quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Invasão da Polônia - 1 a 10 de setembro 1939





A Blitzkrieg avança na Polônia
1 a 10 de setembro 1939

Iniciada em 1 de setembro de 1939, a invasão nazista da
Polônia, com uso da estratégia de 'Blitzkrieg' (ou 'guerra
de movimento'), onde as tropas atacadas são logo cercadas
por 'movimentos em pinça' dos exércitos atacantes, além da
dissolução de toda resistência e defesa, com o uso de artilharia
pesada e ataque aéreo, a nova guerra mostrou abertamente
o seu grau de letalidade.

As populações civis eram atacadas até antes dos ataques às
tropas combatentes – com o propósito de espalhar a confusão
na retaguarda. Tudo em nome da agilidade e do ataque definitivo,
a impossibilitar ao inimigo todas as tentativas de contra-ofensiva.
As infra-estruturas (estradas, ferrovias, pontes, represas, reservatórios
de água, prédios públicos, etc) são logo bombardeadas, bem antes
do avanço da tropa (a infantaria) que vai encontrar o inimigo
profundamente abalado, incapaz de resistir.

Militarmente, no tópico Teatro de Operações, podemos resumir
assim os dez primeiros dias do ataque à Polônia: o ataque começa
ao amanhecer de 1 de setembro, quando 40 divisões alemães,
além de 4 divisões motorizadas, 4 divisões ligeiras, 7 divisões Panzer,
e 1 brigada de cavalaria, adentram o território polonês, advindas do
oeste (Alemanha), sul (Protetorado da Boêmia e Morávia) e do norte
(Prússia Oriental). Os alemães atacam 30 divisões polonesas, além
de 1 brigada ligeira e 11 brigadas de cavalaria.

Os poloneses organizam a defesa em 7 grandes grupos: ao norte,
os exércitos da Pomerânia, de Modlin (próximo a Warsaw/Varsóvia)
e Narew; a oeste, os exércitos da Posnânia e do Lodz; ao sul, os
exércitos da Krakov e dos Cárpatos. O objetivo dos alemães é envolver
e desmembrar tais grupos de exércitos. Assim, o 3o exército alemão
(sem divisões Panzer), ao norte, vence o exército de Modlin e avança
sobre Warsaw, enquanto o 4o exército alemão (com os Panzer liderados
por Guderian) ataca o Corredor Polonês, vence o exército da Pomerânia
e segue para Warsaw. No sul, segue o 10o exército alemão (sob o
comando de von Rudstedt, assessorado por Manstein) vence o exército
Krakov e avança sobre Warsaw. Ao mesmo tempo, o 14o exército
vence o exército o Cárpatos e segue para o rio Bug.

O avanço intensifica-se de 3 a 5 de setembro, quando os tanques
(Panzer) alemães sofriam mais com o 'fogo amigo' da artilharia do
que com os contra-ataques poloneses.


Contra-ataque polonês – 9 de setembro

Os grupos de exércitos da Posnânia e da Pomerânia (Pomorz) atacam
os flancos do 8o exército alemão, ao norte de Lodz. O 10o exército atua
em defesa móvel, enquanto o General Reichenau arma um contra-ataque
ao sul do exército da Posnânia. O Geenral Rundstedt traz reforços do
noroeste.

No mesmo dia, 09, a 4a divisão blindada Panzerdivisionen atua nos
subúrbios de Warsaw – descobre que os tanques (em área urbana)
são ineficientes (57 dos 120 tanques são destruídos!) Tanto que o
Alto-Comando passa a evitar as batalhas nas cidades,
preferindo o cerco – mantendo assim a mobilidade das tropas.

(Veremos depois o quanto as 'batalhas urbanas' desgastam as
Panzerdivisionen, nos exemplos clássicos – e trágicos! - de
Leningrado, Kiev, Moscow e Stalingrad)

A partir do dia 10, todas as promessas dos franceses e britânicos
ficam destinadas ao vazio retórico. Ainda mais que, vindas do
leste, aparecem as tropas do Exército Vermelho, para fazerem
cumprir o Protocolo Secreto do Pacto Germano-Soviético, ou
Molotov-Ribbentrop, de agosto de 1939.


continua...


por Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/



Fontes: Wikipédia
http://en.wikipedia.org/wiki/Invasion_of_Poland_(1939)

Punhos de Aço”, K J Macksey

The Other Side of the Hill” (O outro lado da colina)
B H Liddell Hart

terça-feira, 1 de setembro de 2009

FALL WEISS - Caso Branco - A Invasão da Polônia





Fall Weiss: Caso Branco: a Invasão da Polônia
em 1 de setembro de 1939
Quando as tropas alemãs cruzaram a fronteira polonesa,
através do 'corredor polonês', além de vindas do norte
(Prússia Oriental) e do Sul (Tchecoslováquia), em 1o de
setembro de 1939, o ditador nazista, o Führer Adolf Hitler
não pretendia iniciar uma 'guerra total', e muito menos, mundial.
Esperava derrotar rapidamente as tropas polonesas e anexar
a Polônia – a ser, poŕem, dividida com a Rússia soviética.
Até porque a tática de Blitzkrieg, “guerra relâmpago”, ou
“guerra de movimento” (Bewegungskrieg), usando tropas
motorizadas, veículos blindados e ataques aéreos,
enfatizava as ofensivas, evitando a 'guerra de atrito' que
caracterizou a Primeira Guerra Mundial.
Ou seja, uma guerra demorada, com a resistência dos povos
atacados, só complicaria a eficiência da aclamada 'máquina
de guerra alemã', que surpreendeu os Ocidentais, e depois
os russos soviéticos, entre 1940 e 1943. despreparada para
uma 'guerra total', a fragilidade da economia alemã seria
compensada pelos 'créditos de ocupação' pago pelos países
'protegidos' – na verdade, o saque 'legalizado' das riquezas
(e até obras-de-arte) europeias. A guerra, portanto, era uma
necessidade econômica, para 'cobrir os gastos' da máquina
estatal (a ponto do nazismo ser também considerado
Capitalismo de Estado”) e justificar os imensos gastos militares
(incluindo a ampliação do quadro de oficiais e novos recrutas),
levando o ditador nazista a alegar a importância de uma
'guerra econômica', imperialista, para dominar novos territórios
(para o 'espaço vital', Lebensraum) e matérias-primas
(principalmente cereais, ferro e petróleo).
As posições de tropas alemães cobriam toda a extensão da
fronteira ocidental polonesa, além da posição norte (a Prússia
Oriental), permitindo, assim, manobras de cerco quando da
invasão, ao surpreenderem os poloneses em movimentos em
pinça vindo de oeste e do norte, o que inviabilizava os recuos
e as retiradas. Além do fato inconteste da qualidade deficitária
do material bélico das tropas polonesas, com canhões obsoletos,
ou empregando cargas de cavalaria contra veículos blindados!
Afinal, se somarmos as tropas alemãs (com 60 divisões) sua
superioridade numérica é pouco superior em relação as
polonesas (com 39 divisões), ainda mais que os poloneses
estão 'em casa', conhecem o terreno e bom organizar as
posições defensivas.
Aliás, 'poderiam' organizar! Pois a força aérea alemã, a
Luftwaffe, tem por objetivo bombardear as posições, as
retaguardas, e desorganizar todo o esforço de resistência,
impossibilitando as contra-ofensivas, e o cercamento das
tropas alemãs (a medida em que estas adentram o território
polonês), em suma, em atuação essencial para o desmoro-
namento de todo front polonês. Ao mesmo tempo, os ataques
aéreos deixam as populações civis em contínuo terror. É
uma amostra de que a guerra nazista não respeita a distinção
entre combatentes e não-combatentes, quando executa o
bombardeio das cidades, vitimando mulheres e crianças
sem qualquer defesa.
A impiedade da Blitzkrieg deixou um gosto amargo de terror
aos povos europeus, quando colunas de fumaça se elevavam
dos centro urbanos em chamas, e a população em fuga carregava
os poucos bens salvos da destruição, que semeava pânico em
todas as partes. Seja em terra, seja no ar, as forças polonesas,
muitas cercadas, se viram incapazes de defenderem suas posições,
e muito menos as populações vitimadas.

Por Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net
Mais info sobre Fall Weiss em:::::::::::

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Preparativos para a Invasão da Polônia (26.08.1939)




Enquanto prepara a invasão da Polônia,
Hitler confunde os britânicos


Em 26 de agosto de 1939, Adolf Hitler fica sabendo do
despreparo italiano para uma guerra de grandes proporções,
e que a Grã-Bretanha continua firme em sua proposta de
ajuda militar à Polônia. Resultado: o ataque no Corredor
Polonês e fronteira tcheca é logo cancelado. O “Plano Branco
(“Fall Weiss”) é adiado para 1o de setembro.


Hitler resolve 'negociar' com os britânicos, na verdade
gerando confusão e hesitação, para obscurecer os movimentos
da ofensiva, no sentido de pressionar a Polônia a enviar um
diplomata.

Em 29 de agosto, o ditador (Hitler) comunicpu a Chamberlain
que estava disposto a entabular negociações com a Polônia
sobre Dantzig, caso o Governo polonês enviasse um representante
a Berlin. No prazo de 24 horas. Hitler sabia perfeitamente que
os poloneses não aceitariam as suas exigências; ao rechaçar as
propostas alemãs, apareceriam como os responsáveis pelo
fracasso das negociações. Dessa maneira, a Grã-Bretanha e a
França contariam com uma saída honrosa para retirar o apoio
à Polônia. Chamberlain, no entanto, já farto de concessões, não
se dispôs a um novo Munique
.” (fonte: A Segunda Guerra Mundial,
Editorial Codex, 1965/1966)

Contudo, o embaixador britânico em Berlin, Sir Neville Henderson,
em 30 de agosto, comunica que a Grã-Bretanha não pretende
pressionar a Polônia.

Os dados estão lançados. Em 31 de agosto, o General Halder,
da Wehrmacht, é comunicado de que a hora do ataque à Polônia
é 4h45 de 1o de setembro, é a Diretiva No 1. À oeste, a ordem
era esperar a ofensiva das forças anglo-francesas.

Era um jogo de 'tudo ou nada', como bem sabiam os generais
alemães. O General Ludwig Beck deixara um aviso, em
memorando reservado (“A Alemanha numa guerra futura”), escrito
logo após ser afastado por Hitler, em 1938. “A Guerra desencadeada
pela Alemanha envolverá imediatamente outros países, além dos
que foram atacados; numa guerra contra uma coalização mundial
a Alemanha sucumbirá e ficará à mercê daquela coalização para
o bem ou para o mal
.” (fonte: Lewin, Ronald. “Churchill, O Lord da
Guerra
”, p. 139)

Ou seja, o General Beck desejava manter a Wehrmacht na condição
defensiva (como o próprio nome diz: “Força de Defesa”), caso
houvesse um ataque 'comunista', ou dos 'imperialistas ocidentais',
mas nunca atirar as forças armadas contra os países, gerando outra
guerra de proporções daquela de 1914 a 1918, traumática para os
alemães do era imperial.

Mas, para Hitler, toda a força da Wehrmacht residia justamente
nas ofensivas. O uso coordenado de formações móveis blindadas,
artilharia e força aérea. Era o princípio novo do 'novo Príncipe', o
próprio Führer. (Segundo Machiavelli, um 'príncipe novo' se destaca
em época de conflito e de calamidade – justamente o caso da
Alemanha pós-Primeira Guerra Mundial. Ver Il Principe, XXVI
)

Caso o sistema de alianças não apresentasse sucesso, haveria o
novo conjunto de armamentos e táticas, a “guerra de movimento
('Bewergungkrieg'), com aviões em bombardeio na retaguarda e com
lançamento de paraquedistas, para ocupar território e conservar/ou/
dinamitar pontes, infraestruturas, depois seguiam as forças blindadas,
a artilharia e a infantaria motorizada, e por fim, a infantaria comum.
Não mais aquela guerra estática, de posição, de trincheira a trincheira.

A 'guerra de movimento' seria a glória do Exército alemão, até que
as linhas de suprimentos se estenderam demais, e se deixaram
expostos aos ataques de flanco, cercados por formações de exércitos
inimigos e atacados por guerrilheiros dispersos. Quanto à defesa, o
máximo que fizeram foi a chamada 'defesa em ouriço', dispondo
camadas concêntricas alternadas de infantaria e artilharia, o que se
mostrou inútil diante da 'guerra de movimento' dos outros
(principalmente quando ocorria ataque aéreo!)

por
Leonardo de Magalhaens

domingo, 23 de agosto de 2009

O Pacto de Não-Agressão Soviético-Germânico ou Ribbentrop-Molotov



Pacto Ribbentrop-Molotov ou
Não-Agressão Soviético-Germânico
Deutsch-sowjetische Nichtangriffspakt

ou: O acordo entre Totalitarismos
ou: A nova Partilha da Polônia


Pode-se dizer que a assinatura do Pacto Germânico-Soviético
foi a 'permissão' russa para a invasão nazista da Polônia. O
pacto assinado por Ribbentrop e Molotov, com a plena
concordância de Hitler e Stálin, possibilitou a avalanche da
Blitzkrieg rumo ao leste.

Caso a URSS não tivesse aprovado o Pacto, dificilmente as
forças nazistas teriam ousado tanto – seria começar de imediato
uma guerra em duas frentes, sendo golpeadas à oeste pelos
britânicos e franceses, e também à leste, pelos poloneses e russos.

Todos sabemos que o Chanceler e Führer Adolf Hitler desejava
evitar uma guerra em duas frentes, ainda que duvidasse do pacto
franco-anglo-polonês, onde as potências ocidentais prometiam
garantir a integridade territorial da Polônia contra uma agressão do
III Reich (e não de um ataque da URSS).

A política externa com relação aos Ocidentais era de conveniência,
de hegemonia, para aceitarem um Reich alemão com supremacia
na Europa. O verdadeiro objetivo militar, numa guerra imperialista,
territorial e racial, sempre foi as estepes ucranianas e russas.
Além de um ódio fanático contra os 'bolcheviques' (mortos há
algum tempo pelo próprio Stálin!) Os planos de Hitler era invadir
a Polônia, ter uma 'fronteira comum' com a odiada URSS, o objetivo
real do 'avanço para o Leste' (Drang nach Osten) http://de.wikipedia.org/wiki/Drang_nach_Osten
http://en.wikipedia.org/wiki/Drang_nach_Osten

Disse Hitler, em 1939, antes de Ribbentrop assinalar a papelada
em Moscow, “Tudo o que empreendo é dirigido contra a Rússia; se
o Ocidente é burro e cego demais para entender isso, serei obrigado
a me entender com a Rússia, vencer o ocidente e depois reunir
minhas forças e me voltar contra a União Soviética
” (in: Fest, J,
Hitler”, p. 696)

Afinal, desde julho de 1939, os alemães, principalmente os líderes
econômicos, travavam conversações com os russos, sobre a
necessidade de matérias-primas, esfras de interesse, enquanto os
líderes políticos (principalmente do 'corredor polonês') desejavam
de imediato uma nova divisão da Polônia. Seria então a 'quarta
partição da polônia
' (ver info em http://pt.wikipedia.org/wiki/Partições_da_Polônia)
quando alemães cuidariam em invadir pelo ocidente e os russos
pelo oriente. Obviamente que hitler não desejava qualquer acordo
com os 'bolcheviques', mas os russos tinham interesses no Leste
europeu, e os alemães podiam dar o que os Ocidentais (entenda-se
Grã-Bretanha e França) não permitiriam.

Com a 'boa vontade' russa (e não 'soviética' ou 'socialista' , mas
nacionalista burocrática) as conversações entre alemães (via o
embaixador em Moscow, von der Schulenberg) e burocratas russos
tiveram continuidade em agosto de 1939, com o ápice representado
pela visita em persona do próprio Ribbentrop a Moscow em 23 de
agosto (enquanto isso os representantes britâncios viajam de navio,
demorando o dobro de tempo! e o Duce Mussolini não quer uma
guerra imediata, o que faz Hitler adiar o ataque a Polônia, de
26 de agosto para 1o de setembro) Apesar de todas as divergências
entre os nazistas e os estatistas nacionalistas russos, sobram o
antagonismo comum contra os 'capitalistas liberais ocidentais', o
que possibilita um Pacto de Não-Agressão.

Apesar de todas as divergências de suas respectivas concepções
políticas, o que havia de comum entre as ideologias da Alemanha
e da Itália e da URSS, ou seja, uma antipatia marcada pelas
democracias capitalistas ocidentais
.” (fonte: J Schnurre, in: Fest, J,
Hitler”, p. 700)

Além do que Stálin temia uma aliança Ocidente + Alemanha para
invadir a URSS, e o maior medo de Stálin era se envolver numa
guerra. Tanto que sempre cumpriu todos os acordos com os nazistas,
enviando matérias-primas e cereais, até no dia da Operação
Barbarossa
, em 22 de junho de 1941, quando Stálin não podia
acreditar numa tamanha traição de Hitler. (Seria Stálin um ingênuo?
Alguns acham que ele previu tudo, o que seria mais um pacto suicida.
Não acreditar no Sorge, achar que tudo era provocação do
Mr. Churchill)

A Grã-Bretanha e a França, enquanto isso, se esforçavam para
arrancar um acordo com os poloneses, no sentido de permitirem
um avanço das tropas russas, o Exército Vermelho, em território
polaco, para combater os alemães. Obviamente, os poloneses
não confiavam nos russos (lembrar que as tropas de Pilsudiski
e Rydz-Smigly derrotam os russos às portas de Varsóvia em 1920)
(mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Polish–Soviet_War )

Talvez os dignitários poloneses já soubessem de um tal Protocolo
Secreto
, no pacto entre alemães e russos, para uma posterior
partilha da Polônia. Mesmo que nunca desconfiassem de uma
derrota tão rápida como a que sofreram em setembro de 1939,
golpeados à oeste pela Blitzkrieg, e depois , à leste, pelo
Exército Vermelho.


Por Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/



Mais info em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Molotov-Ribbentrop

http://en.wikipedia.org/wiki/Molotov–Ribbentrop_Pact


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

HITLER deseja a expansão para o Leste




Hitler deseja a expansão para o Leste

Em abril de 1939, Hitler já apresentava os esboços do
chamado Plano Branco (“Fall Weiss”), a invasão da Polônia,
que deveria ocorrer antes do inverno do mesmo ano, ou seja,
em agosto ou setembro, com o avanço de exército e força aérea,
no bombardeio de 'alvos militares e infraestrutura', combinados
em um ataque fulminante, daí o termo Blitzkrieg (“guerra-relâmpago”),
que nada mais era que a 'guerra de movimento” (“Bewegungskrieg”),
já utilizada pelos poloneses em 1920, contra os russos-soviéticos.

Mas a hegemonia germânica na Europa não tinha a mínima
concordância britânica, como já deixara explícito o Primeiro-Ministro
Chamberlain, “A Grã-Bretanha não caiu tão baixo a ponto de aceitar,
de braços cruzados, a hegemonia da Alemanha sobre a Europa
”,
e deseja deixar claro propondo 'garantias' a inviolabilidade do território
polonês. O que ressoa aos sentimentos nacionalistas exaltados dos
germânicos como uma 'bravata', um desafio ao duelo.

A 30 de março de 1939, o embaixador britânico em Varsóvia,
Sir Howard Kennan, comunica ao ministro do Exterior polonês,
Coronal Józef Beck, que o seu Governo está disposto a garantir,
unilateralmente, a independência da Polônia. Perplexo, Beck aceita
sem vacilações a extraordinária oferta. No dia seguinte, Chamberlain
comunica à Câmara dos Comuns que a Grã-Bretanha comprometeu-se
a dar à Polônia plena ajuda militar no caso de ser agredida
.”
(fonte: A Segunda Guerra Mundial, Editorial Codex, S.A., 1965/1966)

O acordo foi assinado em 06 de abril, e considerou-se apenas uma
agressão alemão contra a Polônia, e não previa uma ação contra
um ataque russo-soviético. (Mesmo que a Grã-Bretanha ousasse
tanto não poderia! Em 17 de setembro, quando o Exército Vermelho
deu o 'golpe pelas costas', invadindo à leste, os britânicos não
declararam guerra a URSS!)

continua...

por Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/




sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Polônia autoritária






A Polônia autoritária


Depois da I Guerra Mundial, a Polônia se esforça por ser
um Estado independente. Precisa enfrentar os exércitos russos
em 1920, e aprovar a nova Constituição (1921), mas o
movimento anti-russo torna-se anti-bolchevista (anticomunista)
e o centro e direita são os vitoriosos.

Quando a esquerda tem a chance de chegar ao poder e
implantar as leis agrárias, precisa enfrentar os gabinetes de
centro-direita e depois as greves. O enfraquecimento econômico
leva ao golpe militar de maio 1926, quando o general Pilsudski
(o mesmo que venceu os russos em Varsóvia) proclama o
'saneamento' do Estado, com expurgos e exonerações.
Depois a luta é interna, quando os coronéis querem um governo
mais firme, ou seja, a ditadura pura e simplesmente. Os
parlamentaristas são eliminados ou exilados. Ocorre o mesmo
'processo' que na Alemanha, onde o centro se alia a direita
contra a esquerda, apenas para depois a direita eliminar o
centro. (Vargas, no Brasil, logo percebeu o 'jogo', e depois
do apoio da direita (integralista), contra os comunistas,
providenciou o afastamento dos integralistas
)

A 'ditadura dos coronéis', o ministério do general Skladkowski-
Slawoj, dominado pelo marechal Rydz-Smigly, que ordena a
ocupação da Silésia em Teschen (outubro 1938), em plena
crise de Munique, enquanto os britânicos e franceses tentavam
'apaziguar' as ambições do líder nazista, Adolf Hitler.

O poder dos militares cria um atrito com as 'democracias'
ocidentais, a ponto dos poloneses assinarem acordos com os
russos (1932) e os alemães (1934), e daí nem Hitler nem Stálin
levar os poloneses a sério - pois que apoio os ocidentais poderiam
prestar? (Hitler nunca acreditou realmente que as potências
ocidentais fossem entrar em guerra por causa da ditadura polonesa,
a
'ditadura dos coronéis'. Não percebeu a tempo que o desejo dos
ocidentais era manter o frágil
'equilíbrio europeu'. Ou seja, não
permitir uma potência na Europa
.)

A nova ‘partilha’ da Poland levaria a uma guerra européia, e
depois mundial.


Por Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

sábado, 13 de junho de 2009

Antecedentes do Pacto nazi-soviético




Os Antecedentes do Pacto nazi-soviético

A Grã-Bretanha começou a levar o Führer a sério após a
Noite dos Longos Punhais”, em junho de 1934, quando
os nazistas se aliaram a Wehrmacht. Churchill, o conser-
vador imperialista, passa a tolerar mais os 'socialistas',
os trabalhistas, do que os 'nazistas', contudo não ocorre
uma aliança anglo-soviética.

O diplomata russo-soviético Ivan Maiski, servindo em
London entre 1932 e 1943, culpa os ocidentais por terem
negligenciado um acordo com a URSS, obrigando assim
o Sr. Molotov a assinar um tratado com o nazista Ribbentrop.
O que deixou o Reich livre para invadir a Polônia, e depois
a Ukrânia.

O Primeiro-Ministro Neville Chamberlain era a favor de um
apaziguamento” com o Reich. Lord Halifax, na mesma linha,
não teria insistido na guerra. Outros políticos esperavam que
o Reich e a URSS se aniquilassem mutuamente.

Mesmo se considerando que a invasão alemã da URSS
seria um crime a priori, visto o “tratado de não-agressão”,
assinado em agosto de 1939, a 'polícia do mundo' da época,
a Grã-Bretanha somente apoiaram os soviéticos porque o
Exército Vermelho seria o único exército continental capaz
de enfrentar as tropas alemãs.



A Grã-Bretanha não confiava num acordo. O Reich invadiria
a URSS mais cedo ou mais tarde. Hitler tentou aniquilar a
URSS para assim deixar claro que o III Reich era a potência
europeia e a Grã-Bretanha não poderia deixar de negociar.

Não havia planos de Hitler para atacar o Império colonial da
Grã-Bretanha. (Hitler até relutaria em ampliar o conflito na
África do Norte, em 1941)

Se Churchill achava 'desnaturado' o Pacto Molotov-Ribbentrop
(“a sinistra notícia abateu-se sobre o mundo tal uma explosão”,
escreveu em “Memórias da Segunda Guerra Mundial”), o que
pensava Hitler da “Grande Aliança” entre uma monarquia
liberal, uma República liberal e um Estatismo Totalitário de
Esquerda? (Até a “ofensiva das Ardenas”, em dezembro de
1944, Hitler esperava “despedaçar” esta 'estranha' Aliança.)

O 'apaziguamento' dos Ocidentais, ou seja, a França e da
Grã-Bretanha, e o isolacionismo dos EUA é que ajudou as
audácias dos fascistas? Segundo o diplomata I. Maiski a
resposta é sim. O doentio “anti-comunismo” dos ocidentais
permitiu a ascensão dos fascistas. (E Churchill já sabia que
a URSS era um nacionalismo, não um “internacionalismo
comunista
”)

Desejando conservar o Império colonial (o que afinal não
conseguiu), o Sr. Churchill não arrastou a Europa e o mundo
para uma “guerra total”? Questão que muito interessa ao
conservador norte-americano P. J. Buchanan. Alega que a
guerra era 'desnecessária' (textualmente, “unnecessary war”)
e no final a Grã-Bretanha acabou por perder o global
Império Britânico.

Afinal, Hitler contava com a ajuda europeia para destruir o
bolchevismo” (o que teria conseguido se não tivesse
dispersado as tropas alemãs para ajudar os italianos
ineficientes a enfrentarem os britânicos – e coloniais –
obstinados)

Churchill alega que a Grã-Bretanha jamais permitiria uma
'potência' continental na Europa.


A Diplomacia europeia anti-soviética, segundo Maiski

Depois da ascensão dos nazistas, os britânicos, ainda mais
depois de 1934, passam a estender os olhares sobre o
continente europeu e as possíveis alianças entre os governos.
A subida dos ditadores italiano e alemão desequilibra a
'balança de poder' na Europa. O Ministro das Relações
Exteriores britânico Anthony Eden visita Berlim e Moscou
em março de 1935, colhendo informações. Em maio de 1935,
há o acordo França-URSS, em Paris, depois de uma viagem
de P. Laval até Moscou. E no mesmo mês um acordo entre
a Tchecoslováquia e a URSS, depois que o Presidente Benes
visitou Moscou.

Os líderes trabalhistas, representados por Aneurin Bevan,
são cuidadosamente observados por Churchill, e por outro
anti-soviético, o Lord Beaverbrook (dono do Daily Express).
Porém, tanto Churchill quanto Beaverbrook são favoráveis
a um acordo com a URSS contra um inimigo comum: o
III Reich. Mas Churchill não está no poder. O Primeiro-Ministro
Neville Chamberlain segue sua política do 'apaziguamento',
para evitar mais uma guerra na Europa.

Aqui Maiski acusa os 'apaziguadores', os 'chamberlianianos'
(isto é, Lord Halifax, Samuel Hoare, Simon, Vansittart, etc) por
um 'esfriamento' nas relações GBR-URSS, mesmo que
desejando que a URSS e o Reich se enfrentem e se aniquilem.
Só não desejavam intervir de forma a fazer explodir o conflito.
Mas essa apatia foi favorável a Ribbentrop quando articulou
um tratado com Molotov, para uma 'nova partilha' da Polônia.

A nova partilha da Polônia, em setembro de 1939, é o início
da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Por Leonardo de Magalhaens