quarta-feira, 25 de março de 2009

Correntes Historiográficas - P1






CORRENTES HISTORIOGRÁFICAS



Parte 1

Uma das problemáticas para quem vai estudar sobre a
Segunda Guerra Mundial é a quantidade de informações
disponíveis e a quantidade de lacunas, além das inúmeras
abordagens conflitantes e contraditórias dependendo das
perspectivas assumidas pelos historiadores – perspectivas
não apenas nacionais, mas sobretudo ideológicas.

Historiadores aristocratas com ideias radicalmente contrárias
às de um scholar de classe média ou de origem proletária.
Professores burgueses que exaltam o liberalismo. E os
ex-comunistas que glorificam a democracia. Escritores direitistas
que negam o Holocausto. Todos com suas visões particularistas,
tendenciosas.

Um dos primeiros a escrever, a começar por seus diários, foi
o jornalista norte-americano William Shirer, que publicou em
1960, o já clássico “The Rise and Fall of the Third Reich” (A
Ascensão e a Queda do III Reich) onde os fatos políticos, as
decisões de gabinete, se entrelaçam com as batalhas militares.
Um dos primeiros a analisar a propaganda e a deturpação das
informações – o que o governo divulga e o que omite ao
conhecimento popular.

Outro clássico é Ernest Mandel (1923-1995), onde as forças
históricas e a análise estrutural do imperialismo capitalista é
mais importante que líderes e grandes homens, aqui meros
fantoches de 'forças históricas'. Assim, para Mendel (e também
Trotsky e E. Fromm), Hitler representa apenas uma marionete
do processo histórico – o capitalismo corporativo aliado ao
nacionalismo militarista, enquanto Churchill, o aristocrata
britânico, seria a continuação da Primeira Guerra Mundial,
com sua defesa do imperialismo britânico.

Também com base marxista, encontramos Isaac Deutscher
(1907-67), observador dos primeiros tempos do fascismo,
biógrafo de Trotsky e Stálin, meio ao fogo cerrado das
ideologias, o flagor dos extremismos. Ataca o Estalinismo,
mas tentando resguardar o Bolchevismo, tentando lembrar
o que seja socialismo. Enquanto ataca os ex-comunistas, entre
eles, o escritor Louis Fischer, biógrafo de Lenin e Stálin, que
passa a atacar o totalitarismo soviético. Tanto I. Deutscher quanto
L.Fischer são inexatos, o primeiro por ser de esquerda, e o
segundo por ser ex-comunista, e assim mostrarem os fatos sob
um aspecto ideológico, a ressaltarem ora o espírito da Revolução,
ora a miséria do povo russo, enquanto procuram ou desculpar
excessos (assim faz Deutscher) ou apontar violências (assim
faz Fischer)

Aproveitando o farto material disponível nos Julgamentos de
Nuremberg, o aristocrata britânico Allan Bullock (1914-2004)
escreveu em 1952 o livro “Hitler: A Study in Tiranny', obra esta
que abre um debate com outro aristocrata, Hugh Trevor-Roper,
um anti-comunista fervoroso, quando ambos tentam chegar a
uma resposta para a velha questão: Hitler era um oportunista
ou um ideólogo fanático? Isto é, Hitler acreditava mesmo no
que escrevia, dizia e gritava?

A ideia de um “Sonderweg” (“caminho especial”) germânico em
seu avanço e tragédia histórica, é negada pelo historiador alemão
Karl Dietrich Bracher em sua obra “Die Auflösung der Weimarer
Republik” (1955), a pobre democracia imposta de fora e negada
internamente nos embates de radicais de esquerda e de
direita. Nega a teoria marxista de nazismo enquanto 'conspiração
reacionária capitalista', mas aceita a tese do Populismo (aqueles
movimentos 'völkisch', p.ex.) outro destaque é “Die deutsch Diktatur”,
de 1969. Uma análise dos dilemas alemães com a derrota na
I Guerra Mundial, até a estruturação totalitária, esta negada por
Martin Broszat, também alemão, que ressalta os aspectos
irracionais do nazismo, movendo um estado de 'economia de
guerra' (assim 'totalitarismo' seria somente o sistema estalinista)
Nessa linha de comparar 'hitlerismo' e 'stalinismo' se destaca o
também germânico Ernst Nolte, mostrando os dois lados da moeda
(Hitler e Stalin: um contra o outro, e assim criando suas carreiras
políticas. Hitler diz ser o anti-bolchevista-mor, e Stálin, o defensor
dos povos contra o fascismo)

continua...


por Leonardo de Magalhaens

domingo, 15 de março de 2009

Alemães ocupam a Boêmia e a Morávia






Alemães ocupam a Boêmia e Morávia
em março de 1939

Depois da vergonha de Munique, quando alegando a
perseguição dos alemães da região montanhosa dos
Sudetos, o ditador Adolf Hitler conseguiu emparedar o
apaziguador homem-do-guarda-chuva, o Primeiro-Ministro
Britânico Neville Chamberlain, no sentido de garantir
tais regiões sobre 'proteção' do Reich, assim aconteceu de
as melhores fortificações da região caírem mãos nazistas.

Como poderiam os tchecos resistirem? Como poderia
combater? Todas as melhores posições estavam sob controle
alemão, e a ocupação da Boêmia e Morávia, na segunda
quinzena de março de 1939, foi um mero passeio. Praga foi
ocupada e um novo governo alemão se dizendo 'protetorado'
foi instituído, sob o comando do Ministro de Relações
Exteriores Konstatin von Neurath, antecessor de Ribbentrop,
e um oficial que serviu na Primeira Guerra Mundial, de
ascendência nobre suábia, um tipo palaciano, subindo nas
ondas de intriga na decadente república de Weimar, e depois
na corte nazista.

Von Neurath obviamente governaria com um título de 'protetor'
seguindo as diretrizes hitleristas de controle e censura, além
de discriminação racial e perseguição aos judeus. (Tanto que
seria julgado em Nuremberg)

Mais info sobre Neurath e o 'Protetorado' em (english) http://en.wikipedia.org/wiki/Konstantin_von_Neurath
e http://en.wikipedia.org/wiki/Protectorate_of_Bohemia_and_Moravia


A política de ocupação e repressão se baseava basicamente
em restringir a cultura tcheca, aliando a cultura do Danúbio,
como um regresso ao tempo em que nem existia a Tchecos-
lováquia (criada em 1918, com cosntituição de 1920) e toda
a região era parte do Império Austro-Húngaro, e Praga ocupava
um destaque de cultura alemão (lembrar que o escritor Franz
Kafka escreveu em alemão, não em tcheco nem iídiche, o que
possibilitou maior divulgação na cultura centro-européia).

Ao mesmo tempo em que agregava os tchecos a uma cultura
alemã-austríaca, os nazistas incentivaram o separatismo dos
eslovacos, que logo proclamaram uma República Eslovaca, em
14 de março, a ser mais um Estado na órbita da Grande Alemanha.
Ao mesmo tempo, Hitler assegurava o desentendimento nacional
dos tchecos, alegando sempre que a Tchecoslováquia era uma
aberração, fruto da derrota das Potências Centrais na Primeira
Guerra Mundial.

O povo aplaudia e chorava nas ruas de Praga (Praha) enquanto
as autoridades eram presas, os judeus eram linchados e os
intelectuais censurados. Tudo em nome da 'proteção' (os alemães
passariam a usar essa alegação de 'proteção' em toda invasão,
o que soa irônico tal uma 'novilíngua' (newspeak) orwelliana!)
diante da degeneração judaica-bolchevista.

Para aliviar o peso da ocupação, um presidente tcheco foi
empossado, Emil Hácha, com o apoio do general tcheco Alois Eliá,
que serviu como Primeiro-Ministro, numa dupla ambígua, que
tentava resistir nem que fosse envenenando colaboracionistas
(os jornalistas envenenados com sanduíches foi uma peça
trágica-cômica!)

Mais sobre a dupla tcheca em (english)
http://en.wikipedia.org/wiki/Emil_H%C3%A1cha
e http://en.wikipedia.org/wiki/Alois_Eli%C3%A1%C5%A1

Mas não considerando von Neurath firme (ou autoritário) o
suficiente, o ditador alemão logo deixaria o pobre povo tcheco
nas mãos do facínora Reinhard Heydrich (logo justiçado pelos
resistentes tchecos)

A história da opressão da Europa oriental apenas começou...


Mais links::::::
http://stampslandia.webng.com/gallery1/cs/B-M1.htm


http://dic.academic.ru/dic.nsf/enwiki/240117
(versão russa)


por LdeM

http://leonardomagalhaens.zip.net/

terça-feira, 10 de março de 2009

Planos Imperialistas dos militaristas japonenes




Planos Imperialistas dos militaristas japoneses

Tanto a Itália quanto o Japão lutaram junto com os Aliados,
na Primeira Guerra Mundial,contra o Império Alemão e o
Império Austro-Húngaro. Contudo, tanto Itália quanto Japão
ficaram insatisfeitos com as conquistas (limitadas pelas
Potências ocidentais, Grã-Bretanha, França, EUA). A Itália
(com meio milhão de mortos) conseguiu apenas o controle
do Trentino e de Trieste – e afundou em crise econômica.

O Japão queria controle sobre a Manchúria, maior intervenção
na China, além de consolidar suas fronteiras com o Império
Russo (então URSS) Além disso, os japoneses queriam o
Pacífico e o Sudeste asiático. Os norte-americanos não
concordaram.os japoneses não entenderam: os EUA não
proclamavam a doutrina Monroe, “América para os americanos”?
O Japão queria uma doutrina “nipônica”, do sol nascente, onde
Ásia para os asiáticos” significava hegemonia dos japoneses
na região. (E que a Europa ficasse sob domínio alemão)

Neste caso, o Japão não poderia abrir uma frente de guerra
contra a URSS (como desejava o Führer), e precisaria desafiar
os franceses,os ingleses e holandeses, por causa da Indochina,
Birmânia e Singapura, e Ilhas Orientais Holandesas (agora
Indonésia), respectivamente.

Ao Japão interessava o declínio do Império Britânico, enquanto
Hitler preferia os japoneses em ataque a 'retaguarda' dos russos.
Aproveitando a derrota de franceses e holandeses em maio/junho
de 1940, os japoneses logo arquitetaram seus planos de conquista
para a Oceânia, Indochina e Oceano índico. O que significava
comprar briga pesada com os anglo-americanos.

Ou seja, o Japão aproveitou a 'guerra civil européia' para ampliar
seu império no sudeste asiático, igual fizera na Primeira Guerra
Mundial, quando acabou conseguindo algumas colônias germânicas
na área do Pacífico. A entrada os EUA na PGM em 1917 e na
SGM em 1941 representou o desequilíbrio da balança – ambas
as vezes chegando com a guerra já em andamento, com os
agressores já cansados.

Para conquistar a China, numa guerra longa, os japoneses
precisavam das matérias-primas e recursos do sudeste asiático –
o que resulta numa campanha imperialista que contraria interesses
econômicos e geopolíticos de britânicos e americanos.

(Um parênteses: assim, também, a Alemanha (III Reich), depois
de 1941, precisou explorar os recursos da Europa – inclusive
trabalho forçado e tropas 'voluntárias' – para manter a guerra longa
contra os russos e caucasianos. Ou seja, as ambições de japoneses
e alemães eram desmedidas: a China é 26 vezes maior que o Japão,
e tinha 6 vezes mais habitantes; e a União Soviética é 55 vezes
maior que a Grande Alemanha, tendo 2,5 vezes mais população.)


Com sua ideologia nacionalista e militarista, seu culto xenofóbico
a la nazista, apoiado pela promoção da 'identidade nacional'
(KOKUTAI), o Japão, uma ilha, quis fazer, no século 20, o que a
Grã-Bretanha, também uma ilha, feez no século 19 – um Império
além-mar, para explorar matérias-primas e vender seus produtos
manufaturados.

O que é KOKUTAI em http://en.wikipedia.org/wiki/Kokutai

Enquanto a Alemanha queria o que Napoleão queria: unificar a
Europa. Um imenso Império Europeu fora da influência britânica,
e unificada por uma ideologia e um sistema econômico. E o que
queria a Rússia de Stálin? Queria a mesma coisa no Leste – além
de um acesso ao Báltico e ao Mediterrâneo (vejam as guerras
com os turcos). Na verdade, a Rússia da URSS seguia o ideal
expansionista dos Czares, chegando até a Polônia e desbravando
a Sibéria.

Além disso, Hitler sabia que entrar em guerra com a Grã-Bretanha
era lutar também contra o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia,
o Egito, a Índia, a África do Sul, etc, e os EUA, e ao atacar a URSS,
a Alemanha se viu combatendo o Império Russo, pois em dezembro
de 1941, as tropas caucasianas e siberianas fizeram a virada
contra-ofensiva.


Por Leonardo de Magalhaens

quinta-feira, 5 de março de 2009

Guerra no Pacífico - USA x Japan








A Guerra no Pacífico – EUA x Japão

Paralelamente ao cenário europeu, e mediterrâneo, está o Oceano Pacífico,
onde duas potências têm interesses conflitantes. A ascensão dos EUA e a
ambição do Japão. Ambos de olhos ávidos sobre a grandeza da China e as
ilhotas cheias de matérias-primas.

A América vencendo as guerras com a Espanha e o México, logo se percebe
em ascensão sobre a América Latina e o sul do Pacífico. A ideia de domínio
dos EUA vem desde a “Doutrina Monroe” (tutela norte-americana sobre as
demais Américas) e sobre o Pacífico, desde que o almirante Alfred T Mahan
(1840-1914), que em 1886 (sendo presidente do Naval War College) divulga
suas propostas de “desenvolvimento da marinha de guerra e do estabelecimento
de zona de hegemonia nos oceanos Atlântico e Pacífico
”, assim observando
a marinha britânica e bloqueando a expansão japonesa.


Uma olhada nas datas seguintes permite uma impressão sobre a expansão
dos ianques. 1867, a compra do Alasca; 1868, a anexação do Havaí, Guam,
Filipinas, Porto Rico; 1899, domínio sobre Samoa; 1901, protetorado sobre
Cuba; 1903, Panamá separado da Colômbia (e a zona do Canal cedida
perpetuamente aos EUA); 1905, protetorado sobre São Domingos; 1912,
ocupação da Nicarágua (até 1933); 1914, ocupação do Haiti (até 1934)

Assim, os EUA não eram tão isolados e 'isolacionistas' assim. Ambicionavam
uma 'esfera de influência' (qualquer compêndio de Geopolítica explica o que
seja isso) na América Latina e no Pacífico, praticamente no 'quintal' dos
japoneses. O Japão que até entendia o domínio dos EUA sobre as Américas,
mas não aceitava os EUA ali na Ásia e Pacífico, pois os militares japoneses
tinham uma nova estratégia para a região – rica em matéria-prima – como
uma espécie de mercado aberto asiático controlado pelo Japão, com o pomposo
nome de “esfera de co-prosperidade da Grande Ásia Oriental”

mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Esfera_de_Co-prosperidade_da_Grande_Ásia_Oriental


Também os japoneses admiravam e temiam o Império Britânico na Ásia (assim
como Hitler e Stálin admiravam os britânicos e seu Império), pois os ocidentais


brilhavam mesmo na decadência.


Continua...



LdeM

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

CHURCHILL na defesa do imperialismo britânico




Churchill na defesa do imperialismo britânico


Winston Churchill, o velho conservador, o ex-Lord do Mar na I Guerra Mundial, chegar
à público para falar em luta da Grã-Bretanha pela 'democracia' é pura demagogia, pois
a política do Império Britânico, o nome bem o diz, é imperialista. Assim com a Grande Guerra,
o conflito de 1940 é um choque de imperialismos. A política de Churchill era a de conservar
o Império e sem fazer concessões.

(A Grã-Bretanha, senhora dos mares, jamais permitiu uma potência na Europa
e no Oriente Médio, e, se pudesse, teria dividido a China em feudos.)

A favor de Churchill está claramente seus discursos alarmantes contra o rearmamento alemão, quando na Câmara dos Comuns, em 23 de novembro de 1932, desabafou,

Exige-se agora a autorização para a Alemanha se rearmar... Não deixem que o governo de Sua Majestade acredite que a Alemanha quer apenas um status igual aos dos outros países... todos esses grupos de jovens germânicos vigorosos, marchando pelas ruas e estradas da Alemanha, com o desejo de sofrer pela pátria brilhando em seus olhos, quando armados, acreditem-me, pedirão a devolução de colônias e territórios perdidos.

deixando claro sua preocupação 'imperialista', não com a democracia alemão (que os
britânicos e outros ocidentais pouco apoiaram), mas com a concorrência de uma nova
potência européia.

Com a explosão nacionalista e belicista da Alemanha, a partir de 1938, todos viram o
resultado. Principalmente quando a República Francesa foi rapidamente pisada, em 1940,
e os monarquistas britânicos se viram sozinhos. Para prosseguir a guerra 'sozinho' contra
o III Reich, o Sr. Churchill precisava da ajuda do “arsenal das democracias”, a antiga colônia britânica, agora potência em ascensão, os Estados Unidos da América, e não hesitou em arrastar os norte-americanos ao conflito, globalizando a guerra, mesmo contra a política de neutralidade.

A culpa dos britânicos não é a de resistir ao nazismo, mas a de ter compactuado com tal
poder fascista até que tal serpente se voltou contra os próprios conservadores. A política de 'apaziguamento' mostra uma Grâ-Bretanha conivente com a política repressora, perdendo
uma excelente oportunidade de vencer os alemães numa guerra rápida em 1938.

Se arrastou os EUA para a 'guerra total' foi por conveniência, e se auxiliou os russos, foi por perceber que os exércitos anglo-saxões seriam derrotados, se antes os exércitos germânicos
não fossem esmagados pela 'maré vermelha' dos exércitos soviéticos -como de fato aconteceu. (Há uma versão chocante de Churchill esperando que o Reich e a URSS se aniquilassem mutuamente, e assim se livrar de dois inconvenientes imperialismos - o germânico e o russo.)

Quem parou os alemães foram os russos, em fins de 1942 e meados de 1943, com alguma
ajuda de suprimentos e armamentos enviados pelos EUA (mais ajuda intensificada em 1943, assim a URSS deteve os alemães em 42/43 com os próprios recursos), a espera das
promessas anglo-americanas de 'abertura de uma segunda frente de batalha', o que somente aconteceu em 1943, na Sicília (Itália), e em 1944, na Normandia (França).

Hitler realmente sabia que as esperanças de Churchill estavam em atrair os EUA
e a URSS para o conflito, jogar todo contra os 'impérios centrais', numa política que o próprio Führer adotou de 'dividir para conquistar', jogando uns contra outros, como a 'pérfida Albion' sempre fizera, dividindo os escoceses, os franceses, os irlandeses, os indianos, os latino-americanos, os europeus em geral (ora aliada a Prússia contra a França, depois junto a França contra a Alemanha), e depois foi o velho Churchill semear a discórdia entre os EUA e URSS,
na inauguração da “Cold War”com sua imagem retórica da “Cortina de Ferro”.

Conhecedores do belicismo de Churchill, os trabalhistas, com os quais ele se aliara em 1940,
para chegar a posto de Primeiro-Ministro, no lugar de Chamberlain, e no páreo com Lord
Halifax, eles,os sindicalistas de gabinete, logo trataram de colocar o Sr. Attlee que na prática governava o país, enquanto Winston seguia pelas frentes de batalha e conferências com líderes mundiais.

Quem é Clement Attlee? Vejam em http://pt.wikipedia.org/wiki/Clement_Attlee

(Interessante: o romance A Guerra de Winston (2002), de Michael Dobbs (GBR, 1948-), retrata em ficção e contexto histórico a política britânica de 'apaziguamento' entre 1938 e 1939, até a ascensão de Winston Churchill em maio de 1940.mais sobre o romance em http://en.wikipedia.org/wiki/Winston%27s_War )


O mérito de Churchill? Obviamente, o de ter enfrentado Hitler. A desgraça de Churchill? Ter se deixado seduzir por táticas hitleristas. Quando permitiu o bombardeio de cidades sem qualquer interesse militar, por pura vingança, sendo notório a destruição medonha e gratuita de Dresden, quando a Alemanha era, em vasta proporção, uma montanha de ruínas em chamas. Disse Gandhi, arauto do pacifismo, “Em Dresden e Hiroxima, Hitler derrotou Hitler” O Bem não
venceu o Mal, mas tornou-se ainda mais diabólico para vencer numa guerra de extremos.


Por Leonardo de Magalhaens

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O apaziguamento e a vergonha de Munique




O apaziguamento e a vergonha de Munique

Enquanto a Alemanha nazista se apresentava como a defesa centro europeia contra a ameaça do ‘comunismo’, as potências ocidentais, Grã-Bretanha e França nada fizeram de efetivo contra o rearmamento alemão, intensificado após 1935, contrariando a Liga das Nações, apesar de todos os alertas de uma voz solitária, o conservador-mor, o ex-Lord da Marinha, o Sr. Winston Churchill.

A Liga (ou Sociedade) das Nações em detalhes em http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_das_Na%C3%A7%C3%B5es e http://www.diario-universal.com/2007/04/morreu/a-sociedade-das-nacoes/


Pode-se dizer que os triunfos políticos iniciais de Herr Adolf Hitler, com a recuperação econômica e intervencionismo estatal centralizado, tenham enfim conquistado a confiança do povo alemão, até dos opositores políticos (se é que sobrara algum!), numa espécie de ‘união nacional’ para reerguer a Alemanha. Realmente o maior erro dos vencedores, no fim da I Grande Guerra, foi o de humilhar a Alemanha com o Tratado de Versalhes, que de ‘tratado’ nada tinha, era um ‘ditado’, contra a dignidade alemã.

Aproveitando-se desse nacionalismo ferido, os nazistas capitaneados por Hitler, megalomaníaco e obcecado, resolveram levar adiante a unificação
de todos os povos alemães, a Grande Alemanha. Precisavam anexar a Áustria, absorver as populações nos Sudetos, e na Polônia (o ‘corredor polonês’) até recuperar o Império Alemão do Kaiser Wilhelm (Guilherme) II.

Mais sobre o Tratado de Versalhes em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Versalhes e
http://www.brasilescola.com/historiag/tratado-versalhes.htm, além de
http://www.diario-universal.com/2007/01/aconteceu/o-tratado-de-versalhes/


O primeiro golpe chocante foi a anexação da Áustria, usando a grande
‘quinta coluna’ de nazistas e nacionalistas ali atuantes, desde a tentativa de 1935, e com a ‘neutralidade’ do ditador fascista italiano Benito Mussolini (e Hitler sempre se mostrava grato!). A chamada ‘Anschluss’ (Anexação) da Áustria marca o expansionismo alemão em sua primeira fase, aquela sem
uso das forças armadas. Uma ‘paz negociada’ que sempre convinha aos interesses da nova Alemanha, o III Reich.

O que foi o Anschluss em http://pt.wikipedia.org/wiki/Anschluss e também
http://www.diario-universal.com/2007/02/aconteceu/a-anschluss/


As potências européias tremeram, mas pouco fizeram. A França cheia de problemas internos, e a Grã-bretanha ainda insistindo em ver em Herr Hitler
um conservador, um baluarte contra o ‘comunismo’ exportado pela ameaçadora União Soviética.

Enquanto Chamberlain [primeiro ministro britânico] e os conservadores europeus consideravam Hitler como a peça principal do bastião anti-
comunista e como alguém que se pudesse ao mesmo tempo conquistar
e dominar com boas palavras e conciliação a esquerda se embalava na
ilusão de que Schuschingg
[o chanceler austríaco] afinal não era mais
que o representante de um regime clerical fascista, que outrora mandou
atirar em proletários e estava maduro para a queda final
.” (J. Fest, in “Hitler”, 1976)

A Áustria anexada ao III Reich foi um triunfo que incentivou Hitler a avançar suas conquistas. Voltou-se para os alemães que viviam nos montes Sudetos nas bordas da Tchecoslováquia, país que existia desde o fim da Grande Guerra, com a união de Boêmia, Moravia, Eslováquia e Rutênia, e que logo seria destroçada pela intervenção nazista.

Mais sobre a Tchecoslováquia e dados nacionais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Checoslov%C3%A1quia e
http://bloguecentelha.blogspot.com/2008/02/os-sudetas-e-invaso-da-checoslovquia.html


Ao redor da Boêmia se ajuntavam tropas alemãs para pressionarem o governo parlamentarista do Sr. Benes, já em dificuldades com os autonomistas eslovacos em protesto contra o centralismo tcheco. E pior: os franceses e os britânicos estavam mais inclinados a apoiarem os nazistas, que ainda contavam com a ‘mediação’ italiana. Em setembro de 1938, entre os dias 25 e 30, na capital bávara, Munique (München), os poderosos se reuniram para decidir o destino da cercada Techecoslováquia, que recebeu em Praga um comunicado ‘democrata’ de que mostrasse ‘boa vontade’ para com a ‘colônia alemã dos Sudetos’!

Na Conferência de Munique, por iniciativa de Chamberlain, a política do ‘apaziguamento’ alcançou seu ápice, o desmascaramento total dos conluios imperialistas, com a desculpa de atender as ‘últimas exigências’ do ditador nazista, que dizia “É a última exigência territorial que devo impor a Europa”. Pois as defesas tchecas foram entregues a partir de 1º outubro de 1938, e logo as exigências aumentaram.

A república parlamentar tchecoslovaca foi varrida do mapa, desmembrada, e finalmente ocupada por tropas alemãs em março de 1939. Hitler, finalmente, jogava o seu jogo de guerra. Onde a tão proclamada ‘peace for our time’ (Paz para o nosso tempo) prometida por um extasiante Chamberlain? Paz virou a guerra mais sangrenta!

Sobre o vergonhoso episódio da Conferência de Munique há o interessante livro do escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre, “Sursis” (em suspenso), parte da trilogia “Caminhos da Liberdade”. Vejam mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Caminhos_da_Liberdade e também
http://fr.wikipedia.org/wiki/Les_chemins_de_la_libert%C3%A9



Mais sobre os apaziguadores e a vergonha do Pacto de Munique em http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_de_Munique e http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=152&Itemid=29

por Leonardo de Magalhaens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Estatismo Estalinista sufoca Socialismo Soviético




ESTATISMOS DE ESQUERDA

As contradições da URSS

Estado proletário e industrialização dinâmica: eis o que a Esquerda admite ser a URSS. Ou ter sido. Uma transição do capitalismo para o socialismo, e daí para o comunismo. Um Estado onde não há classes, onde todos trabalham para o coletivo.

É inegavel que o capítalismo sofreu um duro golpe na Rússia (e outras nações caucasianas), mas aquela sociedade não chegou ao Socialismo, assim não poderia chegar ao Comunismo (o sistema social e política idealizado por Karl Marx). Ficou presa numa transição entre 1918 a 1929, oscilando entre um estatismo, uma 'economia de guerra', um afrouxamento mais liberal (a NEP), até a implantação dos Planos Quinquenais (a planificação econômica) e a coletivização. De forma centralizada e autoritária, o Coletivismo (dito) Soviético reprimiu quem não concordava (eram rotulados de sabotadores) e enviava levas de prisioneiros para os campos de trabalhos forçados (os Gulags). Certamente nada havia do ideal libertário proclamado por Marx (e outros antes dele).

Mais detalhes vejam http://pt.wikipedia.org/wiki/NEP e http://pt.wikipedia.org/wiki/Gulag
E também http://en.wikipedia.org/wiki/Five_Year_Plan_(USSR) (em english)


O historiador inglês Eric Hobsbawm tece uma análise profunda do que seria a URSS em seu clássico "Era dos Extremos", no cap. 13 da Parte 2, onde destacamos, "Na verdade, para um país atrasado e primitivo, isolado de ajuda estrangeira, a industrialização sob ordem, com todos os seus desperdícios e ineficiências, funcionou de modo impressionante. Transformou a URSS numa grande economia industrial em poucos anos, e capaz, como não fora a Rússia czarista, de sobreviver e ganhar a guerra contra a Alemanha apesar da temporária perda de áreas contendo um terço da população e, em muitas indústrias, metade do parque industrial. Deve-se acrescentar que em poucos outros regimes poderia ou quereria o povo suportar os sacrifícios sem paralelos desse esforço de guerra (ver Milward, 1979, pp. 92-97), nem, na verdade, os da década de 1930. (...)"

Recomendável também a leitura de "War, economy and society, 1939-45", Alan Milward, London, 1979, e "The reconstruction of Western Europe, 1945-51", London, 1984, do mesmo autor. Além de "An Economic History of the USSR", Alex Nove, London, 1969.

Amostras na net :: http://www.jstor.org/pss/3115375, além de
http://www.jstor.org/pss/153639 e http://en.wikipedia.org/wiki/Alec_Nove


Interessante artigo disponível na net ::: http://www.cenariointernacional.com.br/default3.asp?s=artigos2.asp&id=42


Ernest Mandel não considera a URSS como "Capitalismo de Estado" nem "Socialismo Burocrático", mas "Regime em transição" e "Estado proletário burocraticamente deformado", em concordancia com a visão de Trotsky, que defendia uma revolução permanente das massas populares contra a burocracia que se apossou da revolução de 1917.

"Ninguém, e não faço exceção de Hitler, aplicou ao socialismo um golpe tão mortal. Hitler ataca as organizações operárias no exterior. Stalin as ataca no interior. Hitler destrói o marxismo; Stalin o prostitui. Não há principio que permaneça intacto; não há uma ideia que não tenha sido enlameada. Até mesmo os termos socialismo e comunismo foram gravemente comprometidos, agora que a gendarmaria incontrolável, com diplomas de 'comunista', chama de socialismo ao regime que impõe. Repugnante profanação!" (TROTSKY, Leon. Stalin e a burocracia. Trotski: politica. SP: Ática, 1981)

Assim semelhante ao taylorismo e ao fordismo no Ocidente e a "Beleza do Trabalho" nazista e ao "Dopolavoro" fascista, havia um particularismo na exploração do trabalho na URSS, o 'culto è produtividade', o chamado 'stakhanovismo', em 'homenagem' ao mineiro Alexei Stakhanov, um 'herói' da extração de carvão, durante do 2o Plano Quinquenal Estalinista. De forma que o burocratismo (dito 'soviético') sufocou a espontaneidade do proletariado na mesma proporção que o fascismo. Desde Lênin, os comitês ('sovietes') de operários e camponeses foram perdendo a autonomia enquanto crescia o poder Estatal, centralizado e burocrático, com o poder do Partido único, o (dito) Comunista.

Mais sobre o Stakhanovismo em http://pt.wikipedia.org/wiki/Stakhanovismo e
http://www.dieese.org.br/bol/int/intago97.xml#




Estalinismo: golpe dentro da Revolução

Ao estabilizar seu poder, desde a morte de Lênin, em 1924, o secretário-geral do Partido Comunista Joseph Stálin não hesitou em eliminar a velha guarda bolchevique, durante os expurgos de 1934 a 38, incluindo os oficiais do Exército Vermelho (muitos antigos czaristas), de forma a conservar os postos-chave do burocratismo para os seus fiéis, fanáticos do 'centralismo', defendores do 'socialismo em um só país'.
Isaac Deutscher se esforça para diferenciar os 'totalitarismos', a questão do "Capitalismo de Estado" (termo que Trotsky desprezava, pois argumentava que a URSS era um "Regime em Transição de Capitalismo para Socialismo"), ressaltando o fato da burocracia não ser a 'proprietária dos bens de produção', além das maquinações imperialistas, presentes nos regimes fascistas.

"Pode-se demonstrar que há analogias muito importantes entre os dois regimes, mas elas não permanecem decisivas. Podemos resumir as diferenças da seguinte maneira: o totalitarismo do Terceiro Reich se propõe a impor a discipina mais draconiana sobree as massas trabalhadoras e sobre a própria burguesia alemã, em vista da preparação da luta final do imperialismo alemão pelo domínio do mundo; em contraste, o totalitarismo soviético é produto da combinação das dificuldade advindas com a construção do socialismo num país agrícola atrasado e a luta da nova camada burocrática pelas posições privilegiadas na sociedade pós-revolucionária. O fato de a 'solidariedade entre os dois totalitarismos' ter se deformado apenas numa trégua de vida curta, num prólogo de conflito armado, não é certamente um acidente nem um capricho da História..."

Antes, porém, I Deutscher tenta justificar o pacto germânico-soviético: "não há um período de 'solidariedade' entre os 'dois totalitarismos', mas uma preparação para a luta de morte que se travará entre eles."

Sobre o Pacto Germânico-Soviético, e o prólogo da Segunda Guerra Mundial , vejam http://pt.wikipedia.org/wiki/Pacto_Molotov-Ribbentrop e também http://www.2guerra.com.br/sgm/index.php?option=com_content&task=view&id=530&Itemid=35