como agiram
em setembro de 1938, na possibilidade de um conflito com os
tchecos.

O impasse entre os nazistas e os generais reacionários, sobre
a ofensiva nos Países Baixos e na França é hoje cuidadosa e
exaustivamente estudado, para aliviar um pouco da imensa culpa
das Forças Armadas alemãs, em acompanharem a 'aventura' dos
fascistas. Não por 'razões humanitárias', mas por puro pragmatismo,
o expansionismo alemão estava condenado ao fracasso. E trata-se
de um profundo impasse, logístico e ideológico, pois segundo
o historiador J. Fest, o ataque ao Ocidente foi adiado 29 vezes!
(Hitler, p. 743)


Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Scapa Flow - Episódio 2 - 14 outubro 1939






Scapa Flow : 14 outubro 1939



Vinte anos depois do auto-afundamento da frota, em
21 de junho de 1919, por ordem do Almirante Ludwig
von Reuter, na base britânica em Scapa Flow, nas
Ilhas Orkney, novamente os germânicos voltaram a
base naval para consumar uma vingança.

Para a missão foi indicado o comandante de U-boot
Günther Prien, a bordo do U-47, concentrado em
contornar as defesas da base, e atacar dentro do périplo
interno, antes das defesas britânicas atuarem. Uma
proesa e tanto, se realizada.

Em 14 de outubro, o comandante Prien conseguiu
realizar a façanha. Adentrou as defesas britânicas e
torpedeou o HMS Royal Oak, ancorado na base de
Scapa Flow. Um dos navios mais adorados pela Marinha
Real britânica, tendo atuado na Batalha da Jutlândia
(31 maio – 1o junho 1916) onde a Grand Fleet (GBR)
enfrentou a Hochseeflotte (GER), , e manteve o domínio
britânico no Mar do Norte.

Este símbolo da vitória naval britânica foi afundado
pelos torpedos do U-47, que rapidamente fugiu,
evitando as defesas da base. O resultado foi a morte
de 830 tripulantes do HMS Royal Oak, e o assombro
britânico – arranhando sua imagem e moral. Tudo o que
os germânicos queriam. Tanto que o comandante
Günther Prien foi condecorado pelo ditador Adolf Hitler
em pessoa.

Neste momento – ou seja, desde a declaração de guerra
em 3 de setembro – o Almirantado encontrava-se sob a
liderança de Winston Churchill (que ali atuara na
Primeira Guerra Mundial, na mesma sala, no mesmo
posto), quando a frota saudou a indicação do velho
guerreiro para Primeiro-Lord do Almirantado, “Winston is
back
” (Winston está de volta). Churchill, assombrado, mas
atuante, decidiu aumentar as defesas e barreiras na base
em Scapa Flow.

As chamadas “Churchill Barriers” foram construídas pelos
prisioneiros italianos, empregados como mão-de-obra,
utilização esta que ficaria comum na ‘guerra total’, com
os prisioneiros realizando trabalhos forçados, muitas vezes
até a morte por fadiga (que assim relatam os ingleses
prisioneiros dos japoneses, e os russos capturados
pelos alemães...)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Scapa Flow - Episódio 1 - 1919






Scapa Flow - episódio 1 (1919)

Alemanha versus Grã-Bretanha

A rivalidade germano-britânica cresceu ao longo da segunda
metade do século 19, após os ingleses ‘domesticarem’ os franceses
(exaltados desde a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas),
justamente com a ajuda dos prussianos.

Os prussianos que passariam a agir no sentido de unificar os vários
reinos germânicos em um grande império continental, a se estender
da França até a Rússia, dos Alpes até o Mar Báltico. E a esta hegemonia
prussiana (principalmente na força militar) se aliou uma burguesia
incapaz de derrubar a nobreza (pois para tal tarefa precisaria do apoio
do proletariado, aos moldes franceses, que os germânicos da elite
desprezavam), unindo assim força e economia, numa revolução
industrial tardia, que veio a incomodar o poderio imperialista britânico.

E os interesses coloniais da França e da Itália, que sabiam das
consequências de um império continental aos moldes germânicos –
ao estilo de um Sacro-Império Romano Germânico – mas fora de
época. Não para a visão imperialista do Kaiser Wilhelm (Guilherme)
que pretendia um Império além mar, semelhante aquele de sua rival,
a Grã-Bretanha.

Assim, se explica os investimentos em indústrias de base, siderúrgicas,
e de armamento pesado (canhões, principalmente), para impulsionar
a modernização alemã, substituir as importações (exceto as de
matérias-primas, das quais a Alemanha sempre foi necessitada), e
construir uma frota de alto-mar (Hochseeflotte).

Nada mais que uma potência terrestre (com um exército tão respeitado
quanto os exércitos russo e francês) desejando ser uma potência marítima
(semelhante a Grã-Bretanha dona da maior frota de navios mercantes
do mundo – até porque o Reino Unido não passa de uma ilha, e precisa
estender seu comércio mundo afora) quando fatalmente desafiaria
os rivais para um duelo.


A frota de alto-mar (Hochseeflotte) foi um sonho a tornar-se pesadelo
para os alemães – principalmente durante a Primeira Guerra Mundial
quando os navios de superfície sofreram perdas, e os submarinos passaram
a se destacar, sorrateiramente perseguindo, caçando e afundando os
navios mercantes britânicos, franceses, italianos e norte-americanos
(assim um dos motivos para os EUA entrarem no conflito mundial,
em 1917.)

A gloriosa (e custosa) Hochseeflotte sofreu uma derrota a se tornar
vergonha, diante das cláusulas do Tratado (ou Ditado) de Versalhes,
quando o Almirante Ludwig von Reuter decidiu o auto-afundamento dos
navios, quando estes foram confinados em Scapa Flow, base britânica, nas
Ilhas Orkney. Em 21 de junho de 1919, 52 dos 74 navios foram afundados
pela tripulação.

Catástrofe que a Marinha alemã jamais esqueceria.


Mais info
por Leonardo de Magalhaens





para )))) Scapa Flow - Episódio 2 (1939)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

As Reações dos Aliados à invasão alemã da Polônia 1939










Setembro 1939

As Reações dos Aliados
diante do ataque alemão à Polônia

Com os ataques alemães à fronteira polonesa, na madrugada de
1 de setembro de 1939, com o bombardeio naval da cidade de
Danzig (hoje Gdansk), os ataques aéreos às cidades e à capital
Warsaw (Varsóvia), os governos britânico e francês perceberam
que a agressão nazista era real e definitiva. Não haveria mais
negociações.

O recurso às armas não deixava mais espaços para a diplomacia.
Desde as concessões ocidentais aos expansionismos germânicos,
na Renânia, na Áustria, na Tchecoslováquia, as discussões diplomáticas
estava reduzidas às retóricas formalistas e vazias de ação – mero
discursos para inglês ver – e acordos hoje assinados para amanhã
serem quebrados.

Assim, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain percebia a
inutilidade de todos os esforços diplomáticos, todas as concessões
feitas ao ditador nazista – sempre ambicionando mais – e a chegada,
irremediável, da guerra em grande escala. No discurso de 1 de setembro,
na House of Commons (no Parlamento), ele desabafa:

We have no quarrel with the German people, except that they allow themselves to be governed by a Nazi Government. As long as that Government exists and pursues the methods it has so persistently followed during the last two years, there will be no peace in Europe.


“Não temos nenhuma queixa contra o povo alemão, exceto que ele permite ser governado por um governo nazista. Enquanto este governo existir e persiste nos métodos que tem usado durante os últimos dois anos, não haverá paz na Europa.”

E quando o governo britânico divulga a Declaração de guerra, em 3 de
setembro de 1939, oficialmente às 11hs,

This is a sad day for all of us, and to none is it sadder than to me. Everything that I have worked for, everything that I have hoped for, everything that I believed in during my public life, has crashed into ruins. There is only one thing left for me to do; that is, to devote what strength and powers I have to forwarding the victory of the cause for which we have to sacrifice so much. I cannot tell what part I may be allowed to play myself; I trust I may live to see the day when Hitlerism has been destroyed and a liberated Europe has been reestablished.

“Este é um dia triste para todos nós, e para ninguém é mais triste do que
para mim. Tudo aquilo pelo que tenho trabalhado, tudo pelo que tenho esperado,
tudo em que acreditei durante a minha vida pública, está em ruínas. Há apenas
uma coisa que eu posso fazer; que é devotar-me com força e poder que tenho
rumo a vitória da causa pela qual temos nos sacrificado tanto. Eu não posso
dizer que partida eu mesmo jogarei; eu confio que viverei para ver o dia quando o
Hitlerismo estiver destruído e uma Europa libertada estiver restabelecida.”


Discurso no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=qtrOJnpmz6s

No entanto, como sabemos, o ex-primeiro ministro Chamberlain faleceu
em 9 de novembro de 1940, exatos seis meses após passar o cargo para
o obstinado e belicista Mr. Winston Churchill.

O governo francês declara guerra horas depois, às 17hs, em 3 de setembro,
e tropas francesas (em 11 divisões) avançam rumo a Sarrebruck (região do
Sarre) – apenas para perderem as áreas conquistadas para as divisões
alemãs estacionadas no ocidente (Westwall ou linha Siegfried) do 1o Exército
alemão. Já os britânicos atacam pelo ar, em bombardeios aos portos de
Wilhelmshaven e Brunsbuttel, sem causar estragos consideráveis. (Ainda
mais se comparados aos sucessos posteriores, confundindo os detectores
alemães)

O governo canadense solicita autorização ao governo britânico para a
declaração de guerra, oficialmente em 10 de setembro, juntando-se assim aos
Domínios, globalmente dispersos, dono dos mares, prontos para sufocarem os
germânicos. (Ainda falta o principal, o ex-Domínio, o independente e poderoso
Estados Unidos da América)

ver : http://pt.wikipedia.org/wiki/15%C2%AA_Divis%C3%A3o_de_Infantaria_(Alemanha)


A 15ª Divisão de Infantaria não tomou parte na Campanha da Polônia, já que durante as operações estava situada ao longo da Frente Ocidental na Região de Saar entre Saarlautern e Saarbrucken. Embora a Frente Ocidental era na maior parte do tempo quieta a Wehrmacht tomava parte em operações na Polônia, os franceses fizeram, de fato, uma operação limitada e de pouco sucesso numa ofensiva contra a fronteira alemã, que conseguiram ocupar cerca de 200 km do território alemão e 50 aldeias alemãs. Esta foi a Ofensiva Saar lançada pelos franceses que iniciou no dia 7 de Setembro de 1939.

Os franceses atacaram as linhas alemãs do
1º Exército em um arco ao sul de Saarbrucken, ocupando o Warndt, entre outras áreas. Quando os franceses lançaram o seu ataque contra as unidades alemãs, estas voltaram para a Linha Siegfried, no Norte, ao longo do rio Saar e os francês rapidamente desistiram de tomar o terreno. Porém, logo após a ofensiva ser lançado os franceses começaram a perceber a futilidade da exploração em território alemão.

Devido a um pobre planejamento e uma falta de espírito ofensivo dos franceses foi impedida uma maior ofensiva. E em poucas semanas as unidades alemãs retomaram grande parte do terreno que haviam perdido inicialmente. Durante estas operações a 15ª Divisão de Infantaria esteve envolvida diretamente, inicialmente puxa de volta para o rio Sarre devido ao avanço francês e logo após ao avançar novamente para reocupar seu terreno perdido.


Nenhuma ação contra a União Soviética

Enquanto as tropas do Exército Vermelho avançam sobre o leste da Polônia,
que agoniza sob o golpe duplo, os ocidentais não se manifestaram – além de
retóricas – contra a 'punhalada pelas costas' que o aliado polonês recebia.
Obviamente, os soviéticos diziam proteger as populações do leste polonês
contra o avanço nazista. E nada diziam sobre um Protocolo Secreto, entre os
'assassinos fascistas' e o 'governo dos proletários'.

Claro, que a Grã-Bretanha não poderia atacar os grandes exércitos
germânico e russo, ao mesmo tempo! E no mais, a estratégia britânica
contava com a aliança da Rússia – e seu imenso exército! - contra o III Reich.
Basicamente, repetir a I Guerra Mundial e sufocar os germânicos. Mesmo que
o governo agora estive nas mãos dos 'repulsivos bolcheviques' (sic) regicidas e
subversivos, os coveiros da civilização europeia (falta acrescentar: burguesa).
A demora em negociar com os soviéticos levou a Grã-Bretanha a perder um
aliado anti-fascista (ainda que o fascismo, de início, fosse uma 'proteção' contra
o bolchevismo) – o que possibilitou o esdrúxulo Pacto de Não-agressão
Germano-Soviético ou Molotov-Ribbentrop, nada mais que a permissão
russa para o avanço germânico na nova partilha da Polônia.

Mas até Churchill, o monarquista, o anti-bolchevista, sabia que somente poderia
vencer o III Reich alemão com a ajuda de outra potência, ou seria a França (logo
derrotada, em 1940) ou os Estados Unidos (entram na guerra em 1941/42),
enquanto as tropas alemãs se dispersavam e se desgastavam. Para o velho
imperialista o ideal seria que os nazistas e os bolchevistas se aniquilassem
mutuamente. Uma guerra entre os totalitarismos, ideológicos e raciais, seria
uma 'guerra de aniquilação', sem acordos nem quartel. E sem honra.

Mas o que ninguém esperava era uma ofensiva soviética na Finlândia – e muito
menos a ineficiência do Exército Vermelho diante da resistência finlandesa.
Seria tudo culpa dos 'expurgos' arquitetados por Stálin e sua entourage ?

Veremos nos tópicos Guerra Civil Finlandesa e Guerra de Inverno.


Por
Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A quarta Partilha da Polônia - 10 a 20 de setembro de 1939





A quarta Partilha da Polônia
10 a 20 de setembro de 1939

O avanço das tropas alemãs rumo a Varsóvia (Warsaw), sufocando
a resistência dos poloneses na capital, e nas fortalezas de
Brest-Litovsk e Modlin, prosseguiu em movimento de pinça a partir
do norte (tropas panzer de Guderian) e do sul (tropas sob comando de
von Rundstedt), logo iniciando o cerco à capital polonesa, entre 9 e 13
de setembro, enquanto as fortalezas se negavam à rendição,
ainda à espera do contra-ataque para aliviar o cerco à capital.

O fato é que até 14 de setembro, os defensores poloneses,
sob o comando do Marechal Edward Rydz-Smigly(1886-1941),
[o sucessor de Jozef Pilsudsky (1887-1935), que comandou as
forças polonesas durante a Guerra Polaco-Soviética (1919-21)]
ainda esperavam conter os alemães, pelo menos até a chegada dos
franceses e britânicos, segundo estabelecia os acordos com as
potências ocidentais. Realmente, os alemães esperavam conquistar
a Polônia antes do ataque na fronteira oeste, no momento com
defesa mínima (nenhuma divisão panzer ).

A declaração de guerra emitida pelos britânicos, e depois
pelos franceses, em 03 de setembro, teve pouco efeito prático,
nada além da mobilização das tropas, sem qualquer ataque ao
território alemão. Em seguida, o Império Britânico se mobiliza
junto a Metrópole, com as declarações de guerra emitidas
pela Austrália, Índia e Nova Zelândia. ( O Canadá declara guerra
ao III Reich em 10 de setembro de 1939, apoiando a Grã-Bretanha
mais com suprimentos do que exatamente tropas)

A vantagem da Blitzkrieg seria justamente a surpresa (afinal
de contas, não houve 'declaração de guerra') e a velocidade de
ataque (mobilidade, cerco e destruição dos pontos de resistência),
no sentido de evitar uma 'guerra de atrito', imóvel e prolongada.
A velocidade dos ataques e a mobilidade da defesa, possível com
as divisões panzer e as tropas motorizadas, evitava qualquer
estabelecimento de novos pontos de resistências, bombardeando
as tropas em fuga, além das infra-estruturas e bases de apoio
existentes na retaguarda. Foi isso que o Ocidente não entendeu,
atribuindo a iminente derrota polonesa a um atraso e à
incapacidade dos exércitos poloneses.

Realmente, a ineficiência polonesa foi em relação a 'guerra de
movimento
' (não apenas por deficiência de material e tropas),
a mesma ineficiência que seria mostrada pelas potências
ocidentais (quando dos ataques de 1940 e 1941). Por outro lado,
os soviéticos observaram de perto as novas táticas (usadas
no conflito com os japoneses, na Batalha de Khalkin Gol,
em agosto de 1939, onde se destacou o comando de G. Zhukov
(Jukov), porém não evitou derrotas na Finlândia (1939/40), e
depois quando da invasão nazista (em junho de 1941)

As tropas do Exército Vermelho, derrotadas na Polônia em 1920,
às portas de Varsóvia (Warsaw), no final da Guerra Polaco-Soviética
(1919-21), voltaram ao país na segunda quinzena de setembro de 1939,
alegando defender as populações de bielorussos e ucranianos em território
polonês, diante da ameaça 'fascista' (ainda que a URSS tivesse um acordo
com o III Reich – ver o Pacto Ribbentrop-Molotov – que foi mantido
até a invasão nazista em junho de 1941, a Operação Barbarossa)

O ditador soviético Josif Stálin insistia em anteior acordo proposto
em possível aliança com as potências ocidentais, no sentido de
um avanço russo na Polônia quando de um ataque alemão, assim
como haveria um ataque franco-britânico a região oeste da
Alemanha (no momento, sem defesas, muito menos tropas panzer),
mas acontece que (espantosamente?) o pacto foi assinado com os
nazistas, enquanto os britânicos pouco fizeram de esforço.

Stálin preferiu os nazistas. Por que? Pois o Protocolo Secreto
do Pacto Ribbentrop-Molotov permitiria aos russos um avanço
nos territórios do leste europeu (leste da Polônia, países balticos),
com uma 'esfera de influência' que os Ocidentais não permitiriam.
Além do mais os russos visavam áreas da Finlândia e da Rumânia.
(Sem, obviamente, o pleno acordo dos nazistas.) Este é o motivo
da 'boa-vontade' do ditador soviético em respeitar os acordos com
os nazistas, um real interesse de evitar a guerra, ou adiar a mesma,
ampliando uma área de defesa (no Báltico, ao redor de Leningrad;
na Ukrania, na parte tomada à Polônia; nas margens do Mar Negro,
o porto de Odessa, e a fortaleza de Sebastopol, na Crimeia)

Esta 'necessidade de defesa' foi o argumento dos soviéticos para
pressionar a Finlândia, logo após a derrota da Polônia, no sentido
de novas bases e territórios cedidos à URSS. Os finlandeses não
concordaram, e foram atacados, e resistiram.
Veremos nos tópicos Guerra Civil Finlandesa
e Guerra de Inverno.




Fontes: Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Invasão_Soviética_da_Polónia

http://www.absoluteastronomy.com/topics/Soviet_order_of_battle_for_invasion_of_Poland_in_1939



por Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/