domingo, 23 de agosto de 2009

O Pacto de Não-Agressão Soviético-Germânico ou Ribbentrop-Molotov



Pacto Ribbentrop-Molotov ou
Não-Agressão Soviético-Germânico
Deutsch-sowjetische Nichtangriffspakt

ou: O acordo entre Totalitarismos
ou: A nova Partilha da Polônia


Pode-se dizer que a assinatura do Pacto Germânico-Soviético
foi a 'permissão' russa para a invasão nazista da Polônia. O
pacto assinado por Ribbentrop e Molotov, com a plena
concordância de Hitler e Stálin, possibilitou a avalanche da
Blitzkrieg rumo ao leste.

Caso a URSS não tivesse aprovado o Pacto, dificilmente as
forças nazistas teriam ousado tanto – seria começar de imediato
uma guerra em duas frentes, sendo golpeadas à oeste pelos
britânicos e franceses, e também à leste, pelos poloneses e russos.

Todos sabemos que o Chanceler e Führer Adolf Hitler desejava
evitar uma guerra em duas frentes, ainda que duvidasse do pacto
franco-anglo-polonês, onde as potências ocidentais prometiam
garantir a integridade territorial da Polônia contra uma agressão do
III Reich (e não de um ataque da URSS).

A política externa com relação aos Ocidentais era de conveniência,
de hegemonia, para aceitarem um Reich alemão com supremacia
na Europa. O verdadeiro objetivo militar, numa guerra imperialista,
territorial e racial, sempre foi as estepes ucranianas e russas.
Além de um ódio fanático contra os 'bolcheviques' (mortos há
algum tempo pelo próprio Stálin!) Os planos de Hitler era invadir
a Polônia, ter uma 'fronteira comum' com a odiada URSS, o objetivo
real do 'avanço para o Leste' (Drang nach Osten) http://de.wikipedia.org/wiki/Drang_nach_Osten
http://en.wikipedia.org/wiki/Drang_nach_Osten

Disse Hitler, em 1939, antes de Ribbentrop assinalar a papelada
em Moscow, “Tudo o que empreendo é dirigido contra a Rússia; se
o Ocidente é burro e cego demais para entender isso, serei obrigado
a me entender com a Rússia, vencer o ocidente e depois reunir
minhas forças e me voltar contra a União Soviética
” (in: Fest, J,
Hitler”, p. 696)

Afinal, desde julho de 1939, os alemães, principalmente os líderes
econômicos, travavam conversações com os russos, sobre a
necessidade de matérias-primas, esfras de interesse, enquanto os
líderes políticos (principalmente do 'corredor polonês') desejavam
de imediato uma nova divisão da Polônia. Seria então a 'quarta
partição da polônia
' (ver info em http://pt.wikipedia.org/wiki/Partições_da_Polônia)
quando alemães cuidariam em invadir pelo ocidente e os russos
pelo oriente. Obviamente que hitler não desejava qualquer acordo
com os 'bolcheviques', mas os russos tinham interesses no Leste
europeu, e os alemães podiam dar o que os Ocidentais (entenda-se
Grã-Bretanha e França) não permitiriam.

Com a 'boa vontade' russa (e não 'soviética' ou 'socialista' , mas
nacionalista burocrática) as conversações entre alemães (via o
embaixador em Moscow, von der Schulenberg) e burocratas russos
tiveram continuidade em agosto de 1939, com o ápice representado
pela visita em persona do próprio Ribbentrop a Moscow em 23 de
agosto (enquanto isso os representantes britâncios viajam de navio,
demorando o dobro de tempo! e o Duce Mussolini não quer uma
guerra imediata, o que faz Hitler adiar o ataque a Polônia, de
26 de agosto para 1o de setembro) Apesar de todas as divergências
entre os nazistas e os estatistas nacionalistas russos, sobram o
antagonismo comum contra os 'capitalistas liberais ocidentais', o
que possibilita um Pacto de Não-Agressão.

Apesar de todas as divergências de suas respectivas concepções
políticas, o que havia de comum entre as ideologias da Alemanha
e da Itália e da URSS, ou seja, uma antipatia marcada pelas
democracias capitalistas ocidentais
.” (fonte: J Schnurre, in: Fest, J,
Hitler”, p. 700)

Além do que Stálin temia uma aliança Ocidente + Alemanha para
invadir a URSS, e o maior medo de Stálin era se envolver numa
guerra. Tanto que sempre cumpriu todos os acordos com os nazistas,
enviando matérias-primas e cereais, até no dia da Operação
Barbarossa
, em 22 de junho de 1941, quando Stálin não podia
acreditar numa tamanha traição de Hitler. (Seria Stálin um ingênuo?
Alguns acham que ele previu tudo, o que seria mais um pacto suicida.
Não acreditar no Sorge, achar que tudo era provocação do
Mr. Churchill)

A Grã-Bretanha e a França, enquanto isso, se esforçavam para
arrancar um acordo com os poloneses, no sentido de permitirem
um avanço das tropas russas, o Exército Vermelho, em território
polaco, para combater os alemães. Obviamente, os poloneses
não confiavam nos russos (lembrar que as tropas de Pilsudiski
e Rydz-Smigly derrotam os russos às portas de Varsóvia em 1920)
(mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Polish–Soviet_War )

Talvez os dignitários poloneses já soubessem de um tal Protocolo
Secreto
, no pacto entre alemães e russos, para uma posterior
partilha da Polônia. Mesmo que nunca desconfiassem de uma
derrota tão rápida como a que sofreram em setembro de 1939,
golpeados à oeste pela Blitzkrieg, e depois , à leste, pelo
Exército Vermelho.


Por Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/



Mais info em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Molotov-Ribbentrop

http://en.wikipedia.org/wiki/Molotov–Ribbentrop_Pact


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

HITLER deseja a expansão para o Leste




Hitler deseja a expansão para o Leste

Em abril de 1939, Hitler já apresentava os esboços do
chamado Plano Branco (“Fall Weiss”), a invasão da Polônia,
que deveria ocorrer antes do inverno do mesmo ano, ou seja,
em agosto ou setembro, com o avanço de exército e força aérea,
no bombardeio de 'alvos militares e infraestrutura', combinados
em um ataque fulminante, daí o termo Blitzkrieg (“guerra-relâmpago”),
que nada mais era que a 'guerra de movimento” (“Bewegungskrieg”),
já utilizada pelos poloneses em 1920, contra os russos-soviéticos.

Mas a hegemonia germânica na Europa não tinha a mínima
concordância britânica, como já deixara explícito o Primeiro-Ministro
Chamberlain, “A Grã-Bretanha não caiu tão baixo a ponto de aceitar,
de braços cruzados, a hegemonia da Alemanha sobre a Europa
”,
e deseja deixar claro propondo 'garantias' a inviolabilidade do território
polonês. O que ressoa aos sentimentos nacionalistas exaltados dos
germânicos como uma 'bravata', um desafio ao duelo.

A 30 de março de 1939, o embaixador britânico em Varsóvia,
Sir Howard Kennan, comunica ao ministro do Exterior polonês,
Coronal Józef Beck, que o seu Governo está disposto a garantir,
unilateralmente, a independência da Polônia. Perplexo, Beck aceita
sem vacilações a extraordinária oferta. No dia seguinte, Chamberlain
comunica à Câmara dos Comuns que a Grã-Bretanha comprometeu-se
a dar à Polônia plena ajuda militar no caso de ser agredida
.”
(fonte: A Segunda Guerra Mundial, Editorial Codex, S.A., 1965/1966)

O acordo foi assinado em 06 de abril, e considerou-se apenas uma
agressão alemão contra a Polônia, e não previa uma ação contra
um ataque russo-soviético. (Mesmo que a Grã-Bretanha ousasse
tanto não poderia! Em 17 de setembro, quando o Exército Vermelho
deu o 'golpe pelas costas', invadindo à leste, os britânicos não
declararam guerra a URSS!)

continua...

por Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/




sexta-feira, 10 de julho de 2009

A Polônia autoritária






A Polônia autoritária


Depois da I Guerra Mundial, a Polônia se esforça por ser
um Estado independente. Precisa enfrentar os exércitos russos
em 1920, e aprovar a nova Constituição (1921), mas o
movimento anti-russo torna-se anti-bolchevista (anticomunista)
e o centro e direita são os vitoriosos.

Quando a esquerda tem a chance de chegar ao poder e
implantar as leis agrárias, precisa enfrentar os gabinetes de
centro-direita e depois as greves. O enfraquecimento econômico
leva ao golpe militar de maio 1926, quando o general Pilsudski
(o mesmo que venceu os russos em Varsóvia) proclama o
'saneamento' do Estado, com expurgos e exonerações.
Depois a luta é interna, quando os coronéis querem um governo
mais firme, ou seja, a ditadura pura e simplesmente. Os
parlamentaristas são eliminados ou exilados. Ocorre o mesmo
'processo' que na Alemanha, onde o centro se alia a direita
contra a esquerda, apenas para depois a direita eliminar o
centro. (Vargas, no Brasil, logo percebeu o 'jogo', e depois
do apoio da direita (integralista), contra os comunistas,
providenciou o afastamento dos integralistas
)

A 'ditadura dos coronéis', o ministério do general Skladkowski-
Slawoj, dominado pelo marechal Rydz-Smigly, que ordena a
ocupação da Silésia em Teschen (outubro 1938), em plena
crise de Munique, enquanto os britânicos e franceses tentavam
'apaziguar' as ambições do líder nazista, Adolf Hitler.

O poder dos militares cria um atrito com as 'democracias'
ocidentais, a ponto dos poloneses assinarem acordos com os
russos (1932) e os alemães (1934), e daí nem Hitler nem Stálin
levar os poloneses a sério - pois que apoio os ocidentais poderiam
prestar? (Hitler nunca acreditou realmente que as potências
ocidentais fossem entrar em guerra por causa da ditadura polonesa,
a
'ditadura dos coronéis'. Não percebeu a tempo que o desejo dos
ocidentais era manter o frágil
'equilíbrio europeu'. Ou seja, não
permitir uma potência na Europa
.)

A nova ‘partilha’ da Poland levaria a uma guerra européia, e
depois mundial.


Por Leonardo de Magalhaens

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sábado, 13 de junho de 2009

Antecedentes do Pacto nazi-soviético




Os Antecedentes do Pacto nazi-soviético

A Grã-Bretanha começou a levar o Führer a sério após a
Noite dos Longos Punhais”, em junho de 1934, quando
os nazistas se aliaram a Wehrmacht. Churchill, o conser-
vador imperialista, passa a tolerar mais os 'socialistas',
os trabalhistas, do que os 'nazistas', contudo não ocorre
uma aliança anglo-soviética.

O diplomata russo-soviético Ivan Maiski, servindo em
London entre 1932 e 1943, culpa os ocidentais por terem
negligenciado um acordo com a URSS, obrigando assim
o Sr. Molotov a assinar um tratado com o nazista Ribbentrop.
O que deixou o Reich livre para invadir a Polônia, e depois
a Ukrânia.

O Primeiro-Ministro Neville Chamberlain era a favor de um
apaziguamento” com o Reich. Lord Halifax, na mesma linha,
não teria insistido na guerra. Outros políticos esperavam que
o Reich e a URSS se aniquilassem mutuamente.

Mesmo se considerando que a invasão alemã da URSS
seria um crime a priori, visto o “tratado de não-agressão”,
assinado em agosto de 1939, a 'polícia do mundo' da época,
a Grã-Bretanha somente apoiaram os soviéticos porque o
Exército Vermelho seria o único exército continental capaz
de enfrentar as tropas alemãs.



A Grã-Bretanha não confiava num acordo. O Reich invadiria
a URSS mais cedo ou mais tarde. Hitler tentou aniquilar a
URSS para assim deixar claro que o III Reich era a potência
europeia e a Grã-Bretanha não poderia deixar de negociar.

Não havia planos de Hitler para atacar o Império colonial da
Grã-Bretanha. (Hitler até relutaria em ampliar o conflito na
África do Norte, em 1941)

Se Churchill achava 'desnaturado' o Pacto Molotov-Ribbentrop
(“a sinistra notícia abateu-se sobre o mundo tal uma explosão”,
escreveu em “Memórias da Segunda Guerra Mundial”), o que
pensava Hitler da “Grande Aliança” entre uma monarquia
liberal, uma República liberal e um Estatismo Totalitário de
Esquerda? (Até a “ofensiva das Ardenas”, em dezembro de
1944, Hitler esperava “despedaçar” esta 'estranha' Aliança.)

O 'apaziguamento' dos Ocidentais, ou seja, a França e da
Grã-Bretanha, e o isolacionismo dos EUA é que ajudou as
audácias dos fascistas? Segundo o diplomata I. Maiski a
resposta é sim. O doentio “anti-comunismo” dos ocidentais
permitiu a ascensão dos fascistas. (E Churchill já sabia que
a URSS era um nacionalismo, não um “internacionalismo
comunista
”)

Desejando conservar o Império colonial (o que afinal não
conseguiu), o Sr. Churchill não arrastou a Europa e o mundo
para uma “guerra total”? Questão que muito interessa ao
conservador norte-americano P. J. Buchanan. Alega que a
guerra era 'desnecessária' (textualmente, “unnecessary war”)
e no final a Grã-Bretanha acabou por perder o global
Império Britânico.

Afinal, Hitler contava com a ajuda europeia para destruir o
bolchevismo” (o que teria conseguido se não tivesse
dispersado as tropas alemãs para ajudar os italianos
ineficientes a enfrentarem os britânicos – e coloniais –
obstinados)

Churchill alega que a Grã-Bretanha jamais permitiria uma
'potência' continental na Europa.


A Diplomacia europeia anti-soviética, segundo Maiski

Depois da ascensão dos nazistas, os britânicos, ainda mais
depois de 1934, passam a estender os olhares sobre o
continente europeu e as possíveis alianças entre os governos.
A subida dos ditadores italiano e alemão desequilibra a
'balança de poder' na Europa. O Ministro das Relações
Exteriores britânico Anthony Eden visita Berlim e Moscou
em março de 1935, colhendo informações. Em maio de 1935,
há o acordo França-URSS, em Paris, depois de uma viagem
de P. Laval até Moscou. E no mesmo mês um acordo entre
a Tchecoslováquia e a URSS, depois que o Presidente Benes
visitou Moscou.

Os líderes trabalhistas, representados por Aneurin Bevan,
são cuidadosamente observados por Churchill, e por outro
anti-soviético, o Lord Beaverbrook (dono do Daily Express).
Porém, tanto Churchill quanto Beaverbrook são favoráveis
a um acordo com a URSS contra um inimigo comum: o
III Reich. Mas Churchill não está no poder. O Primeiro-Ministro
Neville Chamberlain segue sua política do 'apaziguamento',
para evitar mais uma guerra na Europa.

Aqui Maiski acusa os 'apaziguadores', os 'chamberlianianos'
(isto é, Lord Halifax, Samuel Hoare, Simon, Vansittart, etc) por
um 'esfriamento' nas relações GBR-URSS, mesmo que
desejando que a URSS e o Reich se enfrentem e se aniquilem.
Só não desejavam intervir de forma a fazer explodir o conflito.
Mas essa apatia foi favorável a Ribbentrop quando articulou
um tratado com Molotov, para uma 'nova partilha' da Polônia.

A nova partilha da Polônia, em setembro de 1939, é o início
da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Por Leonardo de Magalhaens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Pacto de Aço / Antecedentes do Conflito no Pacífico



O Pacto de Aço

Em maio de 1939, os governos fascistas da Itália e da
Alemanha resolveram colocar no papel o que o mundo
todo já esperava: uma aliança entre os governos ditatoriais
com o propósito de apoio militar e expansão imperialista.

Ambos descontentes com os limites anglo-franceses de
conquista de territórios africanos e com o domínio das
potências ocidentais no Oriente Médio. Além disso, a
questão ideológica: ambos os governos eram radical-
mente anti-comunistas.

Foi assim que assinaram o Pacto de Aço (Stahlpakt,
Patto d'Acciaio, Pact of Steel, Pacte d'Acier
) em 22 de
maio de 1939, com promessas de ajuda militar e comércio
de matérias-primas, além da luta contra os 'comunistas'.
(Depois o Pacto Anti-Komintern seria ampliado pelas
esferas de influência, e com o surgimento de outras
ditaduras fascistas.)

O papel que levava a assinatura de italianos e alemães
foi uma providência de Ribbentrop e Ciano, os mestres-
dos-fantoches dos serviços diplomáticos, uma vez que
Hitler superestimava o poderio italiano, e Mussolini
acreditava na invencibilidade alemã. Ambos destinados
a criarem a 'nova ordem' contra os liberais e os comunistas.
Ambos prontos a defenderem os novos territórios e a
escravização de novos súditos.

(Em 29 de setembro de 1940, o imperialismo japonês adere
ao Pacto de Aço, e assim é declarado o Pacto Tripartite,
uma ampliação do Eixo Roma-Berlim e do Pacto Anti-Komintern.
Pomposo Pacto assinado na Nova Chancelaria. Contudo os
termos dos Pactos eram pouco respeitados. Hitler não informou
Mussolini sobre a , e depois o Duce não avisou sobre a invasão
(desastrada) da Grécia. Depois a Alemanha se viu não
apoiada pelo Japão quando do ataque a URSS, e por fim
abandonada, quando a Itália pediu armistício em setembro
de 1943.)



Antecedentes do Conflito no Pacífico


Na verdade, a guerra no Pacífico começa com o conflito
sino-nipônico, com os japoneses invadindo territórios da
China, brutalizando as populações e explorando as riquezas.
Em 1931, a Mandchúria é ocupada. Depois, em 1937, o
avanço até Shangai. De triste celebridade é o Massacre
de Nanking
, em dezembro de 1937, quando os japoneses
assassinaram friamente soldados e civis chineses, na
tomada da então capital.

Vejam detalhes
em http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Nanquim

Na época, os EUA apoiavam uma política de “Portas Abertas
na China. Todas as nações deviam reconhecer a 'integridade
territorial' da China, enquanto mantinham as relações
econômicas, de intenso fluxo comercial.

Quando o Japão ousou agredir a China, tal ato acabou por
romper o 'equilíbrio de poder' na Ásia (assim como a
expansão alemã ameaçava a Europa). O secretário de
Estado norte-americano Cordell Hull condenou o ataque
japonês à China. Inutilmente. Em 1938, o presidente Roosevelt
já mostrava-se descrente da 'política do apaziguamento': “A
paz pelo medo não é melhor nem mais duradoura que a paz
pela espada.


Mas os EUA só se preocuparam mesmo foi com a Queda da
França
(em maio de 1940) e a possível invasão das Ilhas
Britânicas (a Batalha da Inglaterra). Caso, o III Reich vencesse
a GBR, os EUA ficariam sozinho, do outro lado do Atlântico.

Em 1940, Roosevelt candidatou-se ao 3o mandato. E pregava
uma coalização nacional (inclusive indicou vários republicanos
para cargos importantes – e o candidato republicano – Wendell
Willkie – pensava nos termos de 'não isolacionismo'.

A “Lei de Empréstimos e Arrendamentos” (o Lend-Lease Act),
de 1941, possibilitou uma maior ajuda aos países que resistiam
ao avanço do Eixo. Na prática era uma ajuda – em capital, armas,
munições – de 7 bilhões de dólares, para os países anti-fascistas
(GBR, URSS, China e outras 35 nações) Contudo, os EUA
mantiveram as relações diplomáticas com os países do Eixo.

Mais sobre o Lend-Lease
em http://en.wikipedia.org/wiki/Lend-Lease


Antes, em janeiro de 1940, o tratado de comércio entre EUA
e Japão completa a validade e não foi renovado. Ao contrário:
ocorre a proibição de exportação de certos produtos para os
japoneses. Quais produtos? Aço, sucata, petróleo.
Tais 'sanções econômicas' abalam os militaristas japoneses,
que percebem o quanto o Japão depende das matérias-primas
alheias, principalmente, estas vindas dos EUA.

Com a Queda da França, os japoneses ocupam a parte sul do
Viet-Nam, em 1941, com a permissão 'relutante' do Governo
de Vichy
. E igualmente ocupam as Índias Orientais Holandesas
(futuramente, a Indonésia), quando a Holanda é ocupada pelos
alemães. Tal expansão nipônica é explica pela necessidade de
matérias-primas, principalmente petróleo.

Contudo, os japoneses não desistiram da diplomacia. A proposta
era: se os EUA desistissem do 'bloqueio econômico', além de
convencerem os nacionalistas chineses à um armistício, o Japão
não atacaria no Pacífico. Mas em junho de 1941, as negociações
estão em impasse, e o Secretário Hull continua inamovível. No
Japão, Konoye Fumunaro assume como Primeiro-Ministro e o
Almirante Nomura é o Embaixador em Washington. Em agosto,
Konoye propôs um encontro com Roosevelt.

Mas até outubro nada se concretiza, e o General Tojo assume
como Primeiro-Ministro. São traçados os planos de guerra. Alvos:
Pearl Harbour, Filipinas, Singapura. Mas é mantido o 'disfarce
diplomático'
: o envio de Kuruso Saburo à Washington, em novembro.
Em 1o de dezembro, a decisão da guerra. E os EUA sabiam!
Desde a decifração do código japonês. Só não se sabia Quando
nem Onde.

A declaração de guerra chega em 7 de dezembro de 1941, com
Pearl Harbour atacada. Mas C. Hull sabia desde o dia anterior.
A base no Havaí foi alertada tarde demais. Propositalmente?
(Assim, os EUA teriam um motivo palpável para entrarem
explicitamente em guerra com o Eixo)


Continua...


Por
Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/

sábado, 16 de maio de 2009

Os nazistas no governo da Alemanha





De como os nazistas se tornaram Governo


Ninguém levava os nazistas muito à sério. “Um bando
de malucos”, os conservadores diziam. “Uns baderneiros”,
ironizavam os nobres. Mas eis que os partidários do
Hitlerismo estão no poder! E não hesitam em perseguir
quem não concorda com o brado “Alemanha desperta!”
(Deutschland Erwacht) – sejam esquerdistas ou moderados,
judeus ou católicos fervorosos.

Mesmo os políticos britânicos não levavam Herr Hitler
em consideração (talvez a exceção seja mesmo o ex-Lord
do Mar, Winston Churchill) até que o “cabo louco” levou
sua obsessão a ponto de eliminar seus velhos partidários,
e aliar-se com os militares conservadores da nova Wehrmacht.
A trágica Noite dos Longos Punhais (Nacht der langen
Messer, Night of the Long Knifes, Nuit des Longs Couteaux,
Notte dei lunghi coltelli
) marcou com sangue a união dos
nazistas hitleristas com os militares da tradição prussiana.

Hitler não fez um expurgo dos oficiais do Exército (Heer),
como desejava Ernst Röhm, líder da S. A ., nem destituiu
os plutocratas, os oligarcas, como queria o 'socialista'
Gregor Strasser. Ao contrário, o Führer ordenou a eliminação
dos 'subversivos esquerdistas' dentro do próprio Partido,
os 'arruaceiros das S. A .', pois “depois da Revolução,
sobra o problema dos revolucionários
”. Hitler não 'purificou'
o Exército, mas o próprio movimento nazista! Eliminou
num golpe os líderes das S. A ., muitos deles 'velhos
camaradas'. Assim se livrou da rebelião dos 'socialistas'
mais que nacionalistas (neste contra-senso que é um
partido ser 'nacional-socialista'!) e conquistou a confiança
dos Generais da antiga tradição germânica.

(Generais que somente seriam 'expurgados' dez anos
depois, quando do atentado de 20 de julho de 1944, que
quase explodiu o ditador!)

Depois da Noite dos Longos Punhais é que os britânicos e
franceses começaram a observar seriamente os movimentos,
golpes e artimanhas da política nazista. (Ainda mais quando
Hitler tentou anexar a Áustria, quando do assassinato do
Chanceler Dollfuss, por nazistas revoltados. Mas ainda não
era o momento de dar o 'bote fatal'.)

................


A Aliança dos nazistas com os militares


Se o Exército era secular e tradicional, composto por
nobres prussianos e saxônicos, as novas armas, a
Marinha e a Aérea, passaram a ser incentivadas e
integradas por jovens nazistas entusiastas. Em janeiro
de 1935, com a criação da Luftwaffe (usando pilotos e
oficiais da Lufthansa!) e o serviço militar obrigatório (com
efetivos elevados de 100 mil para 500 mil), os nazistas
mostraram o quanto valorizavam as forças armadas.

Era o militarismo alemão de volta ao cenário europeu.
A reação foi imediata: a Conferência de Stresa, em abril
de 1935, com Grã-Bretanha, França e Itália, para comporem
uma 'frente anti-germânica', contra a mudança de fronteiras
DENTRO da Europa (e nada de proibir mudanças FORA
da Europa), além de garantia para a independência da
Áustria.

Reagindo às decisões de Stresa, Hitler denunciou, em
21-05-35, todas as cláusulas militares do Tratado de
Versalhes
. O rearmamento alemão estava assim explícito.
Fiéis a realpolitik, os britânicos logo negocial com os
alemães o limite da frota do Reich (cerca de 1/3 da frota da
GBR) e certa proporção de submarinos. E tudo isso sem
consultar a França! Irritados contra os britânicos, os
franceses (principalmente Pierre Laval) entram em
negociações com a Itália (que fortalece o fascismo ao
conquistar a Etiópia).


(A política francesa reacionária de Laval pode ser
analisada a partir do artigo livre encontrado na wikipédia
francesa, no link abaixo
http://fr.wikipedia.org/wiki/Pierre_Laval , onde as
ambiguidades francesas enfraqueciam sua resistência
aos nazistas)

continua..

por
Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Crises Econômicas do Pós-Guerra e o Nazismo










Crises Econômicas do pós-guerra


Que as crises econômicas da década de 20 e 30 tenham
influenciado e muito a ascensão nazi-fascista até a guerra
mundial ninguém nega, mas analisar as influências diretas
na 'perspectiva de mundo' do cidadão comum, poucos fazem.
As instabilidades monetárias e os diversos planos econômicos
levavam as classes médias e populares a uma descrença
com o sistema político, confundindo os governos burgueses
com a 'democracia' – e assim pensando que a culpa era dos
sistemas parlamentares.

Uma forte onda anti-liberal varreu a Europa – ainda em recons-
trução – e os ditadores começaram a falar mais alto. Os ditos
'governos fortes' passaram a dizer que era o 'fim do liberalismo',
pois os plutocratas, os financistas, os burocratas, os banqueiros
eram os culpados. Com tal discurso conseguiram até a adesão
de fartas fatias das classes proletárias, acostumadas a um
discurso de 'esquerda'.

Para exemplificar, citemos os planos que regulavam os
pagamentos alemães como ressarcimentos por prejuízos
causados pela Primeira Guerra Mundial. O Plano Dawes, de
novembro de 1923, restituía ao governo de Berlim o controle
do orçamento, devendo uma comissão aliada de fiscalização
supervisionar as operações bancárias e tributárias alemãs.

Tal plano vigorou até o Plano Young, em junho de 1929, que
retirava às nações credoras qualquer poder de intervenção na
economia da Alemanha, a qual se comprometia a pagar 37
atividades fixas e 22 anuidades condicionais.

Então o que aconteceu? A quebra da Bolsa de Valores de
New York
, ali na Wall Street, na quinta-feira sombria de 24 de
outubro de 1929, com sua amostra de crise financeira sistêmica,
causou um abalo no mundo e atingiu diretamente os alemães,
que se encontraram impedidos de pagarem as tais anuidades.

O crash de Wall Street (in english) vejam mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Wall_Street_Crash_of_1929


Caos favorável aos fascistas (e também aos extremistas de
esquerda) que aproveitavam os financistas como 'bodes
expiatórios'. Hitler, no poder depois de 1933, passou a rasgar
o Tratado de Versalhes, artigo por artigo, página por página. Em
1935, começou o rearmamento, a nova Wehrmacht. Gastos
militares e obras públicas movimentam a economia. Em janeiro
de 1937, o governo alemão declarou abolido qualquer futuro
pagamento de indenizações de guerra.



Banqueiros britânicos financiaram os nazistas


Por que os banqueiros britânicos financiaram os nazistas?
Simplesmente porque esperavam uma guerra contra o
'comunismo', contra a URSS. Não importava muito se a Polônia
fosse 'molestada'.

Os líderes britânicos não fizeram qualquer esforço para chegar
a um acordo com o governo de Stálin. Daí os nazistas aproveitarem
e, com promessas de uma nova partilha da Polônia, chegarem a
um acordo, o Pacto de Não-Agressão, negociado por Ribbentrop
e Molotov (apesar de que o Pacto Anti-Komintern era expressa-
mente contrário a qualquer relação diplomática dos países
signatários com a potência 'comunista')

Contudo, para o III Reich se voltar contra a URSS, Hitler
precisaria transformar a Alemanha em potência européia –
o que contrariava os partidários do Império Britânico. (Para
Churchill, uma aliança com os soviéticos era meramente
'funcional' – afinal, que outro exército na Europa poderia derrotar
os alemães? O Primeiro-Ministro bem que gostaria que o Reich
e a URSS se eliminassem mutuamente. Como não aconteceu,
ele apoiou a URSS – na política do 'inimigo de inimigo meu,
é amigo meu'
– numa aliança comum e bizarra, onde os
soviéticos entravam com as tropas, numerosas tropas que
seriam sangradas numa 'guerra total'. Mas quando os soviéticos
se mostraram contra-ofensivos e finalmente vencedores,
Churchill passou a gritar contra o 'imperialismo estalinista'!)

Assim, em nome da 'garantia' à Polônia, a Grã-Bretanha declarou
guerra (igualmente fizera em 1914, quando entrou na Grande
Guerra
para exigir a 'intocável' neutralidade da Bélgica) a possível
nova potência – a Alemanha. (Mas antes não havia entregue a
Tchecoslováquia ao Reich? Por que a Grã-Bretanha não declarou
guerra a URSS em setembro de 1939, quando Stálin ordenou o
avanço sobre o leste da Polônia? O objetivo era culpabilizar a
Alemanha por um ato de 'lesa-paz' em nome da segurança e
da democracia, enquanto o medo dos britânicos era de uma
concorrência em plena Europa.

(A Grã-Bretanha não poderia enfrentar o Reich e a URSS ao
mesmo tempo! Teria que jogar a URSS contra o Reich, de
algum modo. Até que Hitler fez exatamente o que os britânicos
queriam – o Führer invadiu a Rússia!)

Até agora não há provas de que Hitler planejava uma 'guerra total'
contra a Grã-Bretanha (e muito remotamente contra os EUA).
O ditador alemão pretendia neutralizar os franceses e britânicos,
para poder exterminar os judeus e eslavos, e assim dominar o
leste europeu.


Voltaremos a esse assunto.

Leonardo de Magalhaens