quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Pacto de Aço / Antecedentes do Conflito no Pacífico



O Pacto de Aço

Em maio de 1939, os governos fascistas da Itália e da
Alemanha resolveram colocar no papel o que o mundo
todo já esperava: uma aliança entre os governos ditatoriais
com o propósito de apoio militar e expansão imperialista.

Ambos descontentes com os limites anglo-franceses de
conquista de territórios africanos e com o domínio das
potências ocidentais no Oriente Médio. Além disso, a
questão ideológica: ambos os governos eram radical-
mente anti-comunistas.

Foi assim que assinaram o Pacto de Aço (Stahlpakt,
Patto d'Acciaio, Pact of Steel, Pacte d'Acier
) em 22 de
maio de 1939, com promessas de ajuda militar e comércio
de matérias-primas, além da luta contra os 'comunistas'.
(Depois o Pacto Anti-Komintern seria ampliado pelas
esferas de influência, e com o surgimento de outras
ditaduras fascistas.)

O papel que levava a assinatura de italianos e alemães
foi uma providência de Ribbentrop e Ciano, os mestres-
dos-fantoches dos serviços diplomáticos, uma vez que
Hitler superestimava o poderio italiano, e Mussolini
acreditava na invencibilidade alemã. Ambos destinados
a criarem a 'nova ordem' contra os liberais e os comunistas.
Ambos prontos a defenderem os novos territórios e a
escravização de novos súditos.

(Em 29 de setembro de 1940, o imperialismo japonês adere
ao Pacto de Aço, e assim é declarado o Pacto Tripartite,
uma ampliação do Eixo Roma-Berlim e do Pacto Anti-Komintern.
Pomposo Pacto assinado na Nova Chancelaria. Contudo os
termos dos Pactos eram pouco respeitados. Hitler não informou
Mussolini sobre a , e depois o Duce não avisou sobre a invasão
(desastrada) da Grécia. Depois a Alemanha se viu não
apoiada pelo Japão quando do ataque a URSS, e por fim
abandonada, quando a Itália pediu armistício em setembro
de 1943.)



Antecedentes do Conflito no Pacífico


Na verdade, a guerra no Pacífico começa com o conflito
sino-nipônico, com os japoneses invadindo territórios da
China, brutalizando as populações e explorando as riquezas.
Em 1931, a Mandchúria é ocupada. Depois, em 1937, o
avanço até Shangai. De triste celebridade é o Massacre
de Nanking
, em dezembro de 1937, quando os japoneses
assassinaram friamente soldados e civis chineses, na
tomada da então capital.

Vejam detalhes
em http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Nanquim

Na época, os EUA apoiavam uma política de “Portas Abertas
na China. Todas as nações deviam reconhecer a 'integridade
territorial' da China, enquanto mantinham as relações
econômicas, de intenso fluxo comercial.

Quando o Japão ousou agredir a China, tal ato acabou por
romper o 'equilíbrio de poder' na Ásia (assim como a
expansão alemã ameaçava a Europa). O secretário de
Estado norte-americano Cordell Hull condenou o ataque
japonês à China. Inutilmente. Em 1938, o presidente Roosevelt
já mostrava-se descrente da 'política do apaziguamento': “A
paz pelo medo não é melhor nem mais duradoura que a paz
pela espada.


Mas os EUA só se preocuparam mesmo foi com a Queda da
França
(em maio de 1940) e a possível invasão das Ilhas
Britânicas (a Batalha da Inglaterra). Caso, o III Reich vencesse
a GBR, os EUA ficariam sozinho, do outro lado do Atlântico.

Em 1940, Roosevelt candidatou-se ao 3o mandato. E pregava
uma coalização nacional (inclusive indicou vários republicanos
para cargos importantes – e o candidato republicano – Wendell
Willkie – pensava nos termos de 'não isolacionismo'.

A “Lei de Empréstimos e Arrendamentos” (o Lend-Lease Act),
de 1941, possibilitou uma maior ajuda aos países que resistiam
ao avanço do Eixo. Na prática era uma ajuda – em capital, armas,
munições – de 7 bilhões de dólares, para os países anti-fascistas
(GBR, URSS, China e outras 35 nações) Contudo, os EUA
mantiveram as relações diplomáticas com os países do Eixo.

Mais sobre o Lend-Lease
em http://en.wikipedia.org/wiki/Lend-Lease


Antes, em janeiro de 1940, o tratado de comércio entre EUA
e Japão completa a validade e não foi renovado. Ao contrário:
ocorre a proibição de exportação de certos produtos para os
japoneses. Quais produtos? Aço, sucata, petróleo.
Tais 'sanções econômicas' abalam os militaristas japoneses,
que percebem o quanto o Japão depende das matérias-primas
alheias, principalmente, estas vindas dos EUA.

Com a Queda da França, os japoneses ocupam a parte sul do
Viet-Nam, em 1941, com a permissão 'relutante' do Governo
de Vichy
. E igualmente ocupam as Índias Orientais Holandesas
(futuramente, a Indonésia), quando a Holanda é ocupada pelos
alemães. Tal expansão nipônica é explica pela necessidade de
matérias-primas, principalmente petróleo.

Contudo, os japoneses não desistiram da diplomacia. A proposta
era: se os EUA desistissem do 'bloqueio econômico', além de
convencerem os nacionalistas chineses à um armistício, o Japão
não atacaria no Pacífico. Mas em junho de 1941, as negociações
estão em impasse, e o Secretário Hull continua inamovível. No
Japão, Konoye Fumunaro assume como Primeiro-Ministro e o
Almirante Nomura é o Embaixador em Washington. Em agosto,
Konoye propôs um encontro com Roosevelt.

Mas até outubro nada se concretiza, e o General Tojo assume
como Primeiro-Ministro. São traçados os planos de guerra. Alvos:
Pearl Harbour, Filipinas, Singapura. Mas é mantido o 'disfarce
diplomático'
: o envio de Kuruso Saburo à Washington, em novembro.
Em 1o de dezembro, a decisão da guerra. E os EUA sabiam!
Desde a decifração do código japonês. Só não se sabia Quando
nem Onde.

A declaração de guerra chega em 7 de dezembro de 1941, com
Pearl Harbour atacada. Mas C. Hull sabia desde o dia anterior.
A base no Havaí foi alertada tarde demais. Propositalmente?
(Assim, os EUA teriam um motivo palpável para entrarem
explicitamente em guerra com o Eixo)


Continua...


Por
Leonardo de Magalhaens
http://leonardomagalhaens.zip.net/

sábado, 16 de maio de 2009

Os nazistas no governo da Alemanha





De como os nazistas se tornaram Governo


Ninguém levava os nazistas muito à sério. “Um bando
de malucos”, os conservadores diziam. “Uns baderneiros”,
ironizavam os nobres. Mas eis que os partidários do
Hitlerismo estão no poder! E não hesitam em perseguir
quem não concorda com o brado “Alemanha desperta!”
(Deutschland Erwacht) – sejam esquerdistas ou moderados,
judeus ou católicos fervorosos.

Mesmo os políticos britânicos não levavam Herr Hitler
em consideração (talvez a exceção seja mesmo o ex-Lord
do Mar, Winston Churchill) até que o “cabo louco” levou
sua obsessão a ponto de eliminar seus velhos partidários,
e aliar-se com os militares conservadores da nova Wehrmacht.
A trágica Noite dos Longos Punhais (Nacht der langen
Messer, Night of the Long Knifes, Nuit des Longs Couteaux,
Notte dei lunghi coltelli
) marcou com sangue a união dos
nazistas hitleristas com os militares da tradição prussiana.

Hitler não fez um expurgo dos oficiais do Exército (Heer),
como desejava Ernst Röhm, líder da S. A ., nem destituiu
os plutocratas, os oligarcas, como queria o 'socialista'
Gregor Strasser. Ao contrário, o Führer ordenou a eliminação
dos 'subversivos esquerdistas' dentro do próprio Partido,
os 'arruaceiros das S. A .', pois “depois da Revolução,
sobra o problema dos revolucionários
”. Hitler não 'purificou'
o Exército, mas o próprio movimento nazista! Eliminou
num golpe os líderes das S. A ., muitos deles 'velhos
camaradas'. Assim se livrou da rebelião dos 'socialistas'
mais que nacionalistas (neste contra-senso que é um
partido ser 'nacional-socialista'!) e conquistou a confiança
dos Generais da antiga tradição germânica.

(Generais que somente seriam 'expurgados' dez anos
depois, quando do atentado de 20 de julho de 1944, que
quase explodiu o ditador!)

Depois da Noite dos Longos Punhais é que os britânicos e
franceses começaram a observar seriamente os movimentos,
golpes e artimanhas da política nazista. (Ainda mais quando
Hitler tentou anexar a Áustria, quando do assassinato do
Chanceler Dollfuss, por nazistas revoltados. Mas ainda não
era o momento de dar o 'bote fatal'.)

................


A Aliança dos nazistas com os militares


Se o Exército era secular e tradicional, composto por
nobres prussianos e saxônicos, as novas armas, a
Marinha e a Aérea, passaram a ser incentivadas e
integradas por jovens nazistas entusiastas. Em janeiro
de 1935, com a criação da Luftwaffe (usando pilotos e
oficiais da Lufthansa!) e o serviço militar obrigatório (com
efetivos elevados de 100 mil para 500 mil), os nazistas
mostraram o quanto valorizavam as forças armadas.

Era o militarismo alemão de volta ao cenário europeu.
A reação foi imediata: a Conferência de Stresa, em abril
de 1935, com Grã-Bretanha, França e Itália, para comporem
uma 'frente anti-germânica', contra a mudança de fronteiras
DENTRO da Europa (e nada de proibir mudanças FORA
da Europa), além de garantia para a independência da
Áustria.

Reagindo às decisões de Stresa, Hitler denunciou, em
21-05-35, todas as cláusulas militares do Tratado de
Versalhes
. O rearmamento alemão estava assim explícito.
Fiéis a realpolitik, os britânicos logo negocial com os
alemães o limite da frota do Reich (cerca de 1/3 da frota da
GBR) e certa proporção de submarinos. E tudo isso sem
consultar a França! Irritados contra os britânicos, os
franceses (principalmente Pierre Laval) entram em
negociações com a Itália (que fortalece o fascismo ao
conquistar a Etiópia).


(A política francesa reacionária de Laval pode ser
analisada a partir do artigo livre encontrado na wikipédia
francesa, no link abaixo
http://fr.wikipedia.org/wiki/Pierre_Laval , onde as
ambiguidades francesas enfraqueciam sua resistência
aos nazistas)

continua..

por
Leonardo de Magalhaens

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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Crises Econômicas do Pós-Guerra e o Nazismo










Crises Econômicas do pós-guerra


Que as crises econômicas da década de 20 e 30 tenham
influenciado e muito a ascensão nazi-fascista até a guerra
mundial ninguém nega, mas analisar as influências diretas
na 'perspectiva de mundo' do cidadão comum, poucos fazem.
As instabilidades monetárias e os diversos planos econômicos
levavam as classes médias e populares a uma descrença
com o sistema político, confundindo os governos burgueses
com a 'democracia' – e assim pensando que a culpa era dos
sistemas parlamentares.

Uma forte onda anti-liberal varreu a Europa – ainda em recons-
trução – e os ditadores começaram a falar mais alto. Os ditos
'governos fortes' passaram a dizer que era o 'fim do liberalismo',
pois os plutocratas, os financistas, os burocratas, os banqueiros
eram os culpados. Com tal discurso conseguiram até a adesão
de fartas fatias das classes proletárias, acostumadas a um
discurso de 'esquerda'.

Para exemplificar, citemos os planos que regulavam os
pagamentos alemães como ressarcimentos por prejuízos
causados pela Primeira Guerra Mundial. O Plano Dawes, de
novembro de 1923, restituía ao governo de Berlim o controle
do orçamento, devendo uma comissão aliada de fiscalização
supervisionar as operações bancárias e tributárias alemãs.

Tal plano vigorou até o Plano Young, em junho de 1929, que
retirava às nações credoras qualquer poder de intervenção na
economia da Alemanha, a qual se comprometia a pagar 37
atividades fixas e 22 anuidades condicionais.

Então o que aconteceu? A quebra da Bolsa de Valores de
New York
, ali na Wall Street, na quinta-feira sombria de 24 de
outubro de 1929, com sua amostra de crise financeira sistêmica,
causou um abalo no mundo e atingiu diretamente os alemães,
que se encontraram impedidos de pagarem as tais anuidades.

O crash de Wall Street (in english) vejam mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Wall_Street_Crash_of_1929


Caos favorável aos fascistas (e também aos extremistas de
esquerda) que aproveitavam os financistas como 'bodes
expiatórios'. Hitler, no poder depois de 1933, passou a rasgar
o Tratado de Versalhes, artigo por artigo, página por página. Em
1935, começou o rearmamento, a nova Wehrmacht. Gastos
militares e obras públicas movimentam a economia. Em janeiro
de 1937, o governo alemão declarou abolido qualquer futuro
pagamento de indenizações de guerra.



Banqueiros britânicos financiaram os nazistas


Por que os banqueiros britânicos financiaram os nazistas?
Simplesmente porque esperavam uma guerra contra o
'comunismo', contra a URSS. Não importava muito se a Polônia
fosse 'molestada'.

Os líderes britânicos não fizeram qualquer esforço para chegar
a um acordo com o governo de Stálin. Daí os nazistas aproveitarem
e, com promessas de uma nova partilha da Polônia, chegarem a
um acordo, o Pacto de Não-Agressão, negociado por Ribbentrop
e Molotov (apesar de que o Pacto Anti-Komintern era expressa-
mente contrário a qualquer relação diplomática dos países
signatários com a potência 'comunista')

Contudo, para o III Reich se voltar contra a URSS, Hitler
precisaria transformar a Alemanha em potência européia –
o que contrariava os partidários do Império Britânico. (Para
Churchill, uma aliança com os soviéticos era meramente
'funcional' – afinal, que outro exército na Europa poderia derrotar
os alemães? O Primeiro-Ministro bem que gostaria que o Reich
e a URSS se eliminassem mutuamente. Como não aconteceu,
ele apoiou a URSS – na política do 'inimigo de inimigo meu,
é amigo meu'
– numa aliança comum e bizarra, onde os
soviéticos entravam com as tropas, numerosas tropas que
seriam sangradas numa 'guerra total'. Mas quando os soviéticos
se mostraram contra-ofensivos e finalmente vencedores,
Churchill passou a gritar contra o 'imperialismo estalinista'!)

Assim, em nome da 'garantia' à Polônia, a Grã-Bretanha declarou
guerra (igualmente fizera em 1914, quando entrou na Grande
Guerra
para exigir a 'intocável' neutralidade da Bélgica) a possível
nova potência – a Alemanha. (Mas antes não havia entregue a
Tchecoslováquia ao Reich? Por que a Grã-Bretanha não declarou
guerra a URSS em setembro de 1939, quando Stálin ordenou o
avanço sobre o leste da Polônia? O objetivo era culpabilizar a
Alemanha por um ato de 'lesa-paz' em nome da segurança e
da democracia, enquanto o medo dos britânicos era de uma
concorrência em plena Europa.

(A Grã-Bretanha não poderia enfrentar o Reich e a URSS ao
mesmo tempo! Teria que jogar a URSS contra o Reich, de
algum modo. Até que Hitler fez exatamente o que os britânicos
queriam – o Führer invadiu a Rússia!)

Até agora não há provas de que Hitler planejava uma 'guerra total'
contra a Grã-Bretanha (e muito remotamente contra os EUA).
O ditador alemão pretendia neutralizar os franceses e britânicos,
para poder exterminar os judeus e eslavos, e assim dominar o
leste europeu.


Voltaremos a esse assunto.

Leonardo de Magalhaens



sábado, 25 de abril de 2009

Mais causas da Segunda Guerra Mundial





Causas da Segunda Guerra Mundial


Mais sobre o Tratado de Versalhes

(fonte: MICHALANY, Douglas. História das Guerras
Mundiais
, V.5, t.1)

Para Clemenceau (apelidado O Tigre), o Tratado [de
Versalhes] seria um meio eficiente de manter a Alemanha,
pelo maior tempo possível, em tal estado de prostração,
que deixasse de constituir uma ameaça para a França.
Lloyd George [Primeiro-Ministro britânico] preocupava-se
sobretudo com o restabelecimento do equilíbrio europeu,
para que a França não assumisse importância demasiada
e a Grã-Bretanha continuasse a ser o fiel da balança.
Quanto a Wilson [Presidente dos EUA], seu idealismo e
seu desconhecimento dos problemas europeus, faziam-no
ansiar por uma paz que eliminasse, definitivamente, a
possibilidade de novas guerras.

Para o estadista americano, o mais importante seria a
estruturação de um organismo internacional que impedisse
novos conflitos. Wilson divulgou seus famosos “14 Pontos”,
que foram desprezados pelos líderes da França e Grã-Bretanha.
Humilhando a Alemanha julgavam garantir a paz duradoura.
Nada mais errado. Acabaram por nutrir o ressentimento
de todo um povo.

(Vejam mais sobre a Liga ou Sociedade das Nações em
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,326171,00.html e seu
fim em
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,306975,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf
e também (in english) http://en.wikipedia.org/wiki/League_of_Nations

..............

A Conferência Naval de Washington

Outubro/1921


Interessados no desarmamento, os governos americano
e britânico convidaram França, Itália e Japão, para uma
conferência naval em Washington , em outubro de 1921,
das discussões então havidas, resultou o estabelecimento
da paridade em tonelagem, relativamente aos couraçados
e cruzadores, entre as marinhas inglesa e norte-americana;
o Japão poderia ter 3/5 daquela tonelagem; a França e Itália,
1/3. Os franceses, melindrados com essa tabela que feria
seu orgulho nacional, recusaram-se obstinadamente a
qualquer acordo que limitasse a quantidade de belonaves
menores, sobretudo quanto aos submarinos. Na realidade,
a Conferência de Washington foi o primeiro sinal de arrefeci-
mento nas relações franco-britânicas, ao mesmo tempo em
que assinalava o reconhecimento do Japão como grande
potência.”

.............


A Questão Italiana

A 'vitória de Pirro' da Itália na Primeira Guerra Mundial
foi notável. Uma mobilização de 5,5 milhões de soldados,
com baixas dolorosas de 600 mil mortos e quase 1 milhão
de feridos, com mais da metade de seus navios afundados,
um prejuízo subindo a 15 bilhões de dólares, e custos que
chegavam a 30% do PIB (renda nacional), causando uma
rápida desvalorização da lira.

O que mais? Uma inflação, aumento do custo de vida, aumento
do desemprego, incapacidade do governo parlamentar, ascensão
dos grupos de esquerda (anarquistas, socialistas, comunistas)
e aumento das greves, o que a uma reação dos monarquistas e
tradicionalistas, no movimento denominado 'fascista' onde a
'unidade nacional', a potência e a glória, deveria ser exaltadas
acima de tudo.



Continua....



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Leonardo de Magalhaens

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Causas da II Grande Guerra





Causas da II Grande Guerra


A Segunda Guerra Mundial tem por antecedentes uma
série concatenada de causas, semelhante a Primeira,
mas com um diferencial mais ideológico, enquanto a de
1914 era visivelmente 'imperialista'. Ambos os lados
diziam lutar pelo 'futuro da civilização'. Ambos os lados
diziam estar com a 'verdade'. Os fascistas queriam eliminar
os fracos e os liberais, e os liberais salvaguardar a
'democracia'. Já os socialistas e comunistas queriam
construir o 'paraíso da igualdade social', enfrentando os
dois grupos em conflito. (Até que os 'estalinistas', e os
'democratas' ianques, foram atacados, em 1941)

Basicamente a disputa de mercados e hegemonia no início
do século 20 foi 'sublimada' por disputas ideológicas, enquanto
a 'realpolitik' era mascarada por discursos pseudo-racionalistas
de 'liberdade' ou 'igualdade', 'vontade de poder' ou 'co-pros-
peridade'. Daí dizermos que há todo um 'imaginário' da
Segunda Guerra Mundial, todo um cenário de informação e
contra-informação, de propaganda e anti-propaganda, que
não havia em 1914-1918.

A Segunda Guerra Mundial começou como uma 'guerra civil
européia' com a Alemanha invadindo o alegado 'espaço vital'
(Lebensraum) na Europa do leste, e desafiando as hegemonias
das potências ocidentais e ameaçando as fronteiras da URSS
(capitaneada pela extensa e nebulosa Rússia). A guerra se
estendeu (além do prazo que o próprio Hitler esperava) devido
a recusa da Grã-Bretanha em aceitar uma hegemonia alemã
na Europa. Além, disso a recusa britânica e francesa em aceitar
o poderio italiano no Mediterrâneo e na África do Norte, levou
o ditador Mussolini a se aproximar mais do ditador alemão,
conduzindo assim a formação do Eixo Roma-Berlim.

Outra recusa era a norte-americana. Se os japoneses aceitavam
uma “América para os americanos”, era porque desejavam uma
Ásia para os asiáticos”, ou seja, uma Ásia sob hegemonia
japonesa. Mas os EUA se recusaram em aceitar tal hegemonia
nipônica no Pacífico e sudeste asiático. Assim, estava armada
a disputa. As imediatas ambições imperialistas do fascismo
italiano, do nazismo alemão e do militarismo japonês levaram
a eclosão do conflito.

No final, todos os imperialistas 'tardios' foram sufocados pelo
poderio industrial dos imperialistas 'clássicos', a Grã-Bretanha
e os EUA, e pela ascensão – ainda que dolorosa – da nova
potência, a URSS.

O Tratado de Versalhes

Uma causa que a maioria dos historiadores ressaltam é a
humilhação alemã com o termos do Tratado de Versalhes.
Na verdade, um Diktat, este complicado tratado não conseguiu
salvaguardar a paz – ainda mais em tempos de crises
econômicas como foi a de 1930.

Os chamados 'tratados de paz' foram nada mais que imposições
dos vencedores sobre os vencidos (por mais que os alemães
tenham mostrado 'eficiência bélica', e derrotados pela chegada
dos norte-americanos ), como bem notamos nas conferências
pós-guerra. Os tratados foram: Versalhes (28-06-1919), com a
Alemanha; Saint-Germain (10-09-1919) com a Áustria; Neuilly
(27-11-1919), com a Bulgária; Trianon (04-06-1920) com a
Hungria; e Sèvres (10-08-1920) com a Turquia. Com exceção
da Turquia, todos os demais países, descontentes, se deixaram
atrair para a esfera de influência da Alemanha, quando da
ascensão do III Reich.

Novas nações foram criadas, segundo o “princípio da autonomia
das nacionalidades
”, no que antes era o extenso território do
Império Austro-Húngaro e da parte européia do Império Russo.
Assim foram a Tchecoslováquia, a Iugoslávia, a Polônia, a
Finlândia, a Letônia, a Estônia, a Lituânia, todos pequenos países
que passaram a ser disputados (e ocupados) pelos gigantes ao
redor – Alemanha e Rússia.

Já em 1931, Trotsky dissera: “Se Hitler assumir o poder, provocará
uma guerra contra a URSS
” (ver “The Struggle against Fascism
in Germany
”) Contudo, de início, foi a Grã-Bretanha que 'pesou
a mão': não aceitaria uma “Europa germanizada”, uma potência
a ameaçar o Império Britânico – daí o apoio a Churchill, e não a
Halifax. Os britânicos (e os franceses) não queriam a competição
da Alemanha,a inda mais com uma ditadura racista e imperialista.
Daí, tentarem destruir Hitler e a “unidade alemã”. Em nome da
'democracia'?


Continua...


Por Leonardo de Magalhaens

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terça-feira, 7 de abril de 2009




A derrota alemã na Primeira Guerra Mundial

O conflito imperialista entre Alemanha e Grã-Bretanha e entre
o Império Austro-Húngaro e o Império Russo levou a um combate
mundial que resultou na fragmentação dos Impérios centrais e
a Revolução Russa de 1917.

Foi o Kaiser Wilhelm II quem rompeu a política de Bismarck de
manter uma aliança com a Grã-Bretanha e a Rússia, no sentido
de isolar a França. Ao dar apoio ao Império Austro-Húngaro contra
os sérvios (apoiados pelos russos), a Alemanha possibilitou uma
guerra civil européia, que levou a guerra mundial.

A França manteve a aliança com a Grã-Bretanha (temerosa quanto
ao poderio alemão), e rompeu o 'bloqueio diplomático' ao financiar o
decadente absolutismo russo.

A Alemanha avançou pela Bélgica, rumo a Paris, mas as tropas
foram contidas pela resistência dos franceses. Forma-se uma linha
defensiva, composta de trincheiras. Cada lado tenta ofensivas, apenas
para ser repelido, com baixas assustadoras. Num impasse que durou
mais de dois anos! Até as novas ofensivas de cada lado em 1917 e
1918.

No leste, os alemães atacaram e empurraram os russos. A péssima
condição do exército czarista levou a rebeliões que culminaram na
Revolução de fevereiro de 1917, que avançou para uma revolução
bolchevique em outubro do mesmo ano, quando os sovietes de
operários, soldados e camponeses exigiram o armistício. Assim, a
Rússia sai da guerra.

E os EUA entram. Em 1917, os norte-americanos engrossam as
fileiras franco-britânicas e repelem a última ofensiva alemã. Antes
que a Alemanha seja invadida, os militares germânicos se rendem,
temendo o avanço da 'revolta vermelha', promovida pelos bolcheviques

internos. É extinta a monarquia e implantada uma república social-
democrata, a República de Weimar.

A I Grande Guerra mobilizou 65 milhões de soldados, sendo 4 milhões
de alemães, 4 milhões de franceses e 42 milhões dos aliados (britânicos,
norte-americanos e russos, a maioria). As baixas totalizaram 5 milhões
de mortos, 2 milhões de desaparecidos e 3 milhões de feridos.

Acontecem os primeiros reconhecimentos aéreos e bombardeios
aéreos contra as tropas, além do uso de tanques (invenção britânica).
Bombardeios que depois de 1937 vão se estender para ataques às
cidades e suas populações civis.



Continua...



Leonardo de Magalhaens

domingo, 29 de março de 2009

Correntes Historiográficas - P2





Correntes historiográficas

Parte 2

Nos anos 70, outros historiadores alcançaram a fama, com
suas polêmicas. Assim, Joachim Fest e John Toland, a
abordarem o perfil psicopatológico e os personalismos dos
líderes, nas cristas dos movimentos históricos, com o homem
empurrando o processo histórico). (Nessa linha, temos nos
anos 90 a obra “O Duelo de Churchill e Hitler”, de John Lukacs,
historiador norte-americano de origem húngara, que mostra
o duelo de personalidades nos encaminhamentos do processo
histórico. Uma luta de nações movida por uma luta de egos.
O nacionalismo mais fascinante que o internacionalismo, o
populismo mais atraente que o socialismo. As figuras do
reacionário, no caso, Churchill, e do revolucionário, aqui, Hitler.
(Mesmo que Hitler seja um 'revolucionário de direita', de
'cima-para-baixo', enquanto Trotsky e Lênin começaram
pelas bases populares)

Alinha historiografia, fatos explicam fatos, tem seu representante
em John Keegan,depois Sir,OBE, autorde “Barbarossa: Invasion
of Russia
” (1941) e “The Second World War” (1990), onde mostra
suas suspeitas quanto as ideias de Clausewitz, onde polítca e
guerra se misturam e se perpetuam.

Seguindo a linha da história econômica está o historiador
britânico Timothy Mason (1940-1990) da Oxford University, que
segue uma abordagem muitopróxima daquela de Mandel,com
ênfase nas condições da Classe Operária em sua luta contra os
interesses capitalistas.(Principalmenteem “The Working Class
and the National Community
”, 1975) E de como os problemas
econômicos empurraram Hitler para a guerra (mas e a ideologia
do 'Lebensraum'? Do 'Império de Mil anos' ? O lado místico do
nazismo é deixado em segundo plano)

Quanto a polêmica, destaca-se David J. C. Irving, que publica
Hitler's War" em 1977, onde a visão do ditador alemão domina,
onde certas arbitrariedades e crueldades são justificadas num
'grande plano', onde o Holocausto foi uma disfunção da 'máquina
bélica' e não seu objetivo. Assim a figura do 'revisionista' ganha
fama do cenário da historiografia (ainda mais quando Irving
recebe apoio do teatrólogo Rolf Hochhuth, persona non grata
no Vaticano, desde a sua peça “O Vigário” (Der Stellvertreter),
onde a figura de Pio XII, 'o papa de Hitler' causa mal-estar.
(Mote excelente para John Cornwell estruturar sua obra
Hitler's Pope”, publicada em 1999. Com igual polêmica!)

Em contraponto a Irving, eis a obra de Daniel Goldhagen, “Os
Carrascos Voluntários de Hitler
”(1996), publicado em Harvard,
EUA, onde não apenas houve o Holocausto como o povo alemão
teve importante participação, com a exteriorização de todo o
anti-semitismo, como se a 'purificação da raça' fosse a remissão
para todos os pecados.

O britânico Richard Overy abre uma disputa com T.Mason, quanto
as questões econômicas, e analisa o esforço de guerra, e suas
causas, em “The Origins of the Second World War” (1987), “Why
the Allies won
” (1995), “Russia's War: Blood upon the snow
(1997), dentre outras obras; mas outro historiador, também britânico
(de Cambridge), Adam Tooze, vem defender a abordagem de
Mason sobre os fatalismos do modelo econômico do III Reich,na
obra “The wages of destruction”, de 2006, onde pode-se concluir
que Hitlerprecisava guerrear e saquear para pagar as contas!

Apegado a historiografia sem interpretações está o britânico
Antony Beevor ( foi discípulo de John Keegan ) que aborda a
guerra total entre germânicos e russos nas obras “Stalingrad
(1998) e “Berlin 1945”(2002), onde mostra o quanto eram cruéis
os dois sistemas políticos em confronto na Frente Oriental,1941
a 1945, o stalinismo (dito 'comunismo') e o hitlerismo (dito
'nacional-socialismo'): um inferno para ambos os povos,
os eslavos-russos e os germânicos.

Recentemente, o destaque é Ian Kershaw, outro britânico, e Sir,
com sua objetividade dos fatos, ao estilo estruturalista, contra a
visão de 'grande homem' (mesmo aquela negativa). Nem o
historicismo dos marxistas nem o personalismo dos criadores de
mitos. Destaca-se a biografia “Hitler”,em dois volumes, “Hubris” e
Nemesis”, publicados em 1998 e 2000.

Moda agora também é a vida amorosa do ditador alemão, com as
obras “Hitler e as mulheres”, de Ian Sayer e Douglas Botting, e
Mulheres de Hitler”, de François Delpla, obras que mostram um
homem atormentado por sexualidade reprimida, delírios passionais
e histeriaamorosa.Trocando energias eróticas com as multidões
apaixonadas, tal um superstar que é frustrado entre quatro paredes.

As correntes historiográficas se formam a partir de questões e
respostas distintas. Há um fato - e descobrir suas causas e
consequências é a motivação.O que e por que aconteceu. Um
exemplo? O atentado contra o Führer em 8 novembro 1939, no
Burgerbraukeller de Munich, em pleno início da Segunda Guerra,
quando (o fato) um tal Johann Georg Elser,carpinteiro, operário,
instalou uma bomba de efeito retardado num dos pilares do
auditório.E havendo Hitler saído mais cedo, a bomba explodiu
meio aos retardatários. O atentado matou 7 pessoas e feriu
outras 63.

Explicações para o fato são basicamente 4, a saber, Elser agiu
sozinho, por conta própria, pois odiava o ditador, ou então,
Elser agiu por ordens de um complô anti-nazista. Outra
versão diz que Else agiu por ordem de Himmler (que queria
logo eliminar Hitler e assumir o poder). E ainda encontramos
que Elser agiu por ordem de Himmler (que avisou Hitler) e
tudo para culpar os britânicos (aqui o reforço fatual: o jornal
Völkischer Beobachter pôs a culpa do incidente no Serviço
Secreto britânico
.

por
Leonardo de Magalhaens

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