sábado, 25 de abril de 2009

Mais causas da Segunda Guerra Mundial





Causas da Segunda Guerra Mundial


Mais sobre o Tratado de Versalhes

(fonte: MICHALANY, Douglas. História das Guerras
Mundiais
, V.5, t.1)

Para Clemenceau (apelidado O Tigre), o Tratado [de
Versalhes] seria um meio eficiente de manter a Alemanha,
pelo maior tempo possível, em tal estado de prostração,
que deixasse de constituir uma ameaça para a França.
Lloyd George [Primeiro-Ministro britânico] preocupava-se
sobretudo com o restabelecimento do equilíbrio europeu,
para que a França não assumisse importância demasiada
e a Grã-Bretanha continuasse a ser o fiel da balança.
Quanto a Wilson [Presidente dos EUA], seu idealismo e
seu desconhecimento dos problemas europeus, faziam-no
ansiar por uma paz que eliminasse, definitivamente, a
possibilidade de novas guerras.

Para o estadista americano, o mais importante seria a
estruturação de um organismo internacional que impedisse
novos conflitos. Wilson divulgou seus famosos “14 Pontos”,
que foram desprezados pelos líderes da França e Grã-Bretanha.
Humilhando a Alemanha julgavam garantir a paz duradoura.
Nada mais errado. Acabaram por nutrir o ressentimento
de todo um povo.

(Vejam mais sobre a Liga ou Sociedade das Nações em
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,326171,00.html e seu
fim em
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,306975,00.html?maca=bra-rss-br-all-1030-rdf
e também (in english) http://en.wikipedia.org/wiki/League_of_Nations

..............

A Conferência Naval de Washington

Outubro/1921


Interessados no desarmamento, os governos americano
e britânico convidaram França, Itália e Japão, para uma
conferência naval em Washington , em outubro de 1921,
das discussões então havidas, resultou o estabelecimento
da paridade em tonelagem, relativamente aos couraçados
e cruzadores, entre as marinhas inglesa e norte-americana;
o Japão poderia ter 3/5 daquela tonelagem; a França e Itália,
1/3. Os franceses, melindrados com essa tabela que feria
seu orgulho nacional, recusaram-se obstinadamente a
qualquer acordo que limitasse a quantidade de belonaves
menores, sobretudo quanto aos submarinos. Na realidade,
a Conferência de Washington foi o primeiro sinal de arrefeci-
mento nas relações franco-britânicas, ao mesmo tempo em
que assinalava o reconhecimento do Japão como grande
potência.”

.............


A Questão Italiana

A 'vitória de Pirro' da Itália na Primeira Guerra Mundial
foi notável. Uma mobilização de 5,5 milhões de soldados,
com baixas dolorosas de 600 mil mortos e quase 1 milhão
de feridos, com mais da metade de seus navios afundados,
um prejuízo subindo a 15 bilhões de dólares, e custos que
chegavam a 30% do PIB (renda nacional), causando uma
rápida desvalorização da lira.

O que mais? Uma inflação, aumento do custo de vida, aumento
do desemprego, incapacidade do governo parlamentar, ascensão
dos grupos de esquerda (anarquistas, socialistas, comunistas)
e aumento das greves, o que a uma reação dos monarquistas e
tradicionalistas, no movimento denominado 'fascista' onde a
'unidade nacional', a potência e a glória, deveria ser exaltadas
acima de tudo.



Continua....



Por

Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Causas da II Grande Guerra





Causas da II Grande Guerra


A Segunda Guerra Mundial tem por antecedentes uma
série concatenada de causas, semelhante a Primeira,
mas com um diferencial mais ideológico, enquanto a de
1914 era visivelmente 'imperialista'. Ambos os lados
diziam lutar pelo 'futuro da civilização'. Ambos os lados
diziam estar com a 'verdade'. Os fascistas queriam eliminar
os fracos e os liberais, e os liberais salvaguardar a
'democracia'. Já os socialistas e comunistas queriam
construir o 'paraíso da igualdade social', enfrentando os
dois grupos em conflito. (Até que os 'estalinistas', e os
'democratas' ianques, foram atacados, em 1941)

Basicamente a disputa de mercados e hegemonia no início
do século 20 foi 'sublimada' por disputas ideológicas, enquanto
a 'realpolitik' era mascarada por discursos pseudo-racionalistas
de 'liberdade' ou 'igualdade', 'vontade de poder' ou 'co-pros-
peridade'. Daí dizermos que há todo um 'imaginário' da
Segunda Guerra Mundial, todo um cenário de informação e
contra-informação, de propaganda e anti-propaganda, que
não havia em 1914-1918.

A Segunda Guerra Mundial começou como uma 'guerra civil
européia' com a Alemanha invadindo o alegado 'espaço vital'
(Lebensraum) na Europa do leste, e desafiando as hegemonias
das potências ocidentais e ameaçando as fronteiras da URSS
(capitaneada pela extensa e nebulosa Rússia). A guerra se
estendeu (além do prazo que o próprio Hitler esperava) devido
a recusa da Grã-Bretanha em aceitar uma hegemonia alemã
na Europa. Além, disso a recusa britânica e francesa em aceitar
o poderio italiano no Mediterrâneo e na África do Norte, levou
o ditador Mussolini a se aproximar mais do ditador alemão,
conduzindo assim a formação do Eixo Roma-Berlim.

Outra recusa era a norte-americana. Se os japoneses aceitavam
uma “América para os americanos”, era porque desejavam uma
Ásia para os asiáticos”, ou seja, uma Ásia sob hegemonia
japonesa. Mas os EUA se recusaram em aceitar tal hegemonia
nipônica no Pacífico e sudeste asiático. Assim, estava armada
a disputa. As imediatas ambições imperialistas do fascismo
italiano, do nazismo alemão e do militarismo japonês levaram
a eclosão do conflito.

No final, todos os imperialistas 'tardios' foram sufocados pelo
poderio industrial dos imperialistas 'clássicos', a Grã-Bretanha
e os EUA, e pela ascensão – ainda que dolorosa – da nova
potência, a URSS.

O Tratado de Versalhes

Uma causa que a maioria dos historiadores ressaltam é a
humilhação alemã com o termos do Tratado de Versalhes.
Na verdade, um Diktat, este complicado tratado não conseguiu
salvaguardar a paz – ainda mais em tempos de crises
econômicas como foi a de 1930.

Os chamados 'tratados de paz' foram nada mais que imposições
dos vencedores sobre os vencidos (por mais que os alemães
tenham mostrado 'eficiência bélica', e derrotados pela chegada
dos norte-americanos ), como bem notamos nas conferências
pós-guerra. Os tratados foram: Versalhes (28-06-1919), com a
Alemanha; Saint-Germain (10-09-1919) com a Áustria; Neuilly
(27-11-1919), com a Bulgária; Trianon (04-06-1920) com a
Hungria; e Sèvres (10-08-1920) com a Turquia. Com exceção
da Turquia, todos os demais países, descontentes, se deixaram
atrair para a esfera de influência da Alemanha, quando da
ascensão do III Reich.

Novas nações foram criadas, segundo o “princípio da autonomia
das nacionalidades
”, no que antes era o extenso território do
Império Austro-Húngaro e da parte européia do Império Russo.
Assim foram a Tchecoslováquia, a Iugoslávia, a Polônia, a
Finlândia, a Letônia, a Estônia, a Lituânia, todos pequenos países
que passaram a ser disputados (e ocupados) pelos gigantes ao
redor – Alemanha e Rússia.

Já em 1931, Trotsky dissera: “Se Hitler assumir o poder, provocará
uma guerra contra a URSS
” (ver “The Struggle against Fascism
in Germany
”) Contudo, de início, foi a Grã-Bretanha que 'pesou
a mão': não aceitaria uma “Europa germanizada”, uma potência
a ameaçar o Império Britânico – daí o apoio a Churchill, e não a
Halifax. Os britânicos (e os franceses) não queriam a competição
da Alemanha,a inda mais com uma ditadura racista e imperialista.
Daí, tentarem destruir Hitler e a “unidade alemã”. Em nome da
'democracia'?


Continua...


Por Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

terça-feira, 7 de abril de 2009




A derrota alemã na Primeira Guerra Mundial

O conflito imperialista entre Alemanha e Grã-Bretanha e entre
o Império Austro-Húngaro e o Império Russo levou a um combate
mundial que resultou na fragmentação dos Impérios centrais e
a Revolução Russa de 1917.

Foi o Kaiser Wilhelm II quem rompeu a política de Bismarck de
manter uma aliança com a Grã-Bretanha e a Rússia, no sentido
de isolar a França. Ao dar apoio ao Império Austro-Húngaro contra
os sérvios (apoiados pelos russos), a Alemanha possibilitou uma
guerra civil européia, que levou a guerra mundial.

A França manteve a aliança com a Grã-Bretanha (temerosa quanto
ao poderio alemão), e rompeu o 'bloqueio diplomático' ao financiar o
decadente absolutismo russo.

A Alemanha avançou pela Bélgica, rumo a Paris, mas as tropas
foram contidas pela resistência dos franceses. Forma-se uma linha
defensiva, composta de trincheiras. Cada lado tenta ofensivas, apenas
para ser repelido, com baixas assustadoras. Num impasse que durou
mais de dois anos! Até as novas ofensivas de cada lado em 1917 e
1918.

No leste, os alemães atacaram e empurraram os russos. A péssima
condição do exército czarista levou a rebeliões que culminaram na
Revolução de fevereiro de 1917, que avançou para uma revolução
bolchevique em outubro do mesmo ano, quando os sovietes de
operários, soldados e camponeses exigiram o armistício. Assim, a
Rússia sai da guerra.

E os EUA entram. Em 1917, os norte-americanos engrossam as
fileiras franco-britânicas e repelem a última ofensiva alemã. Antes
que a Alemanha seja invadida, os militares germânicos se rendem,
temendo o avanço da 'revolta vermelha', promovida pelos bolcheviques

internos. É extinta a monarquia e implantada uma república social-
democrata, a República de Weimar.

A I Grande Guerra mobilizou 65 milhões de soldados, sendo 4 milhões
de alemães, 4 milhões de franceses e 42 milhões dos aliados (britânicos,
norte-americanos e russos, a maioria). As baixas totalizaram 5 milhões
de mortos, 2 milhões de desaparecidos e 3 milhões de feridos.

Acontecem os primeiros reconhecimentos aéreos e bombardeios
aéreos contra as tropas, além do uso de tanques (invenção britânica).
Bombardeios que depois de 1937 vão se estender para ataques às
cidades e suas populações civis.



Continua...



Leonardo de Magalhaens

domingo, 29 de março de 2009

Correntes Historiográficas - P2





Correntes historiográficas

Parte 2

Nos anos 70, outros historiadores alcançaram a fama, com
suas polêmicas. Assim, Joachim Fest e John Toland, a
abordarem o perfil psicopatológico e os personalismos dos
líderes, nas cristas dos movimentos históricos, com o homem
empurrando o processo histórico). (Nessa linha, temos nos
anos 90 a obra “O Duelo de Churchill e Hitler”, de John Lukacs,
historiador norte-americano de origem húngara, que mostra
o duelo de personalidades nos encaminhamentos do processo
histórico. Uma luta de nações movida por uma luta de egos.
O nacionalismo mais fascinante que o internacionalismo, o
populismo mais atraente que o socialismo. As figuras do
reacionário, no caso, Churchill, e do revolucionário, aqui, Hitler.
(Mesmo que Hitler seja um 'revolucionário de direita', de
'cima-para-baixo', enquanto Trotsky e Lênin começaram
pelas bases populares)

Alinha historiografia, fatos explicam fatos, tem seu representante
em John Keegan,depois Sir,OBE, autorde “Barbarossa: Invasion
of Russia
” (1941) e “The Second World War” (1990), onde mostra
suas suspeitas quanto as ideias de Clausewitz, onde polítca e
guerra se misturam e se perpetuam.

Seguindo a linha da história econômica está o historiador
britânico Timothy Mason (1940-1990) da Oxford University, que
segue uma abordagem muitopróxima daquela de Mandel,com
ênfase nas condições da Classe Operária em sua luta contra os
interesses capitalistas.(Principalmenteem “The Working Class
and the National Community
”, 1975) E de como os problemas
econômicos empurraram Hitler para a guerra (mas e a ideologia
do 'Lebensraum'? Do 'Império de Mil anos' ? O lado místico do
nazismo é deixado em segundo plano)

Quanto a polêmica, destaca-se David J. C. Irving, que publica
Hitler's War" em 1977, onde a visão do ditador alemão domina,
onde certas arbitrariedades e crueldades são justificadas num
'grande plano', onde o Holocausto foi uma disfunção da 'máquina
bélica' e não seu objetivo. Assim a figura do 'revisionista' ganha
fama do cenário da historiografia (ainda mais quando Irving
recebe apoio do teatrólogo Rolf Hochhuth, persona non grata
no Vaticano, desde a sua peça “O Vigário” (Der Stellvertreter),
onde a figura de Pio XII, 'o papa de Hitler' causa mal-estar.
(Mote excelente para John Cornwell estruturar sua obra
Hitler's Pope”, publicada em 1999. Com igual polêmica!)

Em contraponto a Irving, eis a obra de Daniel Goldhagen, “Os
Carrascos Voluntários de Hitler
”(1996), publicado em Harvard,
EUA, onde não apenas houve o Holocausto como o povo alemão
teve importante participação, com a exteriorização de todo o
anti-semitismo, como se a 'purificação da raça' fosse a remissão
para todos os pecados.

O britânico Richard Overy abre uma disputa com T.Mason, quanto
as questões econômicas, e analisa o esforço de guerra, e suas
causas, em “The Origins of the Second World War” (1987), “Why
the Allies won
” (1995), “Russia's War: Blood upon the snow
(1997), dentre outras obras; mas outro historiador, também britânico
(de Cambridge), Adam Tooze, vem defender a abordagem de
Mason sobre os fatalismos do modelo econômico do III Reich,na
obra “The wages of destruction”, de 2006, onde pode-se concluir
que Hitlerprecisava guerrear e saquear para pagar as contas!

Apegado a historiografia sem interpretações está o britânico
Antony Beevor ( foi discípulo de John Keegan ) que aborda a
guerra total entre germânicos e russos nas obras “Stalingrad
(1998) e “Berlin 1945”(2002), onde mostra o quanto eram cruéis
os dois sistemas políticos em confronto na Frente Oriental,1941
a 1945, o stalinismo (dito 'comunismo') e o hitlerismo (dito
'nacional-socialismo'): um inferno para ambos os povos,
os eslavos-russos e os germânicos.

Recentemente, o destaque é Ian Kershaw, outro britânico, e Sir,
com sua objetividade dos fatos, ao estilo estruturalista, contra a
visão de 'grande homem' (mesmo aquela negativa). Nem o
historicismo dos marxistas nem o personalismo dos criadores de
mitos. Destaca-se a biografia “Hitler”,em dois volumes, “Hubris” e
Nemesis”, publicados em 1998 e 2000.

Moda agora também é a vida amorosa do ditador alemão, com as
obras “Hitler e as mulheres”, de Ian Sayer e Douglas Botting, e
Mulheres de Hitler”, de François Delpla, obras que mostram um
homem atormentado por sexualidade reprimida, delírios passionais
e histeriaamorosa.Trocando energias eróticas com as multidões
apaixonadas, tal um superstar que é frustrado entre quatro paredes.

As correntes historiográficas se formam a partir de questões e
respostas distintas. Há um fato - e descobrir suas causas e
consequências é a motivação.O que e por que aconteceu. Um
exemplo? O atentado contra o Führer em 8 novembro 1939, no
Burgerbraukeller de Munich, em pleno início da Segunda Guerra,
quando (o fato) um tal Johann Georg Elser,carpinteiro, operário,
instalou uma bomba de efeito retardado num dos pilares do
auditório.E havendo Hitler saído mais cedo, a bomba explodiu
meio aos retardatários. O atentado matou 7 pessoas e feriu
outras 63.

Explicações para o fato são basicamente 4, a saber, Elser agiu
sozinho, por conta própria, pois odiava o ditador, ou então,
Elser agiu por ordens de um complô anti-nazista. Outra
versão diz que Else agiu por ordem de Himmler (que queria
logo eliminar Hitler e assumir o poder). E ainda encontramos
que Elser agiu por ordem de Himmler (que avisou Hitler) e
tudo para culpar os britânicos (aqui o reforço fatual: o jornal
Völkischer Beobachter pôs a culpa do incidente no Serviço
Secreto britânico
.

por
Leonardo de Magalhaens

http://leonardomagalhaens.zip.net/

quarta-feira, 25 de março de 2009

Correntes Historiográficas - P1






CORRENTES HISTORIOGRÁFICAS



Parte 1

Uma das problemáticas para quem vai estudar sobre a
Segunda Guerra Mundial é a quantidade de informações
disponíveis e a quantidade de lacunas, além das inúmeras
abordagens conflitantes e contraditórias dependendo das
perspectivas assumidas pelos historiadores – perspectivas
não apenas nacionais, mas sobretudo ideológicas.

Historiadores aristocratas com ideias radicalmente contrárias
às de um scholar de classe média ou de origem proletária.
Professores burgueses que exaltam o liberalismo. E os
ex-comunistas que glorificam a democracia. Escritores direitistas
que negam o Holocausto. Todos com suas visões particularistas,
tendenciosas.

Um dos primeiros a escrever, a começar por seus diários, foi
o jornalista norte-americano William Shirer, que publicou em
1960, o já clássico “The Rise and Fall of the Third Reich” (A
Ascensão e a Queda do III Reich) onde os fatos políticos, as
decisões de gabinete, se entrelaçam com as batalhas militares.
Um dos primeiros a analisar a propaganda e a deturpação das
informações – o que o governo divulga e o que omite ao
conhecimento popular.

Outro clássico é Ernest Mandel (1923-1995), onde as forças
históricas e a análise estrutural do imperialismo capitalista é
mais importante que líderes e grandes homens, aqui meros
fantoches de 'forças históricas'. Assim, para Mendel (e também
Trotsky e E. Fromm), Hitler representa apenas uma marionete
do processo histórico – o capitalismo corporativo aliado ao
nacionalismo militarista, enquanto Churchill, o aristocrata
britânico, seria a continuação da Primeira Guerra Mundial,
com sua defesa do imperialismo britânico.

Também com base marxista, encontramos Isaac Deutscher
(1907-67), observador dos primeiros tempos do fascismo,
biógrafo de Trotsky e Stálin, meio ao fogo cerrado das
ideologias, o flagor dos extremismos. Ataca o Estalinismo,
mas tentando resguardar o Bolchevismo, tentando lembrar
o que seja socialismo. Enquanto ataca os ex-comunistas, entre
eles, o escritor Louis Fischer, biógrafo de Lenin e Stálin, que
passa a atacar o totalitarismo soviético. Tanto I. Deutscher quanto
L.Fischer são inexatos, o primeiro por ser de esquerda, e o
segundo por ser ex-comunista, e assim mostrarem os fatos sob
um aspecto ideológico, a ressaltarem ora o espírito da Revolução,
ora a miséria do povo russo, enquanto procuram ou desculpar
excessos (assim faz Deutscher) ou apontar violências (assim
faz Fischer)

Aproveitando o farto material disponível nos Julgamentos de
Nuremberg, o aristocrata britânico Allan Bullock (1914-2004)
escreveu em 1952 o livro “Hitler: A Study in Tiranny', obra esta
que abre um debate com outro aristocrata, Hugh Trevor-Roper,
um anti-comunista fervoroso, quando ambos tentam chegar a
uma resposta para a velha questão: Hitler era um oportunista
ou um ideólogo fanático? Isto é, Hitler acreditava mesmo no
que escrevia, dizia e gritava?

A ideia de um “Sonderweg” (“caminho especial”) germânico em
seu avanço e tragédia histórica, é negada pelo historiador alemão
Karl Dietrich Bracher em sua obra “Die Auflösung der Weimarer
Republik” (1955), a pobre democracia imposta de fora e negada
internamente nos embates de radicais de esquerda e de
direita. Nega a teoria marxista de nazismo enquanto 'conspiração
reacionária capitalista', mas aceita a tese do Populismo (aqueles
movimentos 'völkisch', p.ex.) outro destaque é “Die deutsch Diktatur”,
de 1969. Uma análise dos dilemas alemães com a derrota na
I Guerra Mundial, até a estruturação totalitária, esta negada por
Martin Broszat, também alemão, que ressalta os aspectos
irracionais do nazismo, movendo um estado de 'economia de
guerra' (assim 'totalitarismo' seria somente o sistema estalinista)
Nessa linha de comparar 'hitlerismo' e 'stalinismo' se destaca o
também germânico Ernst Nolte, mostrando os dois lados da moeda
(Hitler e Stalin: um contra o outro, e assim criando suas carreiras
políticas. Hitler diz ser o anti-bolchevista-mor, e Stálin, o defensor
dos povos contra o fascismo)

continua...


por Leonardo de Magalhaens

domingo, 15 de março de 2009

Alemães ocupam a Boêmia e a Morávia






Alemães ocupam a Boêmia e Morávia
em março de 1939

Depois da vergonha de Munique, quando alegando a
perseguição dos alemães da região montanhosa dos
Sudetos, o ditador Adolf Hitler conseguiu emparedar o
apaziguador homem-do-guarda-chuva, o Primeiro-Ministro
Britânico Neville Chamberlain, no sentido de garantir
tais regiões sobre 'proteção' do Reich, assim aconteceu de
as melhores fortificações da região caírem mãos nazistas.

Como poderiam os tchecos resistirem? Como poderia
combater? Todas as melhores posições estavam sob controle
alemão, e a ocupação da Boêmia e Morávia, na segunda
quinzena de março de 1939, foi um mero passeio. Praga foi
ocupada e um novo governo alemão se dizendo 'protetorado'
foi instituído, sob o comando do Ministro de Relações
Exteriores Konstatin von Neurath, antecessor de Ribbentrop,
e um oficial que serviu na Primeira Guerra Mundial, de
ascendência nobre suábia, um tipo palaciano, subindo nas
ondas de intriga na decadente república de Weimar, e depois
na corte nazista.

Von Neurath obviamente governaria com um título de 'protetor'
seguindo as diretrizes hitleristas de controle e censura, além
de discriminação racial e perseguição aos judeus. (Tanto que
seria julgado em Nuremberg)

Mais info sobre Neurath e o 'Protetorado' em (english) http://en.wikipedia.org/wiki/Konstantin_von_Neurath
e http://en.wikipedia.org/wiki/Protectorate_of_Bohemia_and_Moravia


A política de ocupação e repressão se baseava basicamente
em restringir a cultura tcheca, aliando a cultura do Danúbio,
como um regresso ao tempo em que nem existia a Tchecos-
lováquia (criada em 1918, com cosntituição de 1920) e toda
a região era parte do Império Austro-Húngaro, e Praga ocupava
um destaque de cultura alemão (lembrar que o escritor Franz
Kafka escreveu em alemão, não em tcheco nem iídiche, o que
possibilitou maior divulgação na cultura centro-européia).

Ao mesmo tempo em que agregava os tchecos a uma cultura
alemã-austríaca, os nazistas incentivaram o separatismo dos
eslovacos, que logo proclamaram uma República Eslovaca, em
14 de março, a ser mais um Estado na órbita da Grande Alemanha.
Ao mesmo tempo, Hitler assegurava o desentendimento nacional
dos tchecos, alegando sempre que a Tchecoslováquia era uma
aberração, fruto da derrota das Potências Centrais na Primeira
Guerra Mundial.

O povo aplaudia e chorava nas ruas de Praga (Praha) enquanto
as autoridades eram presas, os judeus eram linchados e os
intelectuais censurados. Tudo em nome da 'proteção' (os alemães
passariam a usar essa alegação de 'proteção' em toda invasão,
o que soa irônico tal uma 'novilíngua' (newspeak) orwelliana!)
diante da degeneração judaica-bolchevista.

Para aliviar o peso da ocupação, um presidente tcheco foi
empossado, Emil Hácha, com o apoio do general tcheco Alois Eliá,
que serviu como Primeiro-Ministro, numa dupla ambígua, que
tentava resistir nem que fosse envenenando colaboracionistas
(os jornalistas envenenados com sanduíches foi uma peça
trágica-cômica!)

Mais sobre a dupla tcheca em (english)
http://en.wikipedia.org/wiki/Emil_H%C3%A1cha
e http://en.wikipedia.org/wiki/Alois_Eli%C3%A1%C5%A1

Mas não considerando von Neurath firme (ou autoritário) o
suficiente, o ditador alemão logo deixaria o pobre povo tcheco
nas mãos do facínora Reinhard Heydrich (logo justiçado pelos
resistentes tchecos)

A história da opressão da Europa oriental apenas começou...


Mais links::::::
http://stampslandia.webng.com/gallery1/cs/B-M1.htm


http://dic.academic.ru/dic.nsf/enwiki/240117
(versão russa)


por LdeM

http://leonardomagalhaens.zip.net/

terça-feira, 10 de março de 2009

Planos Imperialistas dos militaristas japonenes




Planos Imperialistas dos militaristas japoneses

Tanto a Itália quanto o Japão lutaram junto com os Aliados,
na Primeira Guerra Mundial,contra o Império Alemão e o
Império Austro-Húngaro. Contudo, tanto Itália quanto Japão
ficaram insatisfeitos com as conquistas (limitadas pelas
Potências ocidentais, Grã-Bretanha, França, EUA). A Itália
(com meio milhão de mortos) conseguiu apenas o controle
do Trentino e de Trieste – e afundou em crise econômica.

O Japão queria controle sobre a Manchúria, maior intervenção
na China, além de consolidar suas fronteiras com o Império
Russo (então URSS) Além disso, os japoneses queriam o
Pacífico e o Sudeste asiático. Os norte-americanos não
concordaram.os japoneses não entenderam: os EUA não
proclamavam a doutrina Monroe, “América para os americanos”?
O Japão queria uma doutrina “nipônica”, do sol nascente, onde
Ásia para os asiáticos” significava hegemonia dos japoneses
na região. (E que a Europa ficasse sob domínio alemão)

Neste caso, o Japão não poderia abrir uma frente de guerra
contra a URSS (como desejava o Führer), e precisaria desafiar
os franceses,os ingleses e holandeses, por causa da Indochina,
Birmânia e Singapura, e Ilhas Orientais Holandesas (agora
Indonésia), respectivamente.

Ao Japão interessava o declínio do Império Britânico, enquanto
Hitler preferia os japoneses em ataque a 'retaguarda' dos russos.
Aproveitando a derrota de franceses e holandeses em maio/junho
de 1940, os japoneses logo arquitetaram seus planos de conquista
para a Oceânia, Indochina e Oceano índico. O que significava
comprar briga pesada com os anglo-americanos.

Ou seja, o Japão aproveitou a 'guerra civil européia' para ampliar
seu império no sudeste asiático, igual fizera na Primeira Guerra
Mundial, quando acabou conseguindo algumas colônias germânicas
na área do Pacífico. A entrada os EUA na PGM em 1917 e na
SGM em 1941 representou o desequilíbrio da balança – ambas
as vezes chegando com a guerra já em andamento, com os
agressores já cansados.

Para conquistar a China, numa guerra longa, os japoneses
precisavam das matérias-primas e recursos do sudeste asiático –
o que resulta numa campanha imperialista que contraria interesses
econômicos e geopolíticos de britânicos e americanos.

(Um parênteses: assim, também, a Alemanha (III Reich), depois
de 1941, precisou explorar os recursos da Europa – inclusive
trabalho forçado e tropas 'voluntárias' – para manter a guerra longa
contra os russos e caucasianos. Ou seja, as ambições de japoneses
e alemães eram desmedidas: a China é 26 vezes maior que o Japão,
e tinha 6 vezes mais habitantes; e a União Soviética é 55 vezes
maior que a Grande Alemanha, tendo 2,5 vezes mais população.)


Com sua ideologia nacionalista e militarista, seu culto xenofóbico
a la nazista, apoiado pela promoção da 'identidade nacional'
(KOKUTAI), o Japão, uma ilha, quis fazer, no século 20, o que a
Grã-Bretanha, também uma ilha, feez no século 19 – um Império
além-mar, para explorar matérias-primas e vender seus produtos
manufaturados.

O que é KOKUTAI em http://en.wikipedia.org/wiki/Kokutai

Enquanto a Alemanha queria o que Napoleão queria: unificar a
Europa. Um imenso Império Europeu fora da influência britânica,
e unificada por uma ideologia e um sistema econômico. E o que
queria a Rússia de Stálin? Queria a mesma coisa no Leste – além
de um acesso ao Báltico e ao Mediterrâneo (vejam as guerras
com os turcos). Na verdade, a Rússia da URSS seguia o ideal
expansionista dos Czares, chegando até a Polônia e desbravando
a Sibéria.

Além disso, Hitler sabia que entrar em guerra com a Grã-Bretanha
era lutar também contra o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia,
o Egito, a Índia, a África do Sul, etc, e os EUA, e ao atacar a URSS,
a Alemanha se viu combatendo o Império Russo, pois em dezembro
de 1941, as tropas caucasianas e siberianas fizeram a virada
contra-ofensiva.


Por Leonardo de Magalhaens